A relação de Xênia França com Salvador não nasceu imediata. Natural do Recôncavo Baiano e criada em Camaçari, na região metropolitana, a cantora sempre se aproximou da capital com certa delicadeza. “Como não nasci lá, acho que minha relação com a cidade é um pouco delicada, quase tímida. Eu sempre chego pisando devagarinho”, diz.
O pertencimento veio depois de consolidada como artista. “Foi pela música que encontrei uma forma de reverenciar minha origem”, afirma. Salvador tornou-se central para ela, do lançamento do álbum Xênia, em 2017, no Pelourinho, ao de Em Nome da Estrela, em 2022, no Teatro Castro Alves.
Hoje, essa aproximação se traduz em pequenos rituais. Xênia gosta de viver a cidade sem pressa. Instala-se no Corredor da Vitória, onde os prédios se abrem para o mar, e deixa os dias correrem entre encontros despretensiosos, música entre amigos e passeios sem roteiro. “Ficar de bobeira e viver a cidade de verdade, sem o furdunço turístico, é mais a minha cara.”
A seguir, Xênia França compartilha seu roteiro por Salvador:
O melhor mergulho
Para um mergulho rápido, Xênia prefere a Praia da Paciência, charmosa e de águas calmas e cristalinas. Quando a ideia é passar o dia inteiro, ela recomenda seguir um pouco além do centro, até a Praia de São Tomé de Paripe – apelidada de “Caribe do subúrbio”.

Sabores do mar
Comece cedo pela Feira de São Joaquim, um dos mercados mais tradicionais da cidade, para escolher um peixe fresco, especialmente no box do Léo. Para quem não quer cozinhar, os quiosques à beira-mar da própria feira servem pratos típicos, como a moqueca do Cantinho da Jó.
Para viver a cultura
São muitas as camadas da identidade baiana. O Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), instalado no Solar do Unhão, reúne, além de uma das vistas mais bonitas da Baía de Todos-os-Santos, o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), aprofundando a narrativa sobre a herança africana no país, enquanto a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos é um símbolo histórico de resistência.
No Pelourinho, os ensaios do Balé Folclórico da Bahia oferecem uma imersão potente na cultura popular. Já a Galeria Mercado, no subsolo do Mercado Modelo, revela a vitalidade da produção contemporânea. O percurso pode incluir ainda o Memorial Mãe Menininha do Gantois e a Casa Brafica, espaços que conectam arte, espiritualidade e memória.

Para conhecer o artesanato
Clássico incontornável é o Mercado Modelo, mas um passeio pela Avenida Carlos Gomes revela achados menos óbvios, como a Barunarts, loja de Luciana Baraúna dedicada a joias e bijuterias com estética de matriz africana.
*Reportagem publicada na edição 138 da Forbes Brasil, disponível nos aplicativos na App Store e na Play Store.