Para Jack Sarvary, empreender não foi uma escolha óbvia. Foi um chamado. A faísca inicial acendeu em 2010, quando trabalhou como consultor na Endeavor, e fundou a Itinerie, startup que vendia ofertas relâmpago de pacotes de viagem. Anos depois, Jack e seu sócio, Billy Blaustein, americanos unidos pela vida na América Latina, vivenciaram de perto a dura realidade dos motoboys, profissionais que representam a renda de toda uma rede familiar, e que enfrentam duras condições e altíssimos custos variáveis com combustível e manutenção.
Maior metrópole da América Latina, São Paulo abriga o maior número de motociclistas do Brasil. São cerca de 650 mil motociclistas atuando em São Paulo – 320 mil deles apenas na Capital, de acordo com dados do Sindicato dos Mensageiros, Motociclistas, Ciclistas e Mototaxistas do Estado (SindimotoSP).
A Vammo nasceu desse incômodo e do fato de que a mobilidade elétrica, aliada de parte dessas dores, era um privilégio para poucos: cara, inacessível e sem infraestrutura adequada. Com experiência em mobilidade e passagens por empresas como Uber, Rappi e Tesla, decidiram criar uma solução feita sob medida para os motoboys, a fim de democratizar o acesso à mobilidade limpa, dando protagonismo a esses trabalhadores.
A trajetória exigiu coragem. A tese inicial de trazer a tecnologia de battery swap (troca de baterias), que era um sucesso global, se provou insuficiente. Jack explica que, no mundo inteiro, isso se mostrou a chave para a adoção em escala, mas no Brasil havia um problema mais profundo: não existia todo o ecossistema necessário para que o battery swap fosse viável como um produto autônomo. Os modelos disponíveis não atendiam às condições locais, os custos permaneciam altos, o acesso ao crédito era restrito e a oferta de manutenção praticamente inexistente.
A Vammo entendeu que, para mudar o jogo, não bastava importar a lógica do battery swap. “O benchmark global não funcionava aqui”, afirma Jack. Eles decidiram criar todo o ecossistema: oferecer a moto, a bateria, a infraestrutura de troca, a manutenção, a tecnologia e até espaços de apoio para os clientes.
Foi uma decisão arriscada que multiplicou a complexidade do negócio, mas que permitiu transformar a ideia em uma solução viável. Criaram um ecossistema onde o cliente não precisa se preocupar com nada além de rodar, economizar no final do mês e ainda comprova que uma climate tech pode dar expressivos retornos financeiros.
A experiência de ambos como “founding team” em empresas que se tornaram gigantes preparou-os para esse desafio.
“É colocar a mão na massa para as coisas acontecerem, é ser inventivo, resolutivo e tomar riscos”, conta Jack.
Os resultados vão além do lucro. A empresa já evitou a emissão de mais de 25 mil toneladas de CO₂ em São Paulo. E o impacto social é real: 96% dos clientes nunca tinham dirigido um veículo elétrico antes de pilotar uma moto da Vammo E com a nossa solução eles chegam a ter economias reais de 30% versus opções a combustão, afirma Jac. A ousada meta de crescer a operação 10x ano contra ano foi a grande prova da operação.
Para Jack, a seleção pela Endeavor é o fechamento de um ciclo. A experiência foi ainda mais emblemática com o Painel de Seleção Internacional no Catherine’s College de Cambridge, universidade que seu avô, um imigrante húngaro refugiado da guerra, frequentou. Estar ali, caminhando pelos mesmos corredores, representando não apenas a empresa, mas a perseverança de toda a sua família, foi profundamente simbólico.
Essa história reforça o que Jack e Billy como empreendedores à frente da Vammo representam para o ecossistema. Eles acreditam que empreender na América Latina tem seus desafios únicos, mas também é uma região cheia de talento, criatividade, capital e problemas urgentes a serem resolvidos. Jack quer compartilhar suas histórias, erros e acertos.
“O maior legado não é só criar uma empresa de sucesso, mas inspirar outras a surgirem e multiplicarem esse impacto”, afirma. Com o apoio da Endeavor, a Vammo se prepara para escalar e provar que o futuro da mobilidade pode ser, de fato, limpo, acessível e próspero para todos.
A Endeavor é uma rede global presente em mais de 40 países e formada pelos empreendedores e empreendedoras que mais crescem no mundo. No Brasil desde 2000, acelera negócios com potencial escalável por meio do programa Scale-Up e promove conexões entre os maiores líderes do país e empreendedores em início de jornada. Também investe em startups em fases Seed e Series A, com o fundo Scale-Up Ventures.
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