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Essa Marca Focou em Motos Premium e Produziu 80 Mil Unidades no Brasil

Em novembro do ano passado, a Triumph registrou 1.210 emplacamentos, um crescimento de 4,8% em relação ao mesmo mês de 2024

5 min

Focar em motos premium, com um valor agregado maior, foi a aposta da Triumph no Brasil em 2025 – e a estratégia rendeu resultados concretos. À frente de um plano que combina expansão industrial, rede mais capilar e uma gama de 400 cilindradas mais acessível, a marca britânica atingiu a marca de 80 mil motocicletas produzidas no país desde 2012 e consolidou o melhor ano de sua história no mercado brasileiro.

Em novembro do ano passado, a Triumph registrou 1.210 emplacamentos, um crescimento de 4,8% em relação ao mesmo mês de 2024. No segmento premium acima de 500 cilindradas, um dos pilares da operação, a marca alcançou recorde histórico para o mês e avançou 39,8% sobre o ano anterior. No acumulado, entre janeiro e novembro, foram mais de 8 mil motos acima de 500 cc emplacadas em 2025, outro recorde na categoria.

No total, a projeção anual já confirma o momento histórico: foram 12.292 unidades emplacadas até novembro, superando todo o volume de 2024 antes da entrada de dezembro. O resultado, segundo a empresa, é fruto da renovação de produtos, do fortalecimento da rede de concessionárias e de uma agenda intensa de relacionamento, com mais eventos regionais, test-rides e presença em campeonatos.

80 mil motos feitas no Brasil

A virada de chave, porém, não aparece apenas nas estatísticas de vendas, mas também na indústria. A Triumph Motorcycles Brasil celebrou um marco histórico ao atingir as 80 mil motocicletas produzidas desde o início das operações da fábrica em Manaus, em 2012.

A curva de crescimento é consistente. No Ano Fiscal de 2013, foram 1.554 motos produzidas. Depois vieram 3.736 unidades em 2014, 4.890 em 2015, 3.402 em 2016 e 4.336 em 2017. Os volumes seguiram em expansão até chegar a 7.042 unidades em 2023, 10.029 em 2024 e 14.380 em 2025 – um dos maiores volumes anuais da história da marca no país.

Atualmente, a operação brasileira produz cerca de 100 motos por dia, apoiada por uma equipe de aproximadamente 150 colaboradores.

400 cilindradas: a nova porta de entrada

O crescimento não é apenas volume: passa pela mudança de mix. A Triumph atua globalmente há mais de 120 anos, com presença direta em 13 países, mais de 850 concessionárias no mundo e 134.635 motos comercializadas globalmente em 2024. No Brasil, a leitura é de longo prazo. Segundo Renato Fabrini, general manager da Triumph Motorcycles Brasil, o grupo “olha para o Brasil como um plano de longo prazo” e vê o país “como um mercado para se apostar”, mesmo após enfrentar ciclos de câmbio volátil e incertezas econômicas.

Essa visão está ancorada em dois movimentos de mercado. De um lado, o segmento acima de 500 cilindradas – em torno de 48 mil motos em 2025 – caminha para bater o recorde de 2013 e tende a se manter estável. De outro, o intervalo entre 250 cc e 500 cc “só cresce e vai continuar crescendo”. Fabrini lembra que, em muitos casos, “o cliente que comprava um carro de entrada não conseguiu acompanhar o preço dos automóveis” e migrou para motos de melhor cilindrada, na faixa de valor em que a Triumph posicionou sua linha de 400 cc.

“Parte da razão do nosso sucesso passa pela introdução das 400 cilindradas, adequadas a esse cliente”, aponta o executivo. As 400 cc também funcionam como porta de entrada para o universo premium da Triumph. Modelos como a Scrambler e as clássicas da família “Modern Classics” trazem elementos típicos das motos maiores – como controle de tração, postura de pilotagem refinada e design inspirado em ícones que aparecem até em filmes como 007 – para um patamar mais acessível. “As clássicas têm um papel fundamental. A 400 é a porta de entrada para os clientes”, resume Fabrini.

Rede, investimentos e próximos passos

O avanço industrial e comercial vem acompanhado de mais presença física. Em 2020, a Triumph contava com apenas 10 concessionárias no Brasil. Hoje, são 45, com a previsão de inaugurar mais quatro pontos em 2026. A estratégia foi cobrir primeiro as grandes capitais e, em seguida, interiorizar a operação – movimento potencializado pelo lançamento das motos de 400 cilindradas, que exigem maior capilaridade.

Na fábrica, a empresa está concluindo um ciclo de investimentos de R$ 20 milhões para ampliar capacidade e manter a flexibilidade da linha de Manaus, considerada uma das mais flexíveis do grupo no mundo. Em abril de 2025, a unidade comemorou o marco de 70 mil motos produzidas; em dezembro, cruzou a barreira das 80 mil. “A fábrica precisa de investimento”, diz Fabrini, ao explicar que o plano é ajustar a estrutura para acompanhar o ritmo de demanda nos próximos anos.

Em paralelo, a Triumph intensifica o pipeline de produtos. Foram 13 lançamentos em 2024 e outros 13 em 2025. Para os próximos seis meses, o cronograma prevê 15 novidades entre modelos inéditos e facelifts. No total, são 27 modelos e 10 famílias montados no Brasil, todos seguindo o mesmo padrão dos produtos vendidos em outros mercados. “Exatamente o mesmo modelo que lá fora”, reforça o executivo, ao comentar que muitas montadoras precisaram adaptar potência e especificações para conseguir homologar motos no país.

Alguns nomes já se destacam. A Tiger 900, por exemplo, representa cerca de 50% das vendas da família no mundo e lidera o segmento adventure em que atua. Ao mesmo tempo, a marca prepara a entrada em novos nichos, como enduro e motocross. “Temos uma fatia de clientes exigente, e esse é o próximo segmento que vamos entrar além do que a gente já comercializa”, afirma Fabrini.

A fabricante britânica encerrou 2025 com mais uma marca simbólica – as 80 mil unidades saídas de Manaus – e um recado claro: o foco nas motos premium de 400 cilindradas não é apenas uma tendência de portfólio, mas parte central de um plano para manter a marca em crescimento em um mercado de duas rodas que não dá sinais de desaceleração.

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