Para Felipe Ziliotti, empreender jamais foi uma decisão simples — embora tenha surgido como uma consequência natural de sua trajetória. Formado em economia e computação e moldado por anos no dinâmico setor de bancos de investimento, ele se acostumou a ambientes de alta pressão e longas horas.
Sua passagem como vice-presidente no maior banco do mundo em São Francisco, no coração do Vale do Silício, aprofundou ainda mais sua vivência em tecnologia, inovação e capital global. Ainda assim, o ponto de virada não ocorreu em uma discussão estratégica, mas na percepção clara de que tecnologia e capital, embora familiares a ele, estavam falhando em beneficiar o trabalhador comum.
Felipe tomou a decisão de voltar ao Brasil para empreender, abrindo mão de toda sua rede de segurança profissional. Curiosamente, ele chegou ao país apenas duas semanas antes da decretação da pandemia, momento em que o mercado global parou. Como ele próprio descreve: “Quando você não tem plano B, é muito mais fácil se apegar ao plano A e fazer acontecer.” Foi assim que a Blipay nasceu.
A empresa surgiu para resolver um paradoxo do mercado: milhões de brasileiros, trabalhadores assalariados (CLT) e com renda comprovada, eram sistematicamente invisíveis para os bancos. O sistema tradicional enxergava esses clientes como um risco inviável: valores solicitados baixos, inadimplência alta e custos operacionais proibitivos.
“Nosso sonho mais audacioso é, basicamente, criar valor para todo trabalhador brasileiro de alguma forma. Queremos que a Blipay seja essa empresa que está no bolso do trabalhador brasileiro, fazendo a diferença”, comenta Felipe, CEO da Blipay.
Ele e os cofundadores, Rodrigo Nakaura (COO) e Carlos Rodolfo Scarin Nascimento (CTO), sabiam que, para servir esse público, precisariam inovar. A tese inicial era seguir o playbook clássico do mercado de capital de risco: levantar investimento e escalar. Mas a realidade se impôs com desafios globais que causaram uma retração drástica de investidores. O capital que deveria financiar a escala simplesmente deixou de existir.
Em vez de desistir, a equipe composta por um time extremamente enxuto abraçou a escassez. Após a crise, passaram a operar de forma autossustentável e se viram em uma situação de “tudo ou nada” que exigiu um novo roteiro de gestão. “Nós nascemos e crescemos num ambiente de muita escassez de capital. Tivemos que ser extremamente eficientes e manter o time muito pequeno”, reforça Rodrigo.
Essa escassez inicial moldou uma cultura de eficiência operacional que é hoje um dos pilares competitivos da Blipay. O objetivo deixou de ser apenas crescer: tornou-se ser autossuficiente, gerar caixa e resultados, mantendo um padrão de contratação altíssimo e obcecado com tecnologia.
A sobrevivência dependeu de provar que era possível calcular o risco do trabalhador de forma mais justa. Em vez de recorrer ao caminho tradicional, a Blipay decidiu construir um motor de crédito do zero. Ele se apoia em Open Finance, dados transacionais e Inteligência Artificial (IA) para avaliar a capacidade real de pagamento do cliente. Este modelo, com ciclos curtos, garante controle, previsibilidade e uma gestão de risco altamente eficiente.
Era um caminho arriscado: sem o filtro dos birôs de crédito, o time sabia que teria de sustentar as perdas iniciais para treinar o modelo com dados reais, sem vieses. Até que veio o momento: “Foi um clique. Ver o modelo performando em produção e perceber: existe um caminho aqui e é muito superior ao status-quo.”
A partir desse ponto de virada, a Blipay pôde escalar com confiança. Enquanto a maioria do mercado exclui, eles incluem. O motor identifica a verdadeira capacidade de pagamento do cliente por meio de dados transacionais. Com isso, a startup se tornou pioneira na antecipação de salário 100% digital e imediata via Pix, atuando em quase 100% dos municípios do Brasil. O resultado é um ciclo de confiança: uma pesquisa interna revelou que mais de 50% dos usuários consideravam a Blipay a primeira empresa a lhes conceder crédito formal — um indicador poderoso da profundidade da missão.
A seleção dos três fundadores como Empreendedores Endeavor, no Painel Internacional de Seleção, reconhece a qualidade, o timing e o espírito de propósito e eficiência da Blipay. Com crescimento acelerado e alta eficiência operacional, a empresa projeta encerrar 2025 com uma originação anualizada de antecipação salarial próxima de R$ 1 bilhão.
Este é um exemplo de inovação que nasce do propósito e da eficiência, dois valores que refletem o espírito empreendedor que a Endeavor acredita e apoia. A crença central da organização é clara, as empreendedoras e empreendedores que transformam economias são aqueles que sonham grande, escalam rápido e impulsionam a próxima geração de fundadores.
No futuro, a Blipay enxerga que seu maior dever é retribuir ao ecossistema que a formou. “Para nós, o que realmente fica não é apenas o sucesso da empresa em si, mas a capacidade de inspirar outros a surgirem e multiplicarem esse impacto”, finaliza Felipe Ziliotti.
A Endeavor é uma rede global presente em mais de 40 países e formada pelos empreendedores e empreendedoras que mais crescem no mundo. No Brasil desde 2000, acelera negócios com potencial escalável por meio do programa Scale-Up e promove conexões entre os maiores líderes do país e empreendedores em início de jornada. Também investe em startups em fases Seed e Series A, com o fundo Scale-Up Ventures.
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