Entre founders, 78% sentem pressão alta ou máxima para acompanhar a IA. A fonte de cobrança mais citada é o próprio fundador (90%), à frente do conselho (29%), dos investidores (22%) e do time (20%).
Os dados são do novo capítulo da série “Inteligência Artificial nas Scale-Ups”, levantamento idealizado pela Endeavor, com apoio da Salesforce e da Onfly. O conteúdo combina respostas de 133 empreendedores de 125 empresas, conversas com 20 empreendedores e lideranças e a análise de mais de 200 mentorias dos últimos 12 meses.
O levantamento investiga como empreendedores estão alocando um dos seus recursos mais valiosos: o tempo. Fernando Steler, Empreendedor Endeavor da Delend, resume o desafio: “Como cada frente ficou mais barata de manter aberta, o número de frentes subiu. O tempo economizado foi reinvestido em volume”, argumenta Fernando.
Delegando tarefas por nível de complexidade
Segundo a pesquisa, 59% dos empreendedores recorrem à IA quase sempre antes de uma tomada de decisão. Para Alexandre Hadade, Empreendedor Endeavor da Birdie, a regra é dividir tarefas operacionais das intelectuais de maior complexidade. “A regra é simples: quanto maior o impacto e mais difícil voltar atrás, menos delego para a IA. Quanto menor o impacto e mais fácil reverter, mais delego”, comenta Hadade.
Para orientar esse uso, a Endeavor construiu uma matriz de uso e risco: “O framework baliza onde o empreendedor delega esforços operacionais e como colocar mais do seu tempo em frentes de impacto”, afirma Daniella Mello, CMO da Endeavor Brasil.
Segundo cérebro: potencializando os resultados com IA
O material recomenda usar IA intensamente para processar grandes volumes de informação. Uma boa prática é construir o “segundo cérebro”: projetos e agentes que recuperam o histórico da empresa para preparar análises e reuniões.
Igor Senra, Empreendedor Endeavor da Cora, recebe um resumo dos encontros e assuntos do dia com cada pessoa do time. “É como se eu passasse a ser um líder que nunca se esquece de nada. Como está tudo documentado, com histórico das conversas. Minhas reuniões agora são muito mais profundas, mas elas ocupam quase o mesmo tempo de antes”, diz Igor.
Avaliando outputs e preservando relações humanas
Segundo a pesquisa, 46% dos empreendedores confiam mais no time, 35% ocupam uma posição neutra e 20% confiam mais na IA ao tomar decisões. Em contratações, feedbacks e decisões sobre cultura, a IA pode organizar informações, recuperar fatos e preparar perguntas, mas a condução da conversa e decisões permanecem com a liderança.
Rodrigo Cava, Empreendedor Endeavor pela Estoca, relata que a empresa revisou o uso de IA na análise de currículos após identificar que estavam rejeitando candidatos qualificados. “Há decisões nas quais a capacidade de avaliar a resposta e assumir as consequências importa tanto quanto a eficiência do processo”, enfatiza Cava.
Reservar espaço na agenda para elaborar e escolher
Entre os respondentes que usam as ferramentas seis horas ou mais por dia, 71% relatam pressão máxima, contra 29% entre os que usam até duas horas. O levantamento procura reunir práticas para lidar com a rotina e o volume de informações. Fabiane Pellegrino, Empreendedora Endeavor da Makasi, relata que intervalos de 5 a 10 minutos entre reuniões elevam a qualidade da rotina. “É aquele momento em que você se estica e também elabora”, endossa Fabiane.
“Os empreendedores são bombardeados com informações do mercado e internamente, com a velocidade da operação. Sentir que tudo está mudando não significa que tudo precise mudar ao mesmo tempo: liderar vai depender cada vez mais de proteger o espaço para pensar e ter as pessoas e ferramentas certas para ampliar seu raciocício”, conclui Daniella Mello.
A série “Inteligência Artificial nas Scale-Ups” segue ao longo de 2026. Os próximos capítulos abordarão talentos, cultura, produto e modelo de negócio.
A Endeavor é uma rede global presente em mais de 40 países e formada pelos empreendedores e empreendedoras que mais crescem no mundo. No Brasil desde 2000, acelera negócios com potencial escalável por meio do programa Scale-Up e promove conexões entre os maiores líderes do país e empreendedores em início de jornada. Também investe em startups em fases Seed e Series A, com o fundo Scale-Up Ventures.
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