“Como artista e cidadã, está sendo uma experiência única para mim. Esse é um convite irrecusável, é um projeto sensacional – e não foi muito simples”, diz Beatriz Milhazes sobre o chamado de Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, para que a artista assumisse a tarefa de criar uma obra imersiva para a nova passagem subterrânea que liga Lina e Pietro, os dois prédios do Museu de Arte de São Paulo, o MASP.
Beatriz conversou com a coluna semanas antes da inauguração da obra. Conheça alguns detalhes a seguir e leia a matéria completa na edição 11 da revista Forbes Life Fashion, com publicação em outubro.
Pietrolina é uma obra permanente e poderá ser vista a partir de 11 de setembro por visitantes do museu. Ela é composta por uma pintura vibrante, que ocupa uma parede de 60 metros lineares, com os motivos que caracterizam a obra de Beatriz. A outra parede da passagem é pintada de azul – o mesmo tom que foi usado em uma retrospectiva da artista no museu em 2020 – e leva peças reflexivas douradas em formato de folha. Juntas, elas somam 98 metros de obra, o que faz deste o maior projeto de arte em arquitetura criado pela artista carioca.
Beatriz fez o primeiro desses projetos em 2004, na Inglaterra, e já tem mais de 20 espalhados pelo mundo. Este é o primeiro da América Latina instalado em um túnel. Quando Beatriz diz que “não foi simples”, ela se refere à complexidade da transposição do desenho total, criado no papel, para a escala real da parede que tem alturas diferentes (o túnel tem um declive a partir do Pietro em direção ao Lina).
Para a passagem subterrânea, a artista imaginou um desfile de carnaval com direito a alas. Assim, a pintura tem diferentes setores, com a transição entre eles marcada por elementos geométricos. A ideia é que o caminhante explore os detalhes com atenção. “Tem um lado pop, tem arte popular, elementos da arte aplicada, do feito à mão pelo artesão, que sempre me encantou. Quem observar bem vai ver o abstrato, o figurativo e o figurativo dentro do abstrato. A estrela é a mesma do céu, mas também representa brilho, luz, algo espiritual – e funciona como um elemento diagonal”, explica.
A empreitada levou dois anos e funcionou como um respiro entre os seus trabalhos. “A pintura sobre a tela em branco consome muita energia. Os projetos em arquitetura, como os murais, trazem elementos novos. Por isso, eu preciso parar de pintar de tempos em tempos, completamente. Tenho a sorte de ter trabalhado com outros meios, como a escultura, a serigrafia, as colagens, o cenários. Isso tudo traz muita informação para a pintura sobre tela. São maneiras de experimentar minha linguagem em outros meios. Essas técnicas trazem novidade para a pintura, e vice-versa – a pintura também informa muita coisa para as outras técnicas. É um diálogo que tento manter sempre vivo.”
O MASP tem gratuidade toda terça-feira e às sextas depois das 18h. Para visitar já!
*Com Milene Chaves