Nos últimos 10 anos, alguns países da Europa ganharam destaque por oferecer imóveis a preços muito baixos. Com um valor simbólico, é possível adquirir propriedades que precisam de reformas em diferentes locais, com a Itália liderando essa iniciativa de marketing para repovoar cidades em declínio. Além da Itália, Irlanda, Croácia, Suécia e França também lançaram propostas semelhantes.
A seguir, alguns dos principais exemplos atuais:
Itália
Desde 2008, a Itália é o centro dos programas de casas por 1 euro (R$ 6,30), com mais de uma dezena de localidades onde é possível comprar uma propriedade nesse valor. Em 2017, Mussomeli, na Sicília, lançou seu programa e, até 2020, havia vendido cerca de 300 imóveis — aproximadamente 95% do que estava disponível. O programa continua ativo, com vários sites divulgando as ofertas. Sambuca di Sicilia ficou conhecida internacionalmente quando passou a leiloar imóveis a partir de 1 euro. Os preços de início subiram, chegando a 2 e 3 euros (R$ 12,50 e R$ 18,80), mas o programa continua em vigor.
Outras cidades da Sicília também participam, como Campofranco, Acquaviva Platani, Cammarata e Troina. Na região de Abruzzo, Penne e Pratola Peligna oferecem programas semelhantes. Em Penne, não é exigido pagamento inicial para as casas de 1 euro, mas é necessário começar a reforma em até três anos após a compra. Na Toscana, vilarejos como Montieri e Fabbriche di Vergemoli também aderiram, buscando revitalização cultural e arquitetônica. Outras localidades incluem Triora, nos Alpes Lígures (norte da Itália), Chiaromonte, em Basilicata, Biccari, na Puglia (sul), e Ollolai, na Sardenha.
Irlanda
O programa “Our Living Islands”, lançado em 2023, oferece 84.000 euros (R$ 525.000) a quem se mudar para uma das 30 ilhas remotas e despovoadas. O beneficiário deve restaurar o imóvel e morar nele em tempo integral ou alugá-lo para contratos de longo prazo.
Croácia
Na cidade de Legrad, na fronteira com a Hungria, é possível comprar uma casa abandonada por 1 kuna (cerca de R$ 0,85). São exigidos comprovação de estabilidade financeira, permanência mínima de 15 anos como proprietário e idade máxima de 45 anos. O governo local oferece subsídio de 20% (até 5.000 euros – R$ 31.300) para reformas, com prioridade para casais com filhos.
Suécia
Em Götene, a quatro horas de Estocolmo, foi possível comprar terrenos por menos de 1 coroa sueca (cerca de R$ 0,55) por metro quadrado. A construção de uma casa deveria começar em até dois anos após a compra.
A medida buscava atrair novos moradores e combater o envelhecimento populacional. O programa atraiu milhares de interessados de diferentes países, levando as autoridades locais a suspender temporariamente as vendas e considerar um sistema de licitação para os lotes restantes.
França
Em Saint-Amand-Montrond, no Vale do Loire, a cerca de três horas ao sul de Paris, casas por 1 euro são oferecidas com a condição de que o comprador more nelas em tempo integral e conclua as reformas em até dois anos. Há subsídios para os custos de renovação e é possível receber apoio da Agência Nacional de Habitação da França.
Mas vale a pena comprar uma casa de 1 euro na Europa?
Apesar dos preços atrativos, os custos não se limitam ao valor simbólico da compra. Em muitos casos, o 1 euro é apenas o lance inicial em um leilão. Taxas legais, impostos, registros e honorários podem somar milhares de euros. Mesmo assim, ainda é possível conseguir um bom negócio. Com 40.000 euros (R$ 250.000), por exemplo, pode-se adquirir e reformar uma casa na Toscana, um chalé na Irlanda ou uma vila na Croácia.
A maior parte desses imóveis está em mau estado e exige reformas caras, que podem chegar a dezenas ou centenas de milhares de euros. Em casos extremos, houve quem tenha gasto 450.000 euros (R$ 2,8 milhões) em obras ao longo de quatro anos e meio. Outro fator é a burocracia, que varia em cada país. Barreiras de idioma e diferenças nos processos de compra podem dificultar o negócio, levando alguns compradores a desistirem. Em contrapartida, há relatos de sucesso, com propriedades transformadas em casas de férias ou moradias permanentes por valores relativamente baixos, em torno de 12.000 euros (R$ 75.000).
É importante destacar que esses programas não incluem visto de residência. Para permanecer legalmente no país, é necessário solicitar residência, processo que pode custar alguns milhares de euros e exige comprovação de renda ou poupança. O objetivo dos programas é revitalizar economias locais em declínio. Isso significa que muitas dessas cidades são remotas, com infraestrutura limitada e população envelhecida. Para quem busca um estilo de vida mais tranquilo, esses imóveis podem representar uma oportunidade.