No ponto: Porquê: um lobo em pele de cordeiro

fizkes/Getty Images
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A boa notícia é que há um macete para nunca errar, o qual reside em simples substituição

Tarefa árdua foi a mim imputada por um leitor: explicar o uso dos porquês nesta coluna. Oremos, que esse conjuntinho de regras aparentemente inócuo está mais para lobo do que para cordeiro. “Por que separado é usado para perguntas e porque junto é usado para respostas.”, alguém há de dizer. Pura lenda gramatical, acredita?

Para início de conversa, existem cinco usos dos porquês e não quatro, como dizem por aí. Mas a boa notícia é que há um macete para nunca errar, o qual reside em simples substituição. Comecemos com o porquê. Este sempre será substituível pela palavra motivo e terá função de substantivo:

Dê-me um porquê (um motivo) para a sua atitude. E ele vem sempre acompanhado de artigo? Nem sempre. Veja: Ela tem porquê (motivo) para tudo. É substituível pela palavra motivo, mas veio sem artigo. Situação rara, mas acontece.

Passemos, então, para o segundo caso: por que, o qual pode ser substituído pela expressão por que razão: Por que (por que razão) você não compareceu à reunião? E ele só ocorre em perguntas? Nã-nã-ni-nã-não. Evocando Tim Maia, na canção Gostava tanto de você, temos: Não sei por que (por que razão) você se foi… Simples assim, leitor. Substitua por por que razão e bingo! E quando haverá acento circunflexo? Chegamos, agora, ao terceiro caso. Ocorrerá por quê sempre que este vier no fim de uma frase: Mariana desmarcou a reunião, mas eu não sei por quê (por que razão). Entendeu?

Mas não se alegre tão rapidamente, que ainda há um outro uso de por que, o que nos leva ao quarto caso. Por que pode ser substituído por pelo qual e variações. Mas como assim? Nessa situação, ele funciona como um pronome relativo. Veja: O motivo por que (pelo qual) estou aqui é bom. Poucos sabem as lutas por que (pelas quais) passei. Aliás, pronomes relativos bem colocados costumam deixar os textos mais elegantes.

Eis que chegamos ao último caso: porque. Este, simples, pode ser substituído por pois: Ela está feliz porque (pois) foi promovida. Certamente, você nunca erraria na escrita dessa frase.

Ufa! Acabei, leitor. Consegui! Agora, você já sabe por que deve estar atento ao uso dos porquês, por que devemos ter, no mínimo, respeito por eles. Por quê? Ora, porque, se ele fosse cordeiro mesmo, você não teria chegado até aqui. E fim de papo.

Cíntia Chagas é uma professora que sempre leva humor e conhecimento ao público. Escritora de dois best-sellers da editora HarperCollins, ela coleciona milhares de alunos nos cursos virtuais que ministra. Palestrante e instagrammer, provou que irreverência, humor e educação podem e devem andar juntos.

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