Céline Dion voltou aos palcos neste sábado (12), em Paris, para seu primeiro concerto completo em mais de seis anos. Aos 58 anos, a cantora canadense iniciou uma temporada que prevê 26 apresentações na capital francesa até maio de 2027, marcando a retomada de uma carreira interrompida por problemas de saúde que chegaram a colocar em dúvida sua capacidade de voltar a realizar grandes shows.
A apresentação ocorreu na Plenitude Arena, em Nanterre, nos arredores de Paris. Céline abriu o espetáculo com “On Ne Change Pas”, uma de suas músicas mais conhecidas em francês, e se emocionou ainda nos primeiros minutos. Em alguns momentos, deixou que o público completasse trechos das canções enquanto tentava conter o choro.
“Prometi que não iria chorar, mas são lágrimas de alegria”, disse ao público. A cantora também falou sobre o período que antecedeu o retorno e agradeceu o apoio recebido enquanto esteve afastada.
A última apresentação completa de Céline havia ocorrido em 2020, durante a turnê “Courage”. A pandemia interrompeu a sequência de shows e, posteriormente, problemas de saúde impediram sua retomada. Em dezembro de 2022, a artista tornou público o diagnóstico de síndrome da pessoa rígida, conhecida pela sigla SPS, uma rara doença neurológica que provoca rigidez muscular e espasmos e pode afetar movimentos e a capacidade de cantar.
Desde então, a cantora havia realizado apenas aparições pontuais. A mais conhecida ocorreu em julho de 2024, na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris, quando interpretou “Hymne à l’amour”, de Édith Piaf, na Torre Eiffel. A apresentação foi considerada um primeiro sinal de que Céline poderia voltar aos palcos, mas ainda estava distante das exigências físicas e vocais de um concerto completo.
O show deste sábado mudou esse cenário. Céline passou por um repertório que incluiu grandes sucessos de sua carreira, entre eles “My Heart Will Go On” e “All By Myself”. A produção optou por uma cenografia mais contida e figurinos predominantemente pretos, mantendo a atenção sobre a cantora e sua voz.
Retorno virou temporada de 26 shows
O tamanho da temporada também indica a expectativa em torno da volta da artista. Quando anunciou seu retorno, em 30 de março deste ano, dia em que completou 58 anos, Céline previa inicialmente dez apresentações em Paris.
A procura por ingressos levou à inclusão de novas datas. O calendário oficial passou a reunir 16 shows entre setembro e outubro de 2026 e outros dez em maio de 2027, todos na Plenitude Arena. A atual programação começa em 12 de setembro e termina em 29 de maio do próximo ano.
Segundo o Guardian, a estimativa é que cerca de 1,17 milhão de ingressos para a temporada tenham sido vendidos em poucas horas, enquanto mais de 9 milhões de pessoas teriam tentado comprar entradas.
A movimentação em Paris começou antes mesmo da estreia. Fãs passaram a se reunir diante do hotel onde Céline está hospedada, e a volta da cantora mobilizou ações pela cidade. A dimensão da recepção acompanha a posição que a artista construiu ao longo de quatro décadas de carreira como uma das cantoras de maior alcance comercial da música pop.
O retorno também acontece em um momento de retomada de sua produção musical. Em abril deste ano, Céline lançou “Dansons”, primeira música original da cantora em vários anos, escrita por Jean-Jacques Goldman, compositor francês com quem mantém uma longa parceria. O lançamento já era apresentado por sua equipe como parte de um novo capítulo da carreira.
Para Céline Dion, entretanto, a noite de sábado representou algo mais concreto do que anunciar uma nova fase. Pela primeira vez desde que tornou público seu diagnóstico, ela enfrentou novamente a duração, o repertório e a exposição de um concerto completo. O calendário agora prevê outras 25 noites para mostrar se esse retorno poderá se transformar novamente em uma rotina de palco.