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Vida Boa entre Safáris: Como os Lodges Singita Elevam a Experiência na África do Sul

Design, conforto, excelente gastronomia e uma das adegas mais badaladas do país marcam a estadia nos hotéis Lebombo e Sweni no parque Kruger

7 min

Em um lugar onde todos chegam em busca de leões, rinocerontes ou elefantes, uma das experiências mais memoráveis pode acontecer diante das… panelas. A minha, no caso, borbulhava com um curry perfumado, chamado Cape Malay. Trazido por operários da Malásia e da Indonésia no século 18 para a África do Sul, o ensopado aromático é um dos pratos típicos do país, e um dos quais a Singita Community Culinary School (braço de educação culinária da rede hoteleira Singita) ensina nas suas aulas.

O professor do dia era o jovem Lefa. Do topo dos seus 20 anos, ele vem da vila de Thulamahashe, nos arredores do Parque Nacional Kruger, e está prestes a se formar cozinheiro. Simpático e sorridente, enquanto picava cebola e misturava gengibre com açafrão, ele contava detalhes da sua vida e dizia qual era o seu verdadeiro sonho: quer se tornar chef de navios de cruzeiro, para desbravar o mundo enquanto trabalha – o Brasil está entre suas prioridades.

O encontro resume bem a proposta que a Singita traz para os seus lodges na África do Sul. Em uma região onde os safáris são extraordinários por natureza e avistar pelo menos um dos Big Five é garantido, os hotéis Lebombo e Sweni, ambos em uma concessão privada no Kruger, construíram seu diferencial em torno da gastronomia, do vinho, do design e das pessoas que vivem no entorno daquele ecossistema.

DivulgaçãoA experiência de safári privado do Singita, com um pedaço do parque nacional só para você

A sensação de estar em um lugar ímpar faz parte de uma história iniciada em 1925: a família Bailes adquiriu uma área na região de Lowveld, no nordeste da África do Sul. Décadas depois, a antiga concessão de caça seria transformada em uma reserva voltada à conservação, dando origem à Singita, que hoje reúne 19 lodges e vilas privativas em quatro países africanos.

O que se apresenta do carro de safári para dentro é tão importante quanto o que se vê na imensidão dos 13 mil hectares no sudeste do parque nacional, na fronteira com Moçambique, um dos hábitats mais ricos em vida selvagem da África do Sul. E isso se nota logo à primeira impressão neste pedaço tão particular da savana: o bom gosto está no mínimo dos detalhes.

DivulgaçãoSingita Sweni Lodge e rio Sweni

Design é assunto sérissimo no Singita

Inaugurado há 25 anos, o Lebombo Lodge ajudou a redefinir a estética dos safáris de luxo na África ao trocar o imaginário colonial e rústico por uma arquitetura de linhas contemporâneas, estruturas leves e muito vidro. O resultado é um design quase invisível, em que interior e exterior se confundem. Inspiradas nos ninhos de águia construídos no topo da região, as 13 suítes envidraçadas parecem flutuar entre o rio N’wanetsi e o céu.

Da cama, você vê os elefantes à procura de uma sombra no meio da tarde escaldante, ou os crocodilos se camuflando na água. Da piscina de borda infinita, as montanhas avermelhadas de Lebombo e do rio N’wanetsi. Sem cercas nem muros, os animais circulam livremente ao redor.

“Queríamos que o exterior fosse o herói”, explica Georgina Pennington, diretora criativa da Singita. “Os quartos são como ninhos silenciosos, mas é a natureza que ocupa o centro da experiência.”

Se o Lebombo aposta na leveza e na sobriedade, o Sweni Lodge é quase o seu contraponto. Escondido entre a mata ciliar às margens do rio, sua localização é discreta, mas o interior se revela exuberante. Em vez dos tons terrosos, uma mistura ousada e colorida de tecidos, estampas, mármores e texturas em esmeralda, terracota e rosa – todos vindos de artesãos, artistas e comunidades africanas. “Queríamos celebrar as joias escondidas das árvores: os besouros, as borboletas, os pássaros e todas essas coisas bonitas e coloridas que normalmente não percebemos porque estamos procurando leões ou leopardos”, diz Pennington.

A inspiração da diretora criativa revela uma filosofia presente em toda a marca. “Queremos imitar a natureza de uma forma que faça as pessoas pensarem: isso é um tesouro. E então perceberem que se trata de um elemento natural. Porque a natureza é o nosso tesouro”, diz.

Juntos aos impressionantes interiores, a Singita revela outra de suas vocações quando nos sentamos à mesa. Os safáris acontecem duas vezes por dia, ao amanhecer e no fim da tarde, e as refeições acabam se tornando uma espécie de ritual entre as saídas em busca dos Big Five (leão, leopardo, elefante, búfalo e rinoceronte).

Antes do primeiro game drive, ainda no alvorecer, uma seleção de frutas, pães, queijos sul-africanos e charcutaria prepara os hóspedes para as horas seguintes. Na volta, brunches servidos diante do lago ganham a companhia inesperada de hipopótamos se refrescando na água.

Os menus mudam diariamente. Ingredientes locais dividem espaço com influências internacionais e uma dose de curiosidade gastronômica. Em uma noite, a carne de kudu – um dos muitos tipos de antílopes encontrados no Kruger – era servida ao lado de legumes.

Em outra, o avestruz aparecia em diferentes versões, da carne do tartar aos ovos da shakshuka. Receitas tradicionais, como o umngqusho (uma comfort food sul-africana à base de milho e feijão), dividem espaço com peixes frescos e ingredientes de inspiração mediterrânea.

Entre um safári e outro, há espaço para experiências menos óbvias. Um piquenique com Amarula à beira do rio, massagens em um spa com paredes de vidro e até uma corrida na esteira da academia – sempre com a possibilidade de um elefante passar tranquilo ao fundo – fazem parte da rotina. Não é raro terminar o dia na banheira iluminada por velas da suíte, diante do vidro do deck, ouvindo os rugidos dos leões e o riso das hienas ecoando ao longe.

Banheiro da suíte no Lebombo

Para arrematar, vale o destaque para o serviço em taça. A Singita é reconhecida por um dos programas de vinhos mais influentes do continente africano. O projeto, estruturado pelo antigo diretor de vinhos da rede, François Rautenbach, construiu uma relação próxima com produtores sul-africanos e garantiu acesso a garrafas exclusivas. Armazenados em um centro de maturação em Stellenbosch, principal região vinícola do país, os rótulos são enviados semanalmente aos hotéis.

Entre as milhares de garrafas da adega dos hotéis do Kruger, raridades de leilão, rótulos de produção limitada e a coleção exclusiva Phato – palavra derivada de xiphato, em tsonga, que significa “poema” – criada em parceria com alguns dos mais respeitados produtores do país.

Ross CouperA adega do Singita destaca vinhos sul-africanos; na foto, o wine pavilion no Lebombo

Poética talvez também seja a definição mais adequada do que fica da experiência. Dias (e até meses) depois de partir, ainda vêm à memória o guepardo repousando sobre uma árvore, a horda de elefantes cruzando a estrada e os rugidos dos leões reinando na escuridão. Mas uma das lembranças mais marcantes continua sendo uma conversa única em torno de um curry.

*Reportagem publicada na edição 142 da Forbes Brasil, disponível nos aplicativos na App Store e na Play Store.

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