A população de baleias-jubarte na costa brasileira saltou de cerca de 1,5 mil indivíduos na década de 1990 para mais de 35 mil animais no levantamento mais recente, segundo dados do Instituto Baleia Jubarte. O avanço populacional consolida a recuperação da espécie após a proibição da caça comercial no país em 1987 e permitiu a exclusão do cetáceo da lista nacional de espécies ameaçadas de extinção em 2014.
Apesar da expansão histórica, o ciclo reprodutivo de 2026 registra uma contração expressiva no índice de nascimentos no litoral brasileiro. A proporção de filhotes apurada até setembro atingiu 3,35%, patamar consideravelmente inferior à média histórica de 9,98% observada desde 2014 e ao recorde de 16,69% verificado em 2024, indicando alterações no balanço energético dos animais durante o período migratório.
Déficit de biomassa na Antártida e recuo na fertilidade
Pesquisadores apontam que a escassez de filhotes decorre de desequilíbrios provocados pelo aquecimento oceânico na disponibilidade de krill nas áreas de alimentação antárticas, nas ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul. O crustáceo representa a base nutricional quase exclusiva das jubartes, necessária para estocar gordura antes do percurso migratório de 4 mil quilômetros até Abrolhos, no sul da Bahia.
Segundo o diretor de pesquisas do instituto, Milton Marcondes, o déficit nutricional restringe a capacidade biológica de reprodução: “Baleias que não se alimentam direito, quando vêm acasalar, não têm tanta fertilidade, ou a fêmea em gestação corre o risco de perder o filhote”. A queda de natalidade também foi documentada em populações da espécie monitoradas nas costas do Pacífico, incluindo o litoral do Equador e as regiões leste e oeste da Austrália.
Encurtamento da temporada e monitoramento aéreo
A retração no nascimento de filhotes reduziu a permanência dos espécimes em águas territoriais brasileiras, abreviando o encerramento da temporada migratória. Sem a necessidade de resguardar o desenvolvimento muscular e a camada protetora de gordura das crias para suportar o frio extremo do Oceano Austral, os animais adultos que concluíram o acasalamento anteciparam o retorno às zonas polares.
O cálculo populacional definitivo do ano segue em processamento por meio de sobrevoo de monitoramento entre os litorais de São Paulo e do Rio Grande do Norte, complementando as contagens sistemáticas realizadas na rota marítima de transporte de celulose entre Bahia e Espírito Santo e cruzeiros científicos em Abrolhos. As projeções preliminares indicam números consolidados ligeiramente inferiores aos 34,5 mil espécimes contabilizados em 2022.
Aportes corporativos e logística portuária
Para assegurar as ações de preservação e pesquisa de campo, a Petrobras mantém aporte contínuo de R$ 30 milhões no ciclo quadrienal vigente do Instituto Baleia Jubarte, integrado a uma carteira corporativa anual de R$ 450 milhões voltada a programas socioambientais. A cooperação técnica possibilitou a revisão de diretrizes operacionais em infraestruturas industriais estratégicas no litoral paulista.
Com base nos registros das cartas de navegação e fotoidentificação de animais, a rota logística de navios com destino ao Terminal Aquaviário de São Sebastião (SP), a maior base aquaviária de óleo e gás do país, teve suas coordenadas alteradas para desviar do corredor de migração. O instituto utiliza agora plataformas de inteligência artificial e imagens aéreas por drone para rastrear a integridade corporal e mitigar interferências da navegação marítima e atividades sísmicas na costa.
*Com informações da Agência Brasil
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