POWER DRESSING É O TERMO QUE NÃO PODE FALTAR no vocabulário da moda atual. Diretor criativo da Ferragamo, Maximilian Davis sabe disso e, no desfile de primavera/verão da grife italiana apresentado na manhã deste sábado (26/09), em Milão, decidiu incorporar a tendência à sua linguagem. Na tradução que propõe para a marca, a mensagem surge na reinterpretação da silhueta dos anos 1940 – enquanto naquela década a silhueta feminina vinha sóbria e contida, ele introduz leveza e fluidez para os dias de hoje, deixando o recado muito claro: os códigos de moda que empoderam a mulher contemporânea são outros.
SAEM AS OMBREIRAS MASCULINAS, ENTRAM OS OMBROS ARREDONDADOS pela construção da alfaiataria. O utilitarismo perde o rigor puramente funcional, para ganhar bolsos de estilo cargo em tecidos nobres e sofisticados, como a seda e a camurça. Os cintos deixam de cumprir sua vocação técnica, para colocar em evidência a cintura que acentua e molda o shape feminino – e com fivelas duplas, comunicando uma intenção afirmativa no lugar da restrição old-fashioned.
A FERRAGAMO MOSTRA QUE PODE SER FLUENTE NO SEX-APPEAL, muito embora seja frequentemente percebida como uma casa de estilo mais tradicional. Ponto alto da apresentação, os trench coats, capas e vestidos feitos em borracha translúcida davam certo toque fetichista à coleção, reforçando o poder entregue pelo estilista às mulheres. São elas, afinal, que, através da moda, escolhem o quê, como, quando e quanto mostrar. Eu amei!
*Com Antonia Petta, Milene Chaves e Sylvain Justum