O Mecanismo de Financiamento Amazônia Viva, iniciativa encabeçada pela Natura em parceria com a VERT Securitizadora e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO), concluiu o segundo ciclo de concessão de crédito com a quitação integral dos valores por parte das comunidades envolvidas. No total, 15 cooperativas e associações receberam cerca de R$ 13 milhões em crédito para financiar suas atividades. Adicionalmente, foram captados R$ 13,5 milhões para fortalecer a gestão financeira dessas organizações, aprimorar estruturas locais como unidades de beneficiamento e fomentar projetos socioambientais.
Para Ana Costa, vice-presidente de sustentabilidade, jurídico e reputação corporativa da Natura, o modelo prova que é possível conciliar fortalecimento econômico com conservação ambiental. “O apoio direto às pessoas gera impactos reais e duradouros”, afirmou. A ideia do projeto é apoiar mais de 40 organizações em 16 territórios da Amazônia, beneficiando diretamente mais de 10 mil famílias e contribuindo para a conservação e regeneração de até 3 milhões de hectares de floresta.
A estrutura do mecanismo é composta por dois instrumentos: um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), coordenado pela VERT, e o Fundo Facilitador (ECF), administrado pelo FUNBIO. O CRA fornece crédito com juros acessíveis e procedimentos simplificados às organizações fornecedoras de insumos amazônicos. Já o ECF oferece suporte técnico e investimentos em infraestrutura, conservação e regeneração ambiental. Ambos operam sob governança compartilhada, com participação de representantes das comunidades.
Além de investir na iniciativa, a Natura atua como compradora dos insumos produzidos, oferecendo previsibilidade financeira às comunidades. Outros parceiros incluem Fundo Vale, Good Energies Foundation, International Finance Corporation (IFC), BID Invest e o próprio FUNBIO, que atuam como investidores, doadores ou apoiadores institucionais.
A adimplência de 100% também é atribuída ao acompanhamento técnico das organizações beneficiadas. “Esse resultado mostra que comunidades tradicionais podem ser parceiras confiáveis quando têm acesso a estruturas financeiras adequadas”, disse Martha de Sá, cofundadora da VERT.
Entre os avanços recentes, destaca-se o início do repasse de R$ 6,3 milhões para melhorias em unidades de beneficiamento de nove cooperativas que fornecem insumos à Natura, com base em critérios da certificação regenerativa da UEBT. Também foi realizado investimento de R$ 1 milhão em sistemas agroflorestais com macaúba, espécie nativa com potencial de restaurar áreas degradadas no Pará.
O mecanismo também passou a incorporar agendas transversais. Em abril, realizou sua primeira Oficina de Gênero, com a participação de mulheres de 14 organizações. Em março, foi formalizado o Conselho Territorial, instância consultiva que busca ampliar a representatividade de lideranças comunitárias e jovens na governança da iniciativa.