Falar de whisky no Brasil, em 2025, já não é mais coisa de poucos. A bebida, de origem celta, que nunca foi exatamente uma tradição por aqui, vem ganhando cada vez mais espaço. Entre 2021 e 2023, por exemplo, o Brasil foi o terceiro país do mundo que mais avançou no consumo do destilado, com alta de 16%, segundo a Euromonitor International.
O movimento também se reflete na internet, nos bares e nas prateleiras. “Vejo um interesse crescente, especialmente por whiskies de nicho, como single malts e bourbons premium”, diz Maurício Porto, especialista da bebida e um dos principais nomes da cena nacional. Segundo ele, não é só o público que evoluiu: a própria indústria brasileira começa a ganhar contornos autorais, com rótulos ousados da Lamas e engarrafamentos da Lunatic Asylum, dedicada exclusivamente a whiskies feitos por aqui.
Com mais gente falando, provando e trocando referências, era natural que os bartenders brasileiros também tivessem seus rótulos preferidos, seja para brilhar no copo puro ou ganhar nova vida em coquetéis bem executados. Convidamos bartender e especialistas de diferentes partes do país para contar quais são os whiskies que não podem faltar no seu bar de casa.
Confira as melhores indicações de whiskies a seguir, e saúde!
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1 / 15Maurício Porto, especialista em whisky e sócio do Caledonia Bar
Bruichladdich Port Charlotte MRC:01 “Eu tenho uma conexão especial com esse whisky. Quando visitei a [destilaria] Bruichladdich, foi o primeiro whisky que nos serviram em uma degustação, direto do barril. Um barril de Mouton Rothschild, que estava com 7 anos, na época. Dois anos depois, lançaram este rótulo. É um single malt incrível, com meu perfil sensorial favorito: enfumaçado e também frutado, por conta do uso dos barris de vinho tinto. E com só 9 anos! Além de ser uma delícia, a Bruichladdich também é uma destilaria encantadora, que luta por mais transparência no mundo do whisky. Quase todos os rótulos tem um ‘traceback’ detalhado, com a composição e idade de cada ingrediente. O MRC não está à venda no Brasil, mas o Port Charlotte 10 sim, e é bem bom também”. Bowmore 22 Aston Martin “Esse aqui é um ‘megazord’ feito para me destruir. Sou apaixonado pela Bowmore, uma das únicas destilarias de Islay que traz esse perfil fumaça-vinho em sua linha perene. E também acho os Aston Martin os carros mais elegantes do mundo. Nem acreditei quando vi que eles se uniriam numa parceria. Ele passa por barris de bourbon e ex-vinho jerez espanhol, e é delicado e elegante. A Bowmore tem alguns whiskies mais jovens da Aston Martin – o 18 é bem interessante também. E recentemente fizeram um whisky com ilustrações do Frank Quitely que é uma delícia”. Hakushu 12 anos “Esse single malt japonês representa tudo que eu gosto em um whisky. Fumaça, frutado, e levemente herbal e cítrico. Ele tem um tema, mas, como todos os maltes japoneses, é extremamente equilibrado e elegante. Nenhuma nota se sobrepõe a outra. Tem corpo leve, mas o álcool é super bem integrado. Está à venda aqui no Brasil, apesar de que não é exatamente fácil de achar”. -
2 / 15Márcio Silva, do Exímia Bar
Booker's Small Batch “Tenho uma garrafa muito especial de Bourbon Booker's Small Batch. É de um lote que foi envelhecido por 6 anos, 8 meses e 7 dias e engarrafado a 64,05% de volume alcoólico. Coloco 25 ml em um copo com algumas gotas de água e fico apreciando por um bom tempo. Tem um equilíbrio incrível entre o amadeirado e picante. Amo os toques de cereja e baunilha que são sutis. A água realça os sabores, aumenta a doçura e equilibra mais ainda os sabores”. Talisker Dark Storm “Pura memória afetiva de uma temporada da minha vida que passei na Ilha de Skye na Escócia. É um Single Malt turfado, mas isso não é o protagonista. No sabor, ameixas, cerejas, alcaçuz, vinagre balsâmico e uma nota mentolada muito leve. É um whisky que tomo quando estou na natureza, deixo ele frio e adiciono 10% da dose com água”. -
3 / 15Rachel Louise, chef de bar do Tuju
Para coquetelaria: Woodford Reserve bourbon e High West Rye Whiskey Woodford é um bourbon perfeito e super redondo. Vai muito bem nas receitas clássicas de coquetéis com bourbon. Em receitas que pedem rye (com centeio) a minha opção costuma ser o High West Rye. Dentre os que chegam no Brasil, tem um teor alcoólico mais elevado e traz características do centeio e uma certa pungência a coquetéis como Manhattan e Vieux Carré. Para uma dose com gelo, em casa: Yamazaki 12 anos “Para mim, é um single malt 12 anos imbatível. Eu tenho um certo apego pela Suntory por conta do Bill Murray em ‘Lost in Translation’. Da casa, o meu favorito é o Yamazaki, para ocasiões triviais. Após um dia maluco de trabalho, com a cabeça acelerada, meia dose de Yamazaki 12, uma pedra de gelo e os Nocturnes de Chopin me transportam para outra frequência. Este uísque é muito leve na boca no início e persiste um sabor elegante à medida que você bebe.” Para tomar sem gelo: Macallan Rare Cask Este é para ocasiões especiais, para tomar em taça, sem gelo e acompanhado de um chocolate incrível. Macallan Rare para mim, é o tipo de uísque impecável, para beber em dias de glória. Ele merece atenção, deve ser degustado puro e aos poucos, como protagonista do momento. A garrafa é um investimento para acompanhar as grandes conquistas da vida. Sabor equilibrado, traz notas de frutas passas na boca. Não é só uma bebida, é o trabalho do homem somado a madeira que vem em cada gole”. -
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4 / 15Tai Barbin, do bar Liz Cocktail & Co.
Para o dia a dia: Glenlivet Founder’s Reserve “Esse é o whisky que costumo ter sempre por perto. Ele tem suavidade e notas cítricas bem equilibradas, o que o torna extremamente versátil — tanto para ser apreciado puro quanto como base para highballs bem construídos. Gosto de como ele entrega elegância com leveza, sem complicações, perfeito para momentos descontraídos ou para receber amigos com algo de qualidade”. Para ocasiões especiais: The Chita “Esse single grain japonês da Suntory é um dos meus favoritos quando quero algo contemplativo. Ele tem uma delicadeza aromática impressionante — com notas de mel, flor de camomila e um toque sutil de especiarias. É um whisky que traduz bem a filosofia japonesa de equilíbrio e sutileza, perfeito para ser servido puro, em copo baixo, com tempo para ser apreciado em cada detalhe." -
5 / 15Thiago Bañares, do Tan Tan, Kotori e The Liquor Store
“Primeiro o Green Label, porque eu gosto muito de single malt e para mim é o melhor blend que existe, o trabalho mais redondo de blend de whisky que eu conheço. O JW 18, por ser um whisky envelhecido. Gosto muito da textura dele, é super sedoso, o melhor resultado que eu consigo encontrar de um whisky 18 anos, fácil de beber e com notas presente. Lagavulin talvez seja o meu preferido de todos, eu gosto muito de whisky defumado. Ele é de uma ilha que chama Ysly, tem notas marinhas e combina muito com carnes e pratos um pouco mais densos. Se eu vejo uma garrafa de Lagavulin eu quero uma dose. E por fim o Mortlach, que é um whisky icônico e luxuoso”. -
6 / 15Marcelo Emídio, chefe de mixologia do Spicy Fish
"Quando escolho um whisky para apreciar com um bom charuto, priorizo experiências autênticas. Curiosamente, embora a tradição do whisky esteja fortemente ligada à Escócia, meus dois favoritos vêm de outros cantos do mundo: um americano e um japonês. O The Chita, do Japão, me agrada pela leveza e equilíbrio. É um whisky silencioso, preciso, com elegância discreta. Ideal para os momentos de contemplação. Já o Buffalo Trace, um bourbon americano clássico, traz uma presença mais robusta, com notas doces e especiadas que combinam bem com um charuto de intensidade média. É direto, honesto, e entrega exatamente o que se espera de um bom bourbon.” -
7 / 15Gabriel Santana, do Santana e Cordial Bar
“Depende muito do momento. Em dias mais frios e ocasiões especiais, aprecio mais um Glenmorangie, que é conhecido pelo sabor frutado e notas de mel e especiarias. Outro uísque que gosto muito, e é mais fácil de beber, é o Balvenie, com um toque mais abaunilhado”. -
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8 / 15Stephanie Marinkovic, bartender e dona do Fifty Fifty Bar
The Macallan “Na linha dos single malts, a joia dos whiskies é o Macallan. Gosto muito do Macallan 12 e 15, mas tenho um carinho especial pelo 18, pelas notas de ameixa, castanha, da sua conservação dele. A idade torna ele um whisky muito mais requintado e elaborado”. Maker’s Mark “Um bourbon mais adocicado, mais versátil, com notas de castanhas e damasco. Acho que ele combina muito bem para um Perfect Manhattan, quanto para um Boulevardier, um Old Fashion, e eu acho que em termos de custo e benefício, para um bourbon ele é muito gostoso e eu gosto muito. -
9 / 15Maurício Barbosa, chef de bar do Aiô e Mapu
Woodford Reserve “Mais adocicado, frutado, aromático no paladar, puxa para o caramelo e baunilha, gosto para fazer Whisky Sour e Old Fashioned” Lote nº 40 “Tem uma boa picância e não tem tanta intensidade de carvalho, gosto para tomar puro e, de vez em quando, preparar um Manhattan” Glen Moray 12 anos “Para beber puro, o Glen Moray 12 anos é bem equilibrado, com toques amadeirados, de defumação e com o sabor do malte bem presente. O Jameson também é bom para tomar puro e tem um ótimo custo benefício”. -
10 / 15Isadora Fornari, consultora e especialista em destilados brasileiros
Redemption Whiskey Bourbon “O que me conquista nesse bourbon é justamente a ousadia do mash bill: mesmo seguindo a tradição americana, que exige maior proporção de milho, ele traz um destaque ao centeio, conferindo-lhe uma personalidade com toque fresco e picante. Essa escolha foge um pouco do convencional sem perder a essência clássica, criando um perfil único onde a especiaria e a complexidade mais herbácea se harmonizam. É um whisky que respeita as regras, mas não tem medo de inovar – e é nesse equilíbrio que ele brilha”. Lamas Single Malt Amburana “Aqui, a genialidade está na fusão entre o savoir-faire americano e a alma brasileira. O envelhecimento em amburana, madeira nossa tão característica, imprime ao whisky notas quentes de baunilha, canela e até um toque tropical de frutas que remete à nossa biodiversidade. É como se a tradição do bourbon ganhasse um abraço elegante e colorido, provando que o Brasil não apenas domina técnicas internacionais, mas as reinventa com identidade própria”. -
11 / 15Gabriel Bressane, head mixologist do Rosewood São Paulo
Woodford Reserve “Meu bourbon favorito do dia a dia, é um whisky muito versátil na coquetelaria. No aroma, possui notas ricas de baunilha, caramelo, mel e especiarias. No paladar, é encorpado e com doçura equilibrada de caramelo e toffee”> High West Bourbon “Para ocasiões especiais, gosto muito do High West Bourbon, que chegou recentemente ao Brasil. Ele é um blend de bourbons envelhecidos de 2 a 15 anos. Traz notas marcantes de caramelo, baunilha, noz pecã e especiarias, com final persistente e elegante. É uma ótima escolha para quem gosta de bourbon com mais personalidade”. Sherry Oak da The Macallan “Dos whiskies single malt, prefiro apreciá-los puro do que no coquetel. Os meus favoritos são da linha Sherry Oak da The Macallan. São whiskies intensos, com uma pegada de frutas secas, baunilha e especiarias. É um single malt envelhecido em barris de carvalho europeu, antes utilizados para armazenar Jerez Oloroso, que entrega muito sabor, com um perfil mais aveludado e elegante. Ideal para quem curte tomar com calma, puro, apreciando cada gole”. -
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12 / 15Sylas Rocha, bartender e sócio do bar The Door
Balvenie 12 “Este Single Malt é muito fácil de beber, finalizado em barris de carvalho americano e barris de Jerez. Apresenta um equilíbrio perfeito, com notas aromáticas de mel, baunilha e canela”. Carpathian, Ruby Port “Este é o primeiro Single Malt da Romênia, que está chegando ao Brasil em junho de 2025. Inicialmente maturado em barris de bourbon, é então transferido para barris de Porto Ruby, feitos de carvalho europeu Com 46% de ABV, faz parte da Coleção de Cascos de vinhos”. -
13 / 15Fabio La Pietra, do Caffè Anar.Cord e grupo Bottega Bernacca
“Gosto bastante de single malt Hakushu 12 anos da Suntory, whisky kaponês, que tem uma untuosidade muito interessante. Na destilação, há um corte em temperatura mais baixa entre cabeça e cauda, resultando em um produto mais suave, untuoso, quase oleoso, mudando a textura e a persistência da bebida no paladar. Como blended, gosto do Johnnie Walker Black Label pela versatilidade e qualidade, sendo possível utilizá-lo tanto para fazer coquetéis quanto para beber puro”. -
14 / 15Alex Mesquita, mixologista do Elena Horto
"O meu uísque preferido é o Chivas 18 anos. A base do Chivas Regal 18 anos é o single malt Strathisla, que dá um perfume floral e frutado. Dá um sabor único na boca, realmente esse uísque é diferenciado. Outro uísque muito bom e que também sou fã é o Whisky Macallan Rare Cask, considerado o verdadeiro ‘Rolls-Royce’ dos whiskies. Essa jóia rara combina envelhecimento em barricas de carvalho americano e espanhol (ex-jerez), dando um equilíbrio perfeito e a sutileza de sabor que um grande uísque precisa". -
15 / 15Fabio Ota, fundador da importadora Mega Sake
“Já faz alguns anos que eu tenho uma pequena coleção de whiskies japoneses, cerca de 100 garrafas. Gosto de Yamazaki 12 para o dia a dia, Yamazaki 18 para ocasiões especiais e dias difíceis (whisky é, para mim, a bebida perfeita para relaxar depois de um dia difícil). Gostamos muito também do Hibiki 21, Nikka Coffey Grain e Nikka Coffey Malt”.