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Startup Quer Ser uma Opção entre um Jato Privado e uma Classe Executiva

A Magnifica Air planeja se juntar à JSX, Aero, Slate e outras empresas já atuantes nesse nicho. Seu primeiro voo comercial está previsto para o terceiro trimestre de 2027

4 min

Cansado de aeroportos lotados e aviões com passageiros espremidos como sardinhas? A Magnifica Air é a mais nova empresa a entrar no segmento de companhias aéreas semiprivadas. Assim como outras do setor, ela busca ocupar o espaço entre as passagens de primeira classe das companhias comerciais e os voos fretados em jatos particulares.

A Magnifica Air planeja se juntar à JSX, Aero, Slate e outras empresas já atuantes nesse nicho. Seu primeiro voo comercial está previsto para o terceiro trimestre de 2027.

A companhia promete oferecer a versão mais luxuosa já vista nesse modelo, testando um mercado ainda em fase de consolidação. A startup, sediada em Orlando, na Flórida, espera crescer até chegar a 50 aeronaves.

As rotas iniciais ligarão Miami, Nova York, Los Angeles, região da Baía de São Francisco, Dallas e Houston, com voos sazonais para destinos de resort e viagens especiais para grandes eventos, como o Super Bowl e a Art Basel Miami.

A frota usará jatos Airbus A220-300 e A321neo, ambos com dois motores. Os aviões terão configuração de luxo com apenas 45 a 54 assentos, incluindo duas a quatro suítes privativas.

Para comparação, a Air France acomoda 148 passageiros no A220-300, enquanto a Delta coloca 130 no mesmo modelo e 194 no A321neo.

A Magnifica Air operará sob as regras do regulamento Part 121, oferecendo voos regulares com assentos vendidos individualmente, como uma companhia aérea tradicional — mas com experiência de jato privado.

Assim como suas concorrentes, a Magnifica Air operará a partir de terminais privados, permitindo que os passageiros evitem os terminais congestionados. Essa vantagem pode reduzir até uma hora do tempo total de viagem em cada ponta.

Os assentos lembram os usados em tours de jato particular ao redor do mundo, com configuração 2×2 e amplo espaço para as pernas.

Essa escolha indica um plano mais ambicioso: quando não estiver operando seus voos regulares, a empresa pretende atender times esportivos, corporações e viagens de luxo organizadas por marcas como Four Seasons, A&K e Disney.

Seu lançamento, realizado durante a Convenção Anual da National Business Aviation Association, em Las Vegas, mostra o interesse no mercado de voos fretados corporativos.

Oferecer ao público uma alternativa mais confortável, com compra de assento individual, raramente deu certo no passado.

Tentativas como Air 1, MGM Grand Air, Legend Airlines, EOS, MaxJet, Silver Jet, OpenSkies, Surf Air, Rise e até a rota só de classe executiva da British Airways entre Nova York e Londres acabaram fracassando.

Mas nem todas foram malsucedidas: a La Compagnie mantém voos transatlânticos só com classe executiva; a JSX consolidou uma rede nacional e a Aero, após reestruturação, voltou a crescer em Los Angeles.

Há ainda serviços semelhantes ligando a Costa Oeste dos EUA ao Havaí, voltados a moradores de comunidades privadas.

Com o crescimento do número de ultra-ricos e da viagem de luxo, impulsionado por uma demanda constante e preços altos — em que um quarto de hotel cinco estrelas nas grandes cidades já parte de US$ 1.000 por noite —, há espaço para a Magnifica Air.

O comunicado da empresa promete transformar o voo em “um convite para um mundo cultural, emocional e curado”.

Na prática, o sucesso da companhia dependerá de rotas bem escolhidas, pontualidade, serviço de alto nível e preços competitivos.

O cofundador e CEO Wade Black afirma que, diferente das concorrentes, a Magnifica Air vai atrair executivos com voos de ida e volta no mesmo dia.

A empresa já anunciou um programa de associação a partir de US$ 14.950 para famílias e US$ 29.950 para empresas, com preços garantidos e assentos reservados.

Segundo Black, um voo entre Nova York e Miami custará cerca de US$ 2.500 por trecho — valor intermediário entre os US$ 400 a US$ 800 das companhias comerciais, os US$ 500 a US$ 1.200 da JSX, os US$ 2.000 da Slate, e os cerca de US$ 15.000 de um jato particular leve de seis lugares.

Dados do Private Jet Card Comparisons indicam que 32,9% dos usuários de jatos privados demonstram interesse em opções “por assento”, enquanto 90% alternam entre companhias comerciais e jatos particulares conforme o tempo, conveniência de aeroportos e conexões.

A Magnifica Air também contará com aeronaves reserva para evitar atrasos mecânicos — um dos pontos fracos desse modelo.

Há um velho ditado na aviação: “Se você quer ganhar um milhão de dólares, comece com um bilhão.”
Segundo a Aviation Week, a Magnifica Air já levantou US$ 150 milhões para iniciar suas operações e pretende captar ainda mais recursos.

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