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Novo Resort de Luxo em Montana Une Esqui, Wellness e Yellowstone

Em seu primeiro resort de montanha no mundo, o One&Only escolhe Big Sky como porta de entrada para um inverno de esqui, wellness e a natureza extraordinária de Yellowstone

11 min

Montana amanhece em silêncio. No inverno, a neve cobre montanhas, pinheiros, telhados e estradas e reduz a paisagem a uma paleta quase inteiramente branca. Basta o dia começar, ou terminar, para o cenário mudar. O céu ganha camadas de rosa, laranja, às vezes lilás, e a luz se espalha sobre a neve. Por alguns minutos, tudo fica colorido.

Foi nesse cenário, aos pés da Lone Mountain, que o One&Only decidiu fazer duas estreias importantes: a chegada da marca aos Estados Unidos e a abertura de seu primeiro resort de montanha no mundo.

O endereço escolhido foi Big Sky, em Montana, destino que durante muito tempo permaneceu à sombra de nomes mais conhecidos do esqui americano e que tem justamente na escala e na natureza preservada uma boa parte de seu encanto. É uma região de grandes distâncias, pouca interferência urbana e montanhas que ocupam o horizonte. E há um vizinho difícil de superar: Yellowstone fica a cerca de uma hora dali.

Inaugurado no fim de 2025, o One&Only Moonlight Basin ocupa 240 hectares cercados por Lone Mountain, Fan Mountain e Spanish Peaks. A arquitetura, assinada pelo escritório americano Olson Kundig, acompanha a horizontalidade da paisagem, com edifícios baixos, muita pedra, madeira e vidro. Não há interesse em disputar a atenção com o que está do lado de fora.

Em uma viagem em março, uma das residências do resort serviu de casa para quatro mulheres. A escolha acabou dando outro ritmo aos dias em Big Sky.

Dividir uma casa nas montanhas tem uma informalidade deliciosa que um quarto de hotel dificilmente reproduz. O café da manhã antes do esqui, o movimento de cada uma se preparando para sair, os equipamentos de volta à casa no fim da tarde, as conversas que se estendem pela sala e a lareira como ponto de encontro. Há toda a estrutura e o serviço de um grande hotel, com a liberdade de estar em casa. Para uma viagem entre amigas, a combinação funciona especialmente bem. E torna tudo mais divertido.

Um novo endereço em Big Sky

O One&Only Moonlight Basin é formado por quatro lodges, três deles reunindo 73 quartos e suítes, além de 19 cabanas independentes e residências privadas com quatro a seis quartos. Todas as acomodações têm banheiras e vistas panorâmicas; cabanas, suítes e residências acrescentam ofurôs privativos voltados para os picos e para a floresta. Os interiores acompanham o entorno. Madeira, pedra, tecidos naturais e obras de artistas da região dão aos ambientes uma atmosfera mais residencial do que ostensiva. Grandes janelas fazem o resto.

Para quem veio esquiar, a grande vantagem está na facilidade de acesso à montanha. A One&Only Gondola conecta o resort às pistas de Big Sky Resort, eliminando boa parte da logística que normalmente acompanha uma viagem de esqui. Big Sky tem ainda uma característica particularmente agradável: espaço. Mesmo com a crescente projeção internacional, a região preserva uma sensação de amplitude que se perdeu em alguns dos destinos de inverno mais famosos dos Estados Unidos.

O resort foi pensado também para funcionar além da neve. No verão, esqui e snowboard dão lugar a trilhas, mountain bike, pesca e rafting. Há ainda um observatório privado para aproveitar outra característica de Montana: noites de céu muito limpo e pouca poluição luminosa.

À mesa, são seis opções. O The Landing segue uma cozinha americana contemporânea; o Wildwood trabalha com o conceito ranch-to-table, aproximando o cardápio dos ingredientes e produtores da região; e Akira Back assina a proposta japonesa do resort. Para depois do jantar, há o Dear Josephine e o Moonshack, um speakeasy dedicado ao uísque. Entre todos os espaços do hotel, porém, é o spa que melhor traduz a relação do Moonlight Basin com o lugar onde está ancorado.

Wellness em altitude

A mais de 2.100 metros acima do nível do mar, o corpo percebe Big Sky. O ar é mais rarefeito e a combinação de altitude, frio e algumas horas de atividade física muda a importância da recuperação. No One&Only Moonlight Basin, essa realidade foi incorporada ao spa de uma maneira especialmente interessante.

Com 1.580 metros quadrados, o espaço fica aos pés da Lone Mountain e mantém uma relação constante com a paisagem. Há oito salas de tratamento, sauna, sala de vapor, fitness center, estúdio de ioga e uma piscina coberta de 17 metros com janelas do chão ao teto voltadas para a montanha.

Uma das paredes de vidro se abre para a área externa, onde um onsen quente e uma piscina de imersão gelada criam uma alternância de temperatura que ganha outro significado depois de um dia nas pistas.

É a sala de recuperação, no entanto, que melhor sintetiza a proposta. Poltronas voltadas para a montanha têm concentradores individuais de oxigênio, e cada hóspede regula seu próprio fluxo. A experiência é simples: sentar, respirar, tomar um chá quente, olhar a neve pela janela e deixar o corpo desacelerar.

A sala é linda. A montanha domina a vista, a lareira aquece o ambiente e a luz natural muda ao longo do dia. A oxigenoterapia não está ali apenas como mais uma tecnologia de wellness. Foi incorporada para ajudar o organismo a se adaptar aos mais de 2.100 metros de altitude de Big Sky. Funciona tanto para quem acabou de chegar quanto para quem volta das pistas sentindo os efeitos do esforço.

O restante do menu segue a mesma preocupação com recuperação. Massagens combinam técnicas suecas, terapêuticas e de tecido profundo com recursos como crioterapia e pedras aquecidas. Há protocolos para recuperação muscular e tratamentos que alternam calor e frio.

Nos faciais, o spa trabalha com Augustinus Bader. Nos tratamentos corporais aparece a Isun, marca que nasceu na região com botânicos silvestres e antioxidantes. Minerais associados à região, como safira, quartzo e cobre, foram incorporados a alguns dos rituais.

O wellness deixou há algum tempo de ocupar apenas algumas horas livres da programação de viagem. Em destinos de montanha, passa a acompanhar o ritmo dos dias. Esquia-se. Recupera-se. No dia seguinte, começa-se tudo outra vez.

Yellowstone no inverno

Seria fácil passar vários dias sem sair de Big Sky. Fazer isso, porém, significaria deixar de conhecer o lugar que muda completamente a dimensão dessa viagem. Yellowstone está a cerca de uma hora do resort e, no inverno, não se parece muito com as imagens que normalmente apresentam o parque ao mundo.

A neve muda tudo. Há menos visitantes, alguns acessos são limitados e nem todas as áreas podem ser visitadas. Em compensação, o parque parece mais silencioso e mais selvagem. As estradas cortam enormes extensões brancas e, a qualquer momento, alguma coisa pode se mover no horizonte. Frequentemente, é um bisão.

Os bisões-americanos são os grandes personagens de Yellowstone no inverno. Eles surgem sozinhos ou em grupos, atravessam campos cobertos de neve e chegam perto das estradas. Grandes, pesados, com a cabeça coberta por uma pelagem espessa, parecem pertencer a outro tempo.

Há uma diferença enorme entre conhecer esses animais por fotografias e vê-los caminhando livremente em Yellowstone. A escala impressiona. Os animais seguem suas rotas independentemente de quem chegou para vê-los. Os bisões usam a cabeça para afastar a neve em busca da vegetação que está embaixo dela e se aproximam de áreas onde a atividade geotérmica aquece o solo.

A geografia extraordinária de Yellowstone

É difícil esquecer a primeira visão das áreas hidrotermais de Yellowstone no inverno. Há neve por todos os lados. O ar é gelado. E, no meio disso, piscinas de água quente aparecem em tons de azul, verde, amarelo e rosa, enquanto grandes volumes de vapor sobem e desaparecem no ar.

A imagem parece irreal. Yellowstone reúne mais de 10 mil formações hidrotermais entre fontes termais, gêiseres, fumarolas e piscinas de lama. Parte das cores que aparecem ao redor das fontes é resultado de microrganismos termófilos, adaptados a viver em condições extremas. Diferentes organismos prosperam em diferentes temperaturas e ajudam a formar os pigmentos que desenham as bordas dessas piscinas.

Saber a explicação científica não diminui em nada o espanto. No inverno, o contraste é ainda maior. A água quente encontra temperaturas muito abaixo de zero e o vapor paira sobre a paisagem. Em alguns pontos, o branco da neve termina quase abruptamente diante de cores tão intensas que parecem pintadas. Rosa, verde, azul, amarelo.

Yellowstone expõe ali forças que normalmente permanecem escondidas sob a superfície da Terra. Nem todas as fontes podem ser vistas nessa época, justamente pelas condições de neve e pelos acessos sazonais. Ainda assim, as que estão ao alcance já justificam o passeio.

Há algo especialmente bonito em conhecê-las no inverno. Nos meses mais quentes, as cores das formações hidrotermais dividem a cena com uma paisagem também colorida. Sob a neve, elas parecem acesas.

De um lado da estrada, bisões caminham lentamente pelo branco. Mais adiante, o chão solta vapor. Em volta das fontes aparecem cores improváveis. Acima de tudo isso está o céu de Montana, que também muda de cor ao longo do dia.

A escala do lugar reorganiza qualquer noção de grandeza.

Raposas e coiotes permanecem ativos durante o inverno, assim como outros animais que atravessam o parque. Os ursos exigem mais sorte nessa época do ano. Grizzlies e ursos-negros passam grande parte dos meses frios recolhidos em suas tocas, embora alguns possam começar a emergir antes da primavera. Não encontrá-los em março deixa uma boa razão para voltar.

Para quem tem como prioridade avistar ursos, é recomendável escolher uma época em que estejam mais ativos. Mas Yellowstone está longe de depender deles para impressionar. Em determinado momento do passeio, a paisagem branca começa a ganhar cores improváveis.

Entre Big Sky e Yellowstone

A volta para Big Sky produz uma mudança de cenário quase abrupta. Em poucas horas, passa-se de um parque onde bisões podem interromper o caminho e a água ferve sob a neve para uma vila aquecida, lareira acesa, jantar e camas impecavelmente arrumadas.

É esse contraste que dá força à viagem. O One&Only Moonlight Basin funciona como uma base privilegiada para conhecer uma região que continua essencialmente selvagem. É possível esquiar pela manhã, recuperar o corpo respirando oxigênio diante da Lone Mountain à tarde e, no dia seguinte, estar em Yellowstone observando um bisão cruzar a neve. Para quatro mulheres dividindo uma casa, existe ainda outra camada. A viagem ganha aquele repertório de pequenas cenas que nunca entram no planejamento: as conversas que começam no café e continuam à noite, a chegada de cada uma depois de um dia na montanha, a escolha do jantar, uma taça diante da lareira.

O hotel oferece toda a sofisticação esperada de um One&Only, mas não precisa ser o assunto o tempo inteiro. No fim, as imagens que permanecem vão muito além dele. O rosa e o laranja tomando conta do céu sobre a neve. A Lone Mountain vista da poltrona da sala de recuperação. O calor do onsen depois do esqui. Quatro amigas dividindo uma vila no meio das Montanhas Rochosas. O tamanho de um bisão visto de perto. O vapor subindo das fontes termais de Yellowstone e revelando, em meio ao branco, manchas quase inacreditáveis de verde, azul e rosa.

*Reportagem publicada na edição 145 da Forbes Brasil, disponível nos aplicativos na App Store e na Play Store.

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