A edição do verão 2026 da Semana de Moda de Paris foi histórica. Entre tantas estreias, uma das mais aguardadas era a de Mathieu Blazy para a Chanel, o último show da temporada, como costumam acontecer os desfiles da casa francesa.
Sem deixar os códigos da marca de lado, Blazy, que é franco-belga e tem 41 anos, conseguiu atualizar a silhueta e trazer novidade para o estilo consagrado da maison, cuja trajetória começa em 1910. “Queria fazer algo bastante universal, como um sonho, algo fora do tempo, e fiquei fascinado pelo universo das estrelas, um tema tão querido pela maison. Todos nós observamos o mesmo céu, e acho que ele provoca as mesmas emoções em nós”, declarou o diretor criativo.
O cenário no Grand Palais, escuro, reproduzia o espaço, com grandes planetas coloridos no cenário – não podemos esquecer que Chanel adorava as estrelas, com as quais criou bijoux icônicas. Confira a seguir a visão de Blazy para a marca em seis tópicos.
Masculino-feminino
Entre tantos caminhos, por qual seguir? Blazy relatou que, ao visitar o arquivo da marca, intuitivamente quis focar no hábito de Coco Chanel de emprestar roupas de Boy Capel, seu famoso amante. O primeiro look é uma citação a isso: o paletó cropped, a calça com cós que traz a roupa de baixo masculina como detalhe para o guarda-roupa feminino, e que se repete em diversos looks, inclusive nas saias.
Leve, leve
O novo diretor criativo da Chanel ficou conhecido pelas experimentações com tecidos e materiais. Essa habilidade aparece na coleção de estreia, em que ele retrabalha os materiais com o objetivo de deixar tudo mais leve e fluido, caso dos tweeds, que recebem viscose e perdem o forro tradicional para ganhar movimento com o andar. A barra desfeita, ou melhor, desfiada, em franjas, é um outro aceno à ideia de liberdade – e um recurso que a própria Gabrielle Chanel já usou em vestidos de noite. O tweed estampado em gaze de seda, ou tramado a ponto de revelar a pele, são outros exemplos da reinterpretação do material.
Os acessórios
A bolsa 2.55 tem efeito boom! Recebeu uma estrutura metálica que deixa as abas tortas e podem ser manipuladas para mudar de forma. Um modelo maxi, de couro box, vai sem corrente de metal. Os escarpins bicolores também estão de cara nova: abraçam o pé em versão mais informal. As camélias são como uma pintura impressionista: aparecem “sugeridas” no bordado de um look de tricô, ou como broche maxi, sem a forma mais literal que a gente conhecia até então.
As bijoux
No lugar das pérolas e multi-correntes vêm os colares poderosos. Tem o que imita os planetas do cenário, o fio longo com esmaltados e o de contas com pegada art-déco. Enfeitam com atitude e trazem peso ao visual.
A camisa
Será que Blazy vai começar emplacando novos clássicos? A camisa masculina é uma declaração de moda: feita à perfeição pela camisaria tradicional Charvet, fundada em 1838, preserva as características masculinas. Foi usada por Nicole Kidman na plateia, anunciada um dia antes como nova embaixadora da marca ao lado da atriz Ayo Edebiri, de The Bear.
O que mais você precisa saber
Os famosos jérseis, bem molengas, ganham protagonismo. As saias envelope, bem fluidas, aparecem em diversos looks, inclusive nos tailleurs. As plumas dão volume à saia festiva (para usar com camisetas de seda), e o desfiado feito de pedaços de tecido imita as plumas em saias e blusas. O logo continua poderoso, mas o nome Chanel, em letra cursiva ou bastão, ganha mais espaço na nova gestão – é um charme o que vai bordado na camisa de algodão. Uma estreia e tanto. Ou, em resumo: amei o desfile!
Com Antonia Petta e Milene Chaves
Donata Meirelles é consultora de estilo e atua há 30 anos no mundo da moda e do lifestyle.
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