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Fafá de Belém: 50 Anos de Carreira e Voz Ativa Pela Amazônia

Entre palco e ativismo, artista celebra meio século de estrada com turnê, documentário, musical e participação na COP30 em Belém

5 min

Quando Fafá de Belém sobe ao palco, não é apenas uma cantora que se apresenta. É uma história de cinco décadas sendo contada entre notas, memórias e raízes. Em 2025, ela marca esse meio século com o espetáculo Filha do Brasil, que dialoga diretamente com um período recente de reinvenção: as lives da pandemia. Foram 32 transmissões, improvisadas entre risadas, histórias e descobertas, que abriram caminho para o formato atual. “As pessoas pediam canções de novela e eu não lembrava nem de metade delas. Fui revisitar mais de 60 trilhas e encontrei músicas que estavam esquecidas até para mim”, conta, rindo.

Esse mergulho virou espetáculo, mas não para por aí. Sua trajetória será contada em várias frentes: um documentário para o Canal Brasil, a cinebiografia Fafá, a Garota do Norte, dirigida por Maíra Carvalho, que terá Dira Paes e Isadora Cruz no elenco, e Fafá de Belém, o Musical, com estreia prevista para novembro no Theatro da Paz, em Belém. A produção promete cenografia poética, figurinos regionais e uma imersão que remete à floresta e à estética cabocla. “É muito forte ver minha vida se transformar em tantas linguagens diferentes. É como se cada uma fosse um espelho de fases minhas”, reflete.

Images Press/Getty ImagesFafá com Harvey Keitel e Robert De Niro

Mas celebrar 50 anos de carreira, para Fafá, não é apenas olhar para trás. É também se posicionar no presente — e no futuro. Na matéria “Como Fafá de Belém move a Amazônia rumo à COP30”, publicada pela Forbes, ela lembrou da criação do Fórum Varanda da Amazônia, há três anos, para garantir que vozes amazônicas — ribeirinhos, quilombolas, coletivos femininos — tenham assento nas decisões que afetam a floresta. “A Amazônia não é cenário, é gente. Não é só árvore, é quem mora ali, quem sente, quem vive. Eu quero que essas vozes estejam na mesa, porque elas são protagonistas.”

4Imagens/Getty ImagesFafá de Belém em 1988

Se a música é a linguagem universal de Fafá, os cheiros e sabores da Amazônia são sua assinatura pessoal. “O cheiro da mangueira quando vai chover, o bacuri que é príncipe, o cupuaçu que é rei, o tucupi fervendo, o jambu que arrepia a boca, a maniçoba cozinhando sete dias para perder o veneno… tudo isso faz parte da minha vida”, diz, num inventário afetivo de Belém. Para ela, memória e identidade não se fazem apenas em melodias, mas também em aromas, panelas e festas populares. “Belém é feita de cheiros e sabores sutis, muito parecidos, mas muito diferentes. Quem foi criado ali entende. É o banho de cheiro no São João, é a maniçoba no Círio. Isso é quem eu sou.”

J Brarymi/Getty ImagesFafá cantou na festividade de Círio de Nazaré, em 2012

Essa força de pertencimento também se manifesta na Varanda de Nazaré, projeto criado por ela durante o Círio de Nazaré, que acontece em outubro, em Belém. Mais do que ponto de encontro festivo, é espaço para fé, cultura e debates urgentes. “A Varanda é para que sejamos ouvidos”, resume. Em 2025, a abertura homenageia o filósofo Benedito Nunes e discute os “verdes” — o da floresta e o de dentro de nós. Suas netas também participam, opinando sobre cores, rios voadores e o futuro da Amazônia. “É bonito ver como elas já estão envolvidas, porque isso mostra que o elo entre gerações não se rompe.”

Wagner Meier/Getty ImagesA artista se apresentou no Rock in Rio 2019

Fafá carrega consigo o legado da família e da educação recebida do pai, que sempre incentivou sua curiosidade e autenticidade, e da mãe, mais rígida, mas também presente. “Meu pai era pura gargalhada, generoso, firme nos limites. Nossa casa parecia um bar do parque, com desembargadores, juízes, senhoras de cabelo roxo e os primeiros homossexuais de Belém. Todos eram bem-vindos. Acho que vem daí o que eu sou”, recorda.

A disciplina, a intuição e o cuidado com quem trabalha ao lado dela também são marcas de Fafá. “Delegar é difícil, mas aprendi a confiar. Mariana, minha filha, me ajuda a equilibrar isso. É um aprendizado diário”, diz. A intuição guiou decisões profissionais, como gravar a música Vermelho, que se tornou um dos maiores sucessos de sua carreira.

E luxo? Para Fafá, é simples e profundo: atravessar a Amazônia com a família, estar à vontade, em paz, desarmada, rodeada de cheiros, sabores e pessoas. “Esse é o verdadeiro luxo: estar conectada, sem máscara, em harmonia com a natureza e quem amamos”, reflete.

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