1. Início
  2. /
  3. Forbes Life
  4. /
  5. Forbes Motors
  6. /
  7. Por Que Não Existem Carros Chineses nos Estados Unidos?
Forbes Motors

Por Que Não Existem Carros Chineses nos Estados Unidos?

Tarifas elevadas ainda no governo Biden fecharam o mercado americano para carros chineses, embora marcas ligadas à China mantenham presença limitada no país

5 min

Os Estados Unidos decidiram enfrentar o avanço dos carros elétricos chineses com uma estratégia direta: elevar as barreiras de importação a um nível que dificulta sua entrada no mercado. O movimento mais emblemático aconteceu ainda no governo Joe Biden, em 2024, quando a tarifa adicional aplicada a veículos elétricos produzidos na China subiu para 100%. A medida se insere em um pacote mais amplo que também atingiu semicondutores, baterias, painéis solares, aço e alumínio.

Com isso, gerou um efeito claro: os carros elétricos chineses praticamente não encontram espaço para competir em massa no varejo americano. Esse bloqueio, porém, não elimina toda a presença automotiva ligada à China nos Estados Unidos. O que ele faz é redesenhar a forma como essa presença acontece.

O muro tarifário erguido por Washington

A decisão americana foi apresentada como proteção à indústria doméstica diante do preço competitivo dos veículos produzidos na China. O raciocínio aparece com ainda mais força no caso dos elétricos, segmento em que a liderança industrial chinesa se tornou mais evidente nos últimos anos.

Além da tarifa de 100% sobre carros elétricos, os Estados Unidos mantêm outras camadas tributárias sobre automóveis importados da China. Para um carro de passeio não elétrico, a carga tende a ser menor do que no caso dos EVs, mas ainda relevante, em muitos casos ao redor de 37,5%, a depender da classificação exata do veículo.

O ponto central é que Washington optou por blindar seu mercado em um dos setores mais sensíveis da economia industrial.

Ainda assim, há marcas ligadas à China no mercado americano

Mesmo com o ambiente hostil para carros elétricos chineses de passeio, há presença oficial de marcas ligadas à China nos Estados Unidos. Um dos exemplos é a Polestar, fabricante sueca de veículos elétricos, mas controlada pelo grupo chinês Geely. A marca aparece com modelos como o Polestar 1 e o Polestar 2. A Volvo, que foi comprada pela Geely, também é outro caso e vende carros nos Estados Unidos.

A BYD encontrou outra porta de entrada

No caso da BYD, a presença nos Estados Unidos se concentra sobretudo em ônibus e veículos comerciais, não em carros de passeio vendidos em larga escala. A empresa mantém uma fábrica em Lancaster, na Califórnia, dedicada à produção de ônibus e veículos comerciais e com capacidade em torno de 1.500 ônibus elétricos.

Foi essa operação que recebeu a maior encomenda individual de ônibus elétricos a bateria da história dos Estados Unidos: 130 unidades do modelo K7M para o Departamento de Transportes de Los Angeles. Os veículos são fabricados na Califórnia e, segundo a empresa, superam as exigências do programa Buy America, com mais de 70% de conteúdo americano.

O caso mostra que, embora os Estados Unidos praticamente fechem a porta para carros elétricos chineses de passeio, há espaço para atuação industrial chinesa em outros segmentos, especialmente no transporte público.

O peso político vai além do comércio

A relação entre BYD e Estados Unidos também ganhou um componente mais sensível recentememte quando a empresa apareceu em uma lista atualizada pelo Pentágono de companhias chinesas que, na avaliação do Departamento de Defesa, auxiliariam as forças armadas de Pequim. A inclusão não impõe sanções automáticas, mas tende a influenciar futuras compras do governo e a sinalizar cautela a fornecedores e outras agências.

O episódio ajuda a mostrar que a discussão sobre veículos chineses nos Estados Unidos não se limita a preços, concorrência ou indústria. Ela também passa por segurança nacional e disputa estratégica entre Washington e Pequim.

Como é no Brasil?

O Brasil escolheu um caminho diferente. Em vez de uma trava concentrada especificamente em veículos chineses, o país retomou desde janeiro de 2024 o imposto de importação sobre carros elétricos, híbridos e híbridos plug-in comprados fora do país, com recomposição gradual até 35% em julho de 2026.

No caso dos elétricos, a alíquota foi de 10% em janeiro de 2024 para 18% em julho de 2024, subiu para 25% em julho de 2025 e chegará a 35% em julho de 2026. Nos híbridos, o cronograma foi de 12% para 25%, depois 30% e, por fim, 35%. Nos híbridos plug-in, a sequência é 12%, 20%, 28% e 35%.

Embora a regra brasileira não seja desenhada apenas contra a China, ela atinge diretamente as montadoras chinesas porque são justamente elas que avançam com mais força no mercado de eletrificados. O tema entrou no centro da disputa entre a BYD e montadoras já instaladas no país, como Toyota, General Motors, Volkswagen e Stellantis.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.