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Conheça o Empresário das Joias Que Pagou R$ 200 Milhões por uma Ferrari Raríssima

A Ferrari 250 GTO 1962 Bianco Speciale é uma das apenas 36 unidades produzidas entre 1962 e 1964

5 min

Os leilões de carros são inegavelmente eletrizantes. Máquinas deslumbrantes cruzam o palco diante de potenciais compradores ansiosos, um breve silêncio toma conta do ambiente e o leiloeiro respira fundo antes de iniciar o ritmo acelerado da linguagem de lances. Diversas casas de leilão são conhecidas por negociar carros de alto padrão, incluindo a Mecum Auctions, com sede em Wisconsin, nos Estados Unidos. Há poucas semanas, a Mecum realizou a venda de uma raríssima Ferrari 250 GTO branca de 1962.

Essa venda estabeleceu um recorde para a empresa, sendo a maior da história da Mecum, que remonta a 1988. Quando o martelo bateu, o mundo descobriu que um comprador misterioso havia arrematado a Ferrari clássica por US$ 38,5 milhões (algo em torno de R$ 200 milhões). Agora sabemos sua identidade: David Lee, empresário baseado na Califórnia e proprietário do grupo de relógios e joias de luxo Hing Wa Lee. Veja como ele conquistou essa Ferrari superlativa.

Intermediando o negócio

Longe de ser a primeira Ferrari de Lee — ele possui atualmente mais de duas dezenas — este supercarro se destaca até mesmo em um estábulo de pura raça. A Ferrari 250 GTO 1962 Bianco Speciale é uma das apenas 36 unidades produzidas entre 1962 e 1964 e a única entregue de fábrica na cor branca. Não surpreende que tenha sido vendida por pouco menos de US$ 40 milhões; segundo Lee, muitos colecionadores acreditavam que poderia alcançar entre US$ 50 e 60 milhões.

“Eu não achava que conseguiria comprá-la, mas decidi tentar mesmo assim”, diz Lee. “Às vezes, em um leilão, você consegue um bom negócio. Eu acredito em destino e esse carro era para mim.”

O corretor Kevin Cohen, da Beverly Hills Motoring, é o contato de confiança de Lee para compras em leilões e estava presente no dia em que a Ferrari foi a leilão. Lee, no entanto, estava do outro lado do país, no histórico autódromo de Willow Springs.

“Durante um leilão há muita adrenalina”, diz Lee. “Eu não quis estar lá porque, às vezes, o ego e o orgulho tomam conta, as pessoas estão aplaudindo e você acaba não tomando uma decisão racional. Então enviei meu representante.”

Por telefone, Lee autorizava a continuidade dos lances enquanto os valores subiam… e subiam… e subiam. À medida que se aproximava do preço de reserva, o proprietário da Mecum Auctions, Dana Mecum, entrou em ação para viabilizar o acordo.

A Mecum Auctions faz a diferença

Lee elogia o toque pessoal da Mecum neste e em outros leilões — e, obviamente, está satisfeito com o resultado.

“Uma coisa que eu realmente valorizo, e que os torna especiais, é que Dana Mecum está muito envolvido”, afirma. “Esse carro não teria sido vendido se ele não estivesse lá para fechar o negócio.”

Mecum, que fundou a casa de leilões em 1988, diz que seu negócio é unir compradores e vendedores. Parte de seu sucesso está na atuação direta em cada negociação, incluindo esta. Ele começou a trabalhar com Lee ainda em novembro, quando Cohen compareceu ao leilão da empresa em Las Vegas para ver a GTO exposta. Quando a Ferrari cruzou o palco e os lances começaram, Mecum estava ao lado de Cohen, que se comunicava com Lee por telefone, garantindo que todos permanecessem alinhados e ajudando Lee a dar o lance vencedor.

“Um negócio bem-sucedido não começa com o comprador — começa com um acordo honesto e justo com o vendedor”, diz Mecum. “Carros de alto valor não seguem uma fórmula padronizada, porque cada vendedor tem necessidades únicas. No caso do sr. Lee, também prestamos serviço ao comprador, oferecendo a melhor orientação e facilitando as melhores negociações entre as partes. Embora atuemos como casa de leilões, nosso papel é servir como negociadores tanto para o vendedor quanto para o comprador.”

No total, as vendas da Mecum em Kissimmee ultrapassaram US$ 445 milhões, com 57 carros vendidos por mais de US$ 1 milhão e seis acima de US$ 10 milhões durante o maior leilão de carros de coleção do mundo. Resultados, afirma Mecum, são o que impulsionam o crescimento.

“O resultado deste ano reforça que nossa estratégia de atrair consignações de alto padrão e alta qualidade continua gerando desempenhos recordes”, diz.

O que vem a seguir para David Lee?

Lee também possui supercarros de fabricantes ultraluxuosos como a Pagani, mas a Ferrari é claramente seu grande amor. Sua coleção inclui diversos modelos vermelhos e amarelos da marca, que ele chama de forma bem-humorada de coleção “ketchup” e “mostarda”. Quando perguntado se o exemplar branco de 1962 seria a parte “maionese”, ele riu. “Será a única branca”, disse.

O colecionador considera o apresentador e entusiasta automotivo Jay Leno um bom amigo; Lee já participou 14 vezes do programa de Leno. Agora, Leno quer saber quando Lee levará a Ferrari 250 GTO de 1962 à sua garagem para conhecê-la. A resposta, segundo Lee, é o quanto antes.

Lee tem mais de 143 mil seguidores em seu canal no YouTube, onde exibe sua extensa coleção de supercarros para entusiastas.

“Muita gente compra um carro e não compartilha”, diz Lee. “Eu, ao contrário, levo as pessoas na jornada sobre o que encontro.”

Quer ver a Ferrari de perto, junto com Lee e algumas de suas máquinas favoritas? Ele realizará seu evento anual Cars & Chronos na região de Los Angeles em 21 de fevereiro.

*Matéria originalmente publicada em Forbes.com

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