Único executivo no setor de Turismo no clube do bilhão brasileiro, Guilherme de Jesus Paulus, de 77 anos, ocupa a 225ª posição da lista anual de bilionários da Forbes Brasil, divulgada nesta quinta-feira (27).
Cofundador da CVC, uma das maiores empresas de viagens no País, o executivo teve seu patrimônio líquido avaliado pela Forbes em R$ 1,2 bilhão*. O valor representa uma queda de 54 posições no ranking, além de uma diminuição no patrimônio líquido de R$ 1 bilhão em relação ao ano anterior.
Apesar de não estar mais à frente da empresa desde 2018, seu filho, Gustavo Paulus, faz parte do Conselho de Administração da CVC Corp, com mandato previsto até agosto de 2027.
De onde vem a fortuna?
Por meio do fundo de investimentos GJP (batizada com as iniciais do empresário), Paulus detém atualmente cerca de 20,3% da CVC, sendo o maior acionista individual da empresa. Em abril de 2026, a GJP firmou um acordo de acionistas com a Apex Partners, elevando a participação conjunta dos grupos para 35,3% da companhia.
Além da CVC, o executivo construiu negócios no setor de hotelaria. Em 2005, fundou a GJP Hotels & Resorts, uma das principais redes hoteleiras do país e dona das redes Wish e Prodigy. No ano seguinte, adquiriu a Webjet, companhia aérea que chegou a ocupar a terceira posição no mercado brasileiro, segundo a Academia Brasileira de Eventos e Turismo. Ambos os negócios foram vendidos posteriormente.
Em 2011, vendeu a Webjet para a GOL, com 20 aeronaves e 22 rotas domésticas; também vendeu a rede GJP Hotels & Resorts em 2021 para um fundo de investimentos da R Capital – fontes avaliam que o negócio movimentou cerca de R$ 800 milhões, apesar de os valores oficiais não terem sido divulgados.
Além disso, Paulus detém dois endereços exclusivos de hotelaria: o Castelo Saint Andrews, em Gramado (RS), e o Village Iguaçu Golf Residence, em Foz do Iguaçu (PR). Na Serra Gaúcha, o empresário fez do castelo um hotel do tipo exclusive house, com 19 suítes e experiências únicas que incluem mordomos, café da manhã com horário livre, chá da tarde e traslado de helicóptero. Ele gastou cerca de R$ 10 milhões com reformas e investimentos em infraestrutura à época da inauguração.
Também é cofundador do Terroir Wine Experience, em conjunto com o Grupo M. Stortti, cujo principal objetivo é acelerar os negócios e o turismo relacionado ao vinho no Brasil.
A atuação do empresário se estende ainda a entidades ligadas ao turismo. Paulus já integrou o Conselho Nacional do Turismo e faz parte do Conselho Consultivo do São Paulo Convention & Visitors Bureau. Também integrou o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) do Governo Federal entre 2012 e 2016.
Quem é Guilherme Paulus?
Guilherme de Jesus Paulus, natural de São Paulo, nasceu em 10 de julho de 1949. Iniciou sua trajetória profissional cedo, trabalhando e estudando ao mesmo tempo. Com 18 anos conseguiu um estágio na IBM, o que lhe permitiu juntar dinheiro e fazer uma viagem de 21 dias para a Europa.
Foi após retornar desta viagem que iniciou sua carreira no turismo, trabalhando na área de vendas da Casa Faro Turismo por dois anos. Viajante nato, conheceu cada canto do Brasil e incontáveis destinos no exterior, de ônibus, de avião e de navio.
Foi no mar, inclusive, que sua trajetória mudou. Em uma viagem de navio para a Argentina, conheceu o político Carlos Vicente Cerchiari, que o convidou para cofundar a CVC. Paulus é formado em Administração de Empresas e tem mais de 50 anos de atuação na indústria do Turismo.
Durante a carreira, nunca escondeu sua paixão – e dedicação – ao ofício, de maneira muito obstinada. “Sou doente pelo trabalho. Está no meu DNA. Não consigo ficar na cama nem no inverno. Gosto de acordar cedo, por volta das 6h30, para ver todos os hotéis, visitar obras, acompanhar a evolução, tomar decisões”, afirmou, em entrevista à Forbes Brasil, em 2015.
Sua importância para o desenvolvimento do turismo vem sendo reconhecida a nível global: em 2012, foi homenageado pelo governo francês por contribuir para o desenvolvimento e promoção do turismo na França. Também já foi homenageado pelas prefeituras de Cancun (México), Isla Margarita (Venezuela), Miami (Estados Unidos), Buenos Aires e Bariloche (Argentina).
O início da CVC
Em 1972, o empresário cofundou a CVC, em Santo André, no ABC Paulista. Na época, iniciou o negócio em sociedade com Cerchiari, com o objetivo de oferecer viagens acessíveis para todos os bolsos.
Após 37 anos de atuação, em 2009, o controle majoritário (63,6%) da companhia foi vendido ao fundo norte-americano Carlyle por cerca de R$ 1 bilhão, o que levou a CVC a números cada vez mais expressivos. Quatro anos depois, em 2013, estreou na Bolsa de Valores e iniciou uma nova fase de expansão.
Em 2017, após aquisições em segmentos complementares ao lazer, consolidou a marca CVC Corp e passou a atuar também nos mercados corporativo e de educação. Nos anos seguintes, expandiu a atuação para a Argentina e ampliou sua presença em viagens corporativas.
A estratégia de digitalização, iniciada em 2022 com o sistema de vendas Atlas, contribuiu para a expansão da atuação no B2C, novos produtos, meios de pagamento e eficiência operacional. Poucos anos depois, foi lançado o CVC Ads em mais um processo de internacionalização, parte de um novo ciclo com foco em omicanalidade e foco no cliente.
Paulus deixou a gestão direta da CVC após a entrada de novos investidores, mas manteve ligação com a empresa como maior acionista individual (20% de participação).
Atualmente, a CVC é a maior operadora de viagens de lazer e a maior rede de agências de turismo da América Latina. Segundo o balanço financeiro do segundo trimestre de 2026, o Grupo registrou R$ 8,4 milhões em crescimento nas reservas confirmadas, além de 1.627 lojas, considerando as operações no Brasil e na Argentina. No balanço do ano anterior, a receita líquida total ficou em torno de R$ 101 milhões, um aumento de 8% em relação a 2024.
*Metodologia
A lista Forbes Bilionários Brasileiros é elaborada considerando várias fontes. Como ocorre com a Forbes nos Estados Unidos, a informação mais importante são as ações listadas em bolsa, com base na cotação de fechamento de 30 de junho de 2026. Além de serem públicos, esses dados são oficiais e auditados. Uma vez que a lista considera apenas as informações públicas, os patrimônios podem estar subestimados. Na maioria dos casos não são considerados itens como imóveis, obras de arte, aviões ou embarcações, exceto se o participante da lista concordar em fornecer esses dados. Em alguns casos, o patrimônio de irmãos ou familiares pode ser consolidado ou separado.