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As Maravilhas da Chapada Diamantina, Pelo Artista Plástico Stephan Doitschinoff

O artista plástico Stephan Doitschinoff indica lugares e programas na Chapada Diamantina, onde morou durante três anos

3 min

Em 2006, o artista plástico paulistano Stephan Doitschinoff mudou-se para Lençóis, na Bahia, e montou um ateliê em uma área remota da região. Por lá, envolveu-se com a população, vivenciou a cultura e acabou obtendo licença para usar a cidade como tela. Ele pintou dezenas de casas, muros, igrejas e até o cemitério.

Assim nasceu Temporal, uma obra que amplia sua pesquisa sobre o sagrado e o profano para plataformas que se confundem com a realidade local. O artista já apresentou trabalhos em instituições como o Irish Museum of Modern Art (Imma, Irlanda), Museu de Arte de São Paulo (Masp) e Fondation Cartier (França), mas é quando chega à Chapada que consegue recarregar as energias. “Dá para sentir a camada de cristais debaixo da terra. Saio renovado.”

Melhor café da manhã

O café da manhã da Estalagem do Alcino é inesquecível. Servido em um jardim, oferece torta de batata-doce, bolinhos, frutas da região, iogurte, pães, bolos, geleias e doces, tudo preparado na própria pousada. As louças são feitas e pintadas por Alcino, que é ceramista e um grande anfitrião. O café é servido em uma mesa comunitária. Ali, os hóspedes trocam dicas de trilhas, enquanto ele conta curiosidades sobre a Chapada. É muito mais do que um café da manhã: é um papo que vale o dia.

O portal mais profundo da Chapada

Quando você chega à Chapada Diamantina, parece que atravessa um portal. Lençóis é a porta de entrada desse universo, mas o Vale do Pati, que faz parte do Parque Nacional, é onde você mergulha de verdade nele. O Mirante do Castelo e o Cachoeirão por Cima são os principais cartões-postais.

Patrick DE WILDE/Gamma-Rapho via Getty ImagesParque Nacional, Chapada Diamantina

Onde comer muito bem

Do salão do Cozinha Aberta você pode acompanhar toda a preparação dos pratos. A chef Deborah é minha irmã e não é nepotismo da minha parte indicar, porque o restaurante é realmente cotado como o melhor por todos os guias de respeito. Peça camarão com purê de godó (o godó é feito de banana verde com o coquinho licuri, icuri, um tipo de coco original da região), spaghetti de cacau com camarão ou arroz-negro com cogumelos.

Fumaça e circo do Capão

A Cachoeira da Fumaça fica no Vale do Capão. Só a caminhada já vale a pena, mas o visual lá de cima é um dos mais impressionantes que eu já vi. Com cerca de 340 metros de altura, a cachoeira está entre as mais altas do Brasil. No Capão, compensa ficar até o fim da tarde. Na praça você pode ver a apresentação do Circo do Capão, com crianças e adolescentes da comunidade, e terminar o dia na Pizzaria Capão Grande, que só tem um sabor de pizza salgada com massa integral, cenoura ralada, queijo e o famoso molho de pimenta com mel da casa.

Banco da praça do Coreto em Lençóis

Minha principal dica é a mais simples de todas: reserve um tempo para não fazer nada. Sente-se na Praça do Coreto ou em algum barzinho da Rua das Pedras e veja os cachorros passarem, o movimento da cidade, as pessoas indo e vindo. Porque, às vezes, a melhor forma de conhecer um lugar não é correndo de uma atração para outra, mas deixar o tempo passar e conversar com as pessoas que moram lá.

*Reportagem publicada na edição 128 da Forbes Brasil, disponível nos aplicativos na App Store e na Play Store.

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