Quando saiu a notícia de que Toto Wolff, bilionário chefe de equipe da Mercedes na Fórmula 1, estava em negociações avançadas para vender uma participação minoritária ao bilionário cofundador da CrowdStrike, George Kurtz, foi o sinal mais claro de que o esporte encontrou uma nova marcha financeira.
O preço no acordo de Wolff — cerca de US$ 6 bilhões — representa um salto de 58% em relação à avaliação da Forbes de dois anos atrás e coloca a Mercedes entre as equipes mais valiosas do mundo em qualquer esporte. As flechas de prata agora superam oito franquias da NFL, 24 da NBA, 28 da MLB e todas as 32 da NHL — sem mencionar todos os times europeus de futebol, exceto Real Madrid e Manchester United.
E a Mercedes nem está na pole position da Fórmula 1. Esse posto é da Ferrari, a equipe mais histórica do esporte, que vale US$ 6,5 bilhões, dado seu lugar único na categoria, segundo estimativas da Forbes.
Em todo o grid, as dez equipes da F1 são avaliadas em US$ 1,5 bilhão ou mais — um patamar que apenas quatro times haviam alcançado há dois anos — e a avaliação média acelerou para US$ 3,6 bilhões, alta de 89% desde 2023.
Esse aumento reflete a velocidade do negócio da Fórmula 1, com a receita média estimada das dez equipes atingindo US$ 430 milhões no ano passado e mantendo um período de vários anos com taxas de crescimento anual composto de dois dígitos. A receita de US$ 799 milhões da Mercedes em 2024, a melhor da série, ocupa a décima posição entre as equipes esportivas do mundo durante a temporada equivalente.
Mas as avaliações em aceleração têm mais a ver com a mudança de lucratividade desde a implementação, em 2021, do teto de gastos. O sistema, que limita os gastos das equipes em muitas áreas relacionadas ao projeto e à construção de seus carros de corrida para cerca de US$ 170 milhões nesta temporada, foi criado para nivelar o campo de jogo após uma corrida armamentista que levou os orçamentos anuais dos times de ponta a ultrapassarem US$ 400 milhões.
Com os grandes gastadores salvos de seus piores impulsos, seis equipes foram lucrativas no ano passado, segundo estimativas da Forbes, e aquelas que ainda perdem dinheiro estão todas “a um, dois ou três patrocínios de distância — ninguém está tão longe da lucratividade”, diz um insider da Fórmula 1. A McLaren, que teve um prejuízo de US$ 137 milhões em 2018, registrou lucro operacional de US$ 61 milhões em 2024. A Mercedes ficou em US$ 202 milhões, tornando-se uma das equipes esportivas mais lucrativas do mundo.
Como resultado, investidores estão correndo para entrar em um esporte no qual a solvência financeira não era necessariamente garantida há apenas cinco anos. A fabricante de bebidas energéticas Red Bull, que controla duas equipes de Fórmula 1 — Red Bull Racing e Racing Bulls —, teria recebido — e recusado — uma oferta de US$ 2,3 bilhões por sua equipe júnior. Enquanto isso, a venda iminente da participação na Mercedes foi precificada em aproximadamente 7,1 vezes a receita da temporada anterior, e outras três transações recentes na Fórmula 1 carregaram múltiplos igualmente robustos.
Em setembro, os proprietários da McLaren Racing — grupo que inclui a equipe de F1 da McLaren, além de entradas em outras categorias, como a IndyCar — compraram seus acionistas minoritários a uma avaliação de cerca de US$ 4,5 bilhões, ou 6,4 vezes a receita de 2024 do grupo. (A Forbes estima que a equipe de F1 sozinha responda por US$ 4,4 bilhões desse valor.)
Essa aquisição seguiu dois negócios envolvendo a Aston Martin: uma venda de participação minoritária no ano passado, a um valor de empresa reportado de cerca de US$ 2,3 bilhões — 7,4 vezes a receita da temporada anterior — e um acordo em julho por cerca de US$ 3,2 bilhões, 8,6 vezes a receita da temporada anterior.
Compare esses números com a venda em 2023 de outra participação minoritária na Aston Martin por cerca de US$ 1,2 bilhão — 5,3 vezes a receita da temporada anterior — ou um negócio de aproximadamente US$ 900 milhões por uma participação minoritária na Alpine no mesmo ano, a um múltiplo de 2,8x. As avaliações mais recentes da Forbes para as dez equipes de Fórmula 1 estão em cerca de 8 vezes a receita média do ano anterior — acima de 2,3x em 2019 e 4,9x em 2023.
“É um aumento enorme nas avaliações, mas é o que está acontecendo”, diz um investidor da F1. “Em algum momento, você precisa apenas aceitar a realidade.”
Ainda assim, esse nível de múltiplo continua abaixo das médias na NFL (10,7x) e na NBA (12,9x), e há razões para permanecer cético. Por um lado, os donos das equipes de Fórmula 1, em última instância, não controlam a série ou sua propriedade intelectual — a Liberty Media Corporation é dona da F1 desde 2017. A maioria no esporte também reconhece que, embora a série esteja pronta para continuar crescendo, não será tão rápido quanto nos últimos anos, levando alguns investidores a se perguntarem se as equipes estão superavaliadas agora.
Certamente, as equipes da metade inferior da tabela financeira ainda não justificam suas avaliações elevadas com suas operações comerciais e podem estar a anos de alcançar o azul, especialmente com o teto de gastos definido para subir para US$ 215 milhões na próxima temporada.
Há ainda a questão do “estoque” (inventário). O calendário da Fórmula 1 conta com 24 Grandes Prêmios — bem menos eventos a oferecer a emissoras do que os 272 jogos da temporada regular da NFL ou os 1.230 da NBA, e menos oportunidades de vender ingressos premium — e não há tanto espaço assim na carroceria para cobrir com logos de patrocinadores. De fato, sob os regulamentos técnicos do próximo ano, os carros de F1 ficarão menores.
Para completar, mesmo com a Apple TV se tornando a casa, nos Estados Unidos, de todas as corridas de Fórmula 1 em um acordo de cinco anos avaliado em cerca de US$ 140 milhões anuais — substituindo o acordo da ESPN de cerca de US$ 85 milhões por ano —, a série ainda não “quebrou” o mercado de mídia mais lucrativo do mundo. Em média, 1,4 milhão de espectadores americanos sintonizaram as corridas deste ano até setembro — cerca de metade da audiência média da Nascar.
Mas insiders da Fórmula 1 acreditam que o piso das avaliações está elevado, dado que a Cadillac está pagando mais de US$ 1 bilhão (entre custos de entrada e uma taxa antidiluição de US$ 450 milhões) para ingressar na série como a 11ª equipe na próxima temporada, e alguns estão cautelosamente otimistas de que uma equipe com branding americano possa ajudar a cultivar a base de fãs nos EUA, que já cresceu com a ajuda da docussérie da Netflix Drive to Survive e do blockbuster F1 de 2025, estrelado por Brad Pitt.
Há também outros países ao redor do mundo que podem oferecer impulso de negócios, não só com acordos de direitos de mídia, mas também com disposição para pagar taxas de hospedagem mais altas por um lugar no calendário. (Por exemplo, Jeddah teria se comprometido com US$ 55 milhões por ano para sediar o Grande Prêmio da Arábia Saudita, valor que se acredita ser mais que o dobro do que algumas corridas europeias desembolsam.)
A maior vantagem da série, porém, pode ser sua escassez, com apenas 11 equipes no grid após a expansão com a Cadillac e uma longa fila de investidores ainda esperando para entrar. “Acho que é um erro tentar trazer análises financeiras muito complexas para isso”, diz um investidor da F1. “Quando a dinâmica de mercado é assim, vale tudo.”
E, claro, há os números de lucro na Mercedes, McLaren e outras equipes de topo. “Na F1, você costumava ter um ativo parecido com certos times de beisebol — eles perdiam uma grande quantidade de dinheiro todo ano”, diz outro insider da série. “Agora você tem um ativo que, se eu alinhar as equipes médias da MLB, NBA, NHL e NFL, a comparação mais próxima é a NFL. Ou seja, você tem um ativo [nas equipes de ponta da Fórmula 1] que é estruturalmente lucrativo. É incrível.”
As Equipes Mais Valiosas da Fórmula 1 em 2025
#1. US$ 6,5 bilhões – Ferrari
Receita: US$ 670 milhões | Lucro Operacional: US$ 80 milhões | Chefe de Equipe: Frédéric Vasseur

Nesta temporada, o piloto mais vitorioso da Fórmula 1 — Lewis Hamilton, com sete títulos de pilotos (recorde empatado) — se juntou à equipe mais tradicional do esporte, a Ferrari, que venceu um recorde de 16 campeonatos de construtores desde sua primeira participação na F1 em 1950. Mas a Cavallino Rampante não sobe ao topo do pódio desde 2008, e Hamilton teve uma estreia frustrante de vermelho após passar as últimas 12 temporadas na Mercedes. “A virada entre o sonho de pilotar por esta equipe incrível e o pesadelo dos resultados que tivemos, altos e baixos, é desafiadora”, disse Hamilton — atualmente sexto no campeonato de pilotos — à Sky Sports neste mês. Os fãs, no entanto, não desistem. O engajamento da Ferrari nas redes sociais é 31% maior do que o de qualquer outra equipe de Fórmula 1, segundo a empresa de análise de patrocínios Blinkfire, e o valor de mídia gerado para os patrocinadores foi 44% acima de qualquer outra equipe.
#2. US$ 6 bilhões – Mercedes
Receita: US$ 799 milhões | Lucro Operacional: US$ 202 milhões | Chefe de Equipe: Toto Wolff

A Mercedes seguiu em frente após a era lendária de Lewis Hamilton ao parear o prodígio italiano adolescente Kimi Antonelli com George Russell, e os resultados têm sido promissores: Russell é o quarto no campeonato de pilotos e Antonelli é o sétimo, logo atrás do próprio Hamilton. A dupla retorna na próxima temporada depois de as Flechas de Prata renovarem seus contratos em outubro. Enquanto a Mercedes, vice-líder no campeonato de construtores, busca voltar às vitórias que renderam oito títulos consecutivos entre 2014 e 2021, não lhe falta interesse de patrocinadores. Em janeiro, a Adidas assinou como parceira de vestuário da equipe em um acordo plurianual que, segundo relatos, vale cerca de US$ 30 milhões por ano.
#3. US$ 4,4 bilhões – McLaren
Receita: US$ 614 milhões | Lucro Operacional: US$ 61 milhões | Chefe de Equipe: Andrea Stella
Há cinco anos, a McLaren estava em situação crítica, evitando a insolvência ao contrair um empréstimo de aproximadamente US$ 185 milhões e depois vender uma participação minoritária. Agora, a equipe voltou a polir seu legado na Fórmula 1 como bicampeã de construtores, com Lando Norris em posição de pole para acrescentar um título de pilotos à medida que a temporada entra na reta final. Os negócios da equipe aceleraram de modo semelhante sob o comando comercialmente orientado do CEO da McLaren Racing, Zak Brown, que recebeu US$ 50 milhões em remuneração total na última temporada, enquanto a receita da equipe de F1 alcançou US$ 614 milhões, alta de 26% ano a ano. Outro salto vem em 2026, com a Mastercard tornando-se a patrocinadora master da equipe por, segundo relatos, US$ 100 milhões anuais — “a maior parceria que a McLaren já firmou”, disse Brown à Forbes.
#4. US$ 4,35 bilhões – Red Bull Racing
Receita: US$ 618 milhões | Lucro Operacional: US$ 26 milhões | Chefe de Equipe: Laurent Mekies
A Red Bull, campeã de construtores em 2022 e 2023, teve um ano mais turbulento. Adrian Newey, brilhante projetista de carros que estava na equipe desde 2006, foi atraído pela Aston Martin e, após apenas duas corridas, o piloto Liam Lawson foi rebaixado para a equipe-irmã da Red Bull, a Racing Bulls. Depois, Christian Horner, que servia como chefe de equipe desde 2005, foi demitido em julho, chegando por fim a um acordo de rescisão que, segundo relatos, vale US$ 105 milhões. Mas a Red Bull continua com Max Verstappen, vencedor dos últimos quatro títulos de pilotos, e esse fato por si só deve tornar a equipe bastante atraente para patrocinadores. Em setembro, anunciou um novo acordo com a Carlyle, cuja marca passará a figurar no carro, nos macacões dos pilotos, no muro dos boxes e na garagem da equipe.
#5. US$ 3,2 bilhões – Aston Martin
Receita: US$ 353 milhões | Prejuízo: US$ 18 milhões | Chefe de Equipe: Andy Cowell
A Aston Martin é uma decepcionante sétima colocada no campeonato de construtores nesta temporada, mas a equipe olha para o futuro com Adrian Newey instalado como sócio técnico executivo e com o contínuo investimento do presidente Lawrence Stroll, que construiu uma fortuna estimada em US$ 3,8 bilhões em parte ao comandar o IPO da Michael Kors em 2011 e agora possui uma fatia significativa da montadora de luxo Aston Martin. A equipe de Fórmula 1 homônima também é impulsionada por um crescimento rápido em parcerias, incluindo um novo acordo este ano com a marca de skincare Elemis, que ajuda a inaugurar uma nova categoria de patrocínio enquanto o esporte busca mais fãs mulheres.
#6. US$ 2,5 bilhões – Williams
Receita: US$ 245 milhões | Prejuízo: US$ 36 milhões | Chefe de Equipe: James Vowles
Quando James Vowles assumiu como chefe de equipe da Williams em 2023, suas instalações estavam “20 anos defasadas”, disse ele a repórteres. Mas a Dorilton, firma de investimentos privada sediada nos EUA que comprou a equipe em 2020, tem se disposto a injetar dinheiro na organização, ajudada pela bem-sucedida articulação de Vowles para permitir que as equipes menores da Fórmula 1 aumentem seus investimentos em capital além do teto de gastos. Agora, Vowles tem uma extensão de contrato de longo prazo para levar a visão adiante, enquanto a organização passa a se chamar Atlassian Williams F1 Team e substitui seu logotipo por uma releitura do “W Forward” introduzido no ano de sua fundação, 1977.
#7. US$ 2,45 bilhões – Alpine
Receita: US$ 300 milhões | Prejuízo: US$ 13 milhões | Chefe de Equipe: Flavio Briatore
A Alpine teve uma temporada desastrosa nas pistas e ocupa a última posição no campeonato de construtores, 40 pontos atrás da nona colocada, Sauber. Mas o piloto estrela Pierre Gasly reafirmou o compromisso com a equipe em setembro ao assinar uma extensão de contrato que vai até 2028, e a Alpine, pertencente ao grupo automotivo francês Renault, está priorizando o mercado dos EUA para seu crescimento comercial. Ela pode em breve fornecer um estudo de caso para os valores de equipes de F1: a firma de investimentos privado Otro Capital, que investiu na Alpine em 2023 a uma avaliação de cerca de US$ 900 milhões, estaria explorando uma saída.
#8. US$ 2,4 bilhões – Sauber
Receita: US$ 240 milhões | Prejuízo: US$ 25 milhões | Chefe de Equipe: Jonathan Wheatley

A equipe que compete oficialmente nesta temporada como Stake F1 Team Kick Sauber — e que foi conhecida como Alfa Romeo de 2018 a 2023 — se tornará Audi em 2026, depois de a montadora alemã adquirir a equipe suíça em uma série de negócios ao longo dos últimos três anos. A Audi também começará a fabricar motores para a equipe, que usou unidades de potência da Ferrari por 16 anos, e o rebranding contará com um novo patrocinador de naming rights, a fintech Revolut, além de outras novas parcerias, como um acordo de vestuário com a Adidas.
#9. US$ 2,3 bilhões – Racing Bulls
Receita: US$ 318 milhões | Lucro Operacional: US$ 5 milhões | Chefe de Equipe: Alan Permane
A segunda equipe de Fórmula 1 pertencente à gigante de energéticos Red Bull é — felizmente — agora conhecida como Racing Bulls, depois de competir em 2024 com o que o site de notícias de automobilismo The Race chamou de “o pior nome da história da F1”: Visa Cash App RB, ou VCARB. Mudanças mais substanciais virão em 2026, quando a equipe — e sua contraparte, a Red Bull Racing — substituirá seus motores Honda por unidades de potência criadas em parceria com a Ford, que retorna ao esporte pela primeira vez desde 2004. As duas equipes da Red Bull também devem revelar suas pinturas para a próxima temporada em um evento de lançamento em janeiro, em Detroit — mais um aceno à colaboração com a Ford.
#10. US$ 1,5 bilhão – Haas
Receita: US$ 150 milhões | Lucro Operacional: US$ 9 milhões | Chefe de Equipe: Ayao Komatsu
A Haas, de longe a menor equipe da Fórmula 1, periodicamente enfrenta especulações sobre se o proprietário Gene Haas está comprometido a permanecer no esporte, mas Ayao Komatsu, que está na organização desde sua estreia no grid em 2016 e foi promovido a chefe de equipe em janeiro de 2024, disse recentemente a repórteres que seu chefe anda irritado com as investidas não solicitadas de investidores. “Nos últimos 18 meses, ele recebeu inúmeras ofertas para comprar a equipe — ele não está interessado”, disse Komatsu. “Ele entrou numa época em que a F1 não era assim. Ficou conosco durante o período tão difícil da Covid. Agora ele está se divertindo.” Um motivo para celebrar: o novato Oliver Bearman terminou em quarto no GP do México, em outubro, igualando o melhor resultado da história de um piloto da Haas. Com um sexto lugar no GP seguinte, no Brasil, Bearman também se tornou o primeiro piloto da Haas a pontuar em quatro corridas consecutivas.
METODOLOGIA
As avaliações de 2025 da Fórmula 1 feitas pela Forbes foram compiladas a partir de informações obtidas em documentos públicos e privados — como avaliações calculadas para as equipes por bancos — e de entrevistas com executivos do setor, analistas, banqueiros e investidores. As estimativas de receita são das operações de Fórmula 1 em 2024 e excluem negócios acessórios, como venda de motores. As estimativas de lucro operacional são os ganhos de 2024 antes de juros e impostos. Os valores das equipes são valores de empresa (equity mais dívida líquida). A Cadillac, que deve começar a competir como a 11ª equipe da Fórmula 1 na próxima temporada, foi excluída das avaliações.
Todas as cifras de receita e lucro operacional de 2024 foram convertidas para dólares americanos com base nas taxas de câmbio de 31 de dezembro de 2024 (£1 = US$ 1,26; €1 = US$ 1,04).