Marcelo França passou duas décadas dentro dos bancos aprendendo exatamente o que estava errado com eles. Ele começou no Banco Bozano Simonsen, viveu fusões e reestruturações, e foi parar no Lemon Bank, um dos primeiros bancos digitais do Brasil. Uma década transitando entre bancos legados e fintechs nascentes deu a ele uma visão que poucos tinham: entrar no sistema financeiro era caro, complexo e restrito a quem já tinha infraestrutura regulatória e tecnológica pronta. O custo de entrada afastava novos players e concentrava o mercado nas mãos de quem já estava lá. A tese era clara, só faltava o parceiro certo para executá-la.
O encontro que o mercado não esperava
Adriano Meirinho vinha de outro mundo. Passou 14 anos na Catho Online como CMO e Diretor de Vendas B2C, levando a plataforma a escala de massa no Brasil. Acumulou nove prêmios da indústria e desenvolveu uma leitura de produto, distribuição e narrativa de mercado que é rara em qualquer setor e praticamente inexistente em infraestrutura financeira.
Um amigo em comum os apresentou em 2016. Um engenheiro com PhD em inteligência artificial pela PUC-RJ e uma década dentro dos bancos. Um executivo de marketing com DNA de plataforma digital de consumo. A combinação não era óbvia, e foi justamente por isso que funcionou.
Fundaram a Celcoin no mesmo ano.
O pivô que definiu tudo
O plano original era construir uma carteira digital para o consumidor brasileiro, um modelo B2C no espírito do movimento de inclusão financeira da época. Em meses, ficou claro que o modelo não escalaria: capital insuficiente, mercado de contas pré-pagas mais complexo do que parecia e, ao mesmo tempo, uma demanda inesperada surgindo do outro lado.
As primeiras fintechs brasileiras, Neon, PicPay, Recargapay, Inter, começaram a procurá-los, mas eles não queriam o produto, queriam a infraestrutura que Marcelo e Adriano haviam construído para operá-lo.
Poucos fundadores conseguem abandonar a tese original com a empresa medida em meses, os dois fizeram isso. Pivotaram para B2B, antes do termo BaaS (Banking as a Servce) existir, ouviram o que o mercado estava pedindo e recomeçaram.
Essa disposição de matar a primeira ideia é, em essência, a forma como os dois empreendem desde então.
A tese que levou uma década para ser comprovada
Hoje, mais de 800 bancos digitais estão conectados à plataforma da Celcoin. Juntos, processam mensalmente mais de R$ 40 bilhões. Em 2025, a empresa alcançou US$ 69,9 milhões em receita líquida e US$ 15,3 milhões em EBITDA, uma combinação de crescimento e lucratividade rara num setor historicamente conhecido por queimar caixa.
A Celcoin opera como a infratech mais completa do mercado brasileiro, integrando pagamentos, banking e crédito em uma única plataforma via API. Ao longo do caminho, realizou seis aquisições e construiu uma camada regulatória própria que permite que fintechs, varejistas e marketplaces lancem produtos financeiros com velocidade e sem precisar construir do zero o que a Celcoin já tem pronto.
“A infraestrutura financeira do futuro não vai estar nos balanços dos grandes bancos”, diz Marcelo. “Vai estar distribuída em milhares de empresas que entendem profundamente o seu cliente, e a Celcoin existe para que essa transição aconteça mais rápido.”
O retorno
Em 2022 e 2023, a Celcoin passou pelo processo de seleção da Endeavor e não avançou. Na época, o full-stack ainda estava sendo construído e a diversificação entre pagamentos, banking e crédito parecia, para alguns, dispersão.
Voltaram em 2025 com as três verticais entregues, receita diversificada e uma estratégia consistente para cada uma delas. Em todos os SORs, no painel local e nos reference checks, a aprovação foi unânime.
O Efeito Multiplicador
A seleção de Marcelo e Adriano como Empreendedores Endeavor considerou a clareza estratégica demonstrada ao longo de quase uma década, a capacidade de execução comprovada em números e aquisições e a resiliência de founders que conhecem o sistema financeiro por dentro e escolheram transformá-lo de fora.
A banca de seleção contou com Mudassir Sheikha (Careem), Veronica Allende Serra (Innova Capital), Mostafa Amin (Breadfast), Doug Storf (Swap) e Lisa Raggiri (Forward Arc).
Os dois já atuam como investidores-anjo e LPs em fundos, além de mentorarem empreendedores. Ao entrar para a Endeavor, chegam com uma década de aprendizado sobre como se constrói infraestrutura crítica no Brasil, e com a disposição de colocar isso a serviço da próxima geração.
“O melhor cliente não é o que assina o maior contrato”, diz Adriano. “É o que começa com um módulo, descobre que funciona, e três anos depois está rodando o sistema financeiro inteiro com a gente.”
Marcelo França e Adriano Meirinho são Co-founders da Celcoin e Empreendedores Endeavor selecionados no Painel de Seleção Internacional da Endeavor. Cerca de 1% das empresas que entram no processo global são aprovadas.
Selecionados após um rigoroso processo internacional, Marcelo e Adriano passam a integrar uma comunidade global de fundadores comprometidos em crescer com impacto e reinvestir tempo e conhecimento na próxima geração de empreendedores, impulsionando o Efeito Multiplicador™.
A Endeavor é uma rede global presente em mais de 40 países e formada pelos empreendedores e empreendedoras que mais crescem no mundo. No Brasil desde 2000, acelera negócios com potencial escalável por meio do programa Scale-Up e promove conexões entre os maiores líderes do país e empreendedores em início de jornada. Também investe em startups em fases Seed e Series A, com o fundo Scale-Up Ventures.
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