O renomado designer brasileiro Lucas Recchia estreia no mundo das luminárias com exposição individual inédita na SP-Arte, que começa nesta quarta-feira (8), no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. O trabalho apresentado é resultado de um processo contínuo desenvolvido em toda a sua carreira profissional, que se iniciou há sete anos. Até o dia 12 de abril, o público pode conferir a mostra de sete projetos comissionados – originalmente desenhados para clientes -, que representam essa expansão para o setor de luminárias.

Listado na Forbes Under 30 de 2022 na categoria de Arquitetura, Design e Urbanismo, Recchia é conhecido internacionalmente por suas peças em bronze, vidro e pedra. Depois de rápida expansão no circuito global, o designer planeja a abertura de novo estúdio de arte na região da Alameda Gabriel Monteiro da Silva, principal corredor de decoração de luxo em São Paulo.
Em entrevista à Forbes, ele fala sobre esse projeto: “O contexto brasileiro exige uma certa autonomia. Durante muito tempo, o designer precisou criar seus próprios canais de apresentação e venda. O estúdio nasce também dessa necessidade”.
SP-Arte
Em sua segunda participação na SP-Arte, o catarinense – radicado em São Paulo há mais de 10 anos – mostra mais uma vez sua expertise em esculpir. “Existe um avanço perceptível na complexidade, quanto maior a consciência sobre os processos e limitações que cada material impõe, melhor é o resultado do trabalho”, comenta Lucas.
Segundo ele, para produzir uma luminária bem resolvida não basta um bom desenho, já que a iluminação ultrapassa os limites da peça. “Meu interesse pelo design começou pelas luminárias e acho que eu esperei o momento que eu estivesse mais preparado”, afirma Recchia.
O designer descreve seu trabalho como uma transformação das técnicas e materiais em linguagem própria. A assinatura de Recchia é visível, assim, nas mais diversas formas de tratar o bronze, variando em texturas, cortes, escalas e linguagens que misturam a escultura e o design.
Um brasileiro no mundo do design
Não demorou para que o trabalho de Lucas ganhasse destaque internacional. Com apenas sete anos de carreira, o designer já teve peças expostas em sete países – como Estados Unidos, Itália, França e Emirados Árabes Unidos – e projetos presentes em coleções da Dior e Louis Vuitton.
Por ser um dos poucos representantes brasileiros no circuito global de design, há uma exoticidade que atrai um olhar inicial. Porém, junto da curiosidade, há uma grande responsabilidade em representar e apresentar um novo país.
“Das 7 galerias que trabalho fora do Brasil, nenhuma delas tinha tido contato com o design brasileiro, isso faz com que precise apresentar uma cultura, algo além de um trabalho”, relata.
O que vem junto do sucesso internacional?
A atenção crescente diante de seu trabalho aumenta a demanda por novas peças autorais. No entanto, Recchia é irredutível quanto ao tempo necessário para cada produção: “Existe um limite real imposto pelos processos. Muitas das peças não permitem aceleração sem perda de qualidade, seja pelo tempo de produção, seja pela natureza dos materiais”. Esse andamento consiste em uma condição inata dos trabalhos e passa a compor o próprio valor da peça.
Para experimentações futuras, o brasileiro conta que busca investigar a escala e linguagem em áreas para além do mobiliário. “Cada vez mais tenho me visto como um criador e tenho me instigado a olhar para outras formas de me expressar”.