Na costa ártica da Noruega, em um dos melhores locais do planeta para avistar baleias durante todo o ano, ganha forma o que promete ser um dos maiores museus do mundo dedicados a elas: o The Whale.
Por meio da ciência, arte, som e arquitetura, o espaço pretende oferecer ao público uma nova forma de explorar os oceanos e conhecer mais de perto a vida desses gigantes marinhos. “As baleias vivem em um mundo que é, em grande parte, inacessível para nós, e queremos que os visitantes não apenas aprendam sobre elas intelectualmente, mas também vivenciem algo de seu mundo e de sua relação com o oceano”, explica Hanne Strager, Head de experiência e conteúdo do The Whale, em entrevista à ForbesLife.
Quando abrir, com data prevista para 4 de junho de 2027, combinará exposições imersivas, ambientes multisensoriais, galerias e terraço panorâmico acessível para observação de baleias. Tudo isso em Andenes, na ilha de Andøya, a mais de 300 quilômetros ao norte do Círculo Polar Ártico.
A ilha de Andøya, na Noruega
Viajar pelo norte da Noruega evoca imagens de uma natureza exuberante, paisagens remotas e vida selvagem inesquecível. É ao norte do arquipélago de Lofoten, no entanto, onde as baleias se tornam protagonistas da paisagem ártica.
O ambiente se torna tão favorável à sua presença devido a uma série de fatores ambientais, incluindo a circulação de correntes e subida de águas ricas em nutrientes, capazes de alimentar uma cadeia alimentar abundante.

Essa combinação única tornou Andenes o ponto de partida natural para o The Whale. Camilla Ilmoni, head de vendas, marketing e PR foi quem deu o pontapé inicial na ideia em 2014. Na época, ela era diretora administrativa da Visit Andøy, organização local de gestão de destinos.
Foi um ano depois que líderes locais e especialistas do setor reuniram-se para desenvolver a ideia, ao lado de empresas locais de turismo, moradores, instituições culturais e escolas. “Este não é um projeto que foi desenvolvido primeiro e depois levado à comunidade, ele cresceu junto a ela”, conta Camila.
Muito mais do que um museu
A proposta do The Whale é ser mais do que um museu, ao menos na forma tradicional do conceito. Ele quer desenvolver turismo de uma maneira que beneficie a comunidade local, incentive os visitantes a permanecerem mais tempo e construa conscientização de forma orgânica na região.

“Em vez de simplesmente dizer às pessoas que elas devem se preocupar com o oceano, queremos criar experiências que lhes proporcionem uma conexão emocional e intelectual mais profunda com ele. Queremos desempenhar um papel ativo na geração, no compartilhamento e na discussão de novos conhecimentos sobre as baleias e o oceano”, conta Børre Berglund, CEO.
Essa meta se torna possível através de parcerias estreitas com pesquisadores, universidades, organizações de conservação, artistas e outras instituições ao redor do mundo. A exposição está sendo desenvolvida em conjunto com os designers de exposição internacionais Ralph Appelbaum Associates e Tamschick Media+Space, bem como a LEVA – Impossible Engineering, que se especializa em instalações cinéticas e interativas complexas, e o Blue Rhino Studio, nos EUA.
As exposições
O coração do museu será uma grande exposição permanente que explorará as baleias sob diferentes perspectivas: sua biologia e evolução, suas habilidades sensoriais e o oceano em constante mudança que habitam.
Também haverá espaço para exposições temporárias, o que permitirá responder a novas pesquisas, projetos artísticos e questões atuais envolvendo esse ecossistema.
Na área externa, os visitantes podem explorar a costa e caminhar ao longo do quebra-mar, com vistas panorâmicas do oceano, das montanhas e de auroras boreais.
Aprendizado e observação de baleias
A programação se estenderá muito além das paredes do prédio, podendo incluir festivais, simpósios, debates, palestras e conversas com pesquisadores, programas de residência artística, workshops e parcerias com a comunidade de observação de baleias em Andenes.
O museu colabora com empresas locais de observação de baleias, que levam os visitantes a uma área onde diferentes espécies são frequentemente vistas. Algumas das espécies mais observadas são cachalotes, orcas e baleias-piloto.
A expectativa também é estabelecer uma rede internacional que conecte o The Whale a museus, instituições de pesquisa, centros de baleias e organizações que trabalham com a conservação marinha ao redor do mundo.
Arquitetura e Desenvolvimento

O The Whale se junta a uma lista crescente de edifícios que estão se tornando destinos por si só.
O ponto de partida para o design é a própria paisagem. Dorte Mandrup, arquiteta dinamarquesa responsável pelo projeto, descreve o The Whale como algo que brota do terreno, “quase como se o solo tivesse sido erguido para criar um espaço abaixo dele”. A forma também remete a uma baleia emergindo do mar, sem ser uma imitação literal.
O edifício é coberto com pedras naturais da região, sem tratamento, o que reforça a conexão entre a estrutura e a paisagem ao redor. No interior, uma parede orgânica de exposição flui perfeitamente de um espaço para o outro e uma vasta cobertura sem colunas abrange todo o edifício.
O telhado parabólico e curvo, de aproximadamente 4.900 m², também se torna parte da paisagem pública, permitindo que os visitantes caminhem sobre o edifício e contemplem a vista do mar e das montanhas.

Por se tratar de uma área extrema, propensa ao vento e às tempestades que vêm do mar aberto, a construção do The Whale está sendo adaptada às condições locais, com critérios que consideram o clima, estações do ano, transporte e a disponibilidade de equipamentos.
O orçamento total do museu é de 638 milhões de NOK (cerca de R$ 355 milhões), tornando-o um dos investimentos culturais e turísticos mais significativos do norte da Noruega. O contrato de construção em si totaliza aproximadamente 462,5 milhões de NOK, enquanto o investimento restante está relacionado principalmente ao conteúdo e às experiências dentro do The Whale, à aquisição do local e aos custos associados ao desenvolvimento e gestão do projeto.
“Vemos isso como muito mais do que um investimento em um edifício. É um investimento de longo prazo em Andenes e Andøya como destino, em novos empregos durante todo o ano e na criação de valor local, e no estabelecimento de um centro de importância internacional para o conhecimento e experiências relacionadas às baleias e ao oceano”, explica Berglund.