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Carro a Hidrogênio a 563 Km/h Quer Provar a Força da Energia Limpa

Mais do que buscar um recorde, a iniciativa quer usar a velocidade extrema para reforçar o hidrogênio como alternativa prática em setores onde a eletrificação enfrenta limites

5 min

Duas décadas depois de estabelecer um recorde de velocidade em terra para veículos a diesel que ainda não foi superado, a fabricante britânica de equipamentos JCB está voltando às Bonneville Salt Flats, em Utah, nos Estados Unidos, – desta vez com o hidrogênio na mira.

A empresa, mais conhecida por suas retroescavadeiras amarelas e máquinas pesadas, prepara-se para revelar o JCB Hydromax, um streamliner de 9,75 metros movido não por baterias ou células de combustível, mas por motores a combustão a hidrogênio desenvolvidos internamente após um esforço de pesquisa de cinco anos e US$ 135 milhões. O projeto marca a demonstração mais recente – e mais pública até agora – da aposta da JCB de que a combustão interna movida a hidrogênio pode oferecer uma alternativa viável ao diesel na indústria pesada.

Em agosto, o ex-piloto da Royal Air Force Andy Green – ainda o homem mais rápido da Terra, depois de quebrar a barreira do som em terra em 1997 – voltará ao volante para tentar um novo recorde de velocidade em terra para veículos movidos a hidrogênio na Bonneville SpeedWeek, em Utah.

A missão traz ecos de 2006, quando Green pilotou o JCB Dieselmax movido a diesel a 563,48 km/h, estabelecendo um recorde mundial de velocidade para veículos a diesel que permanece intacto até hoje. Mas executivos da JCB dizem que o novo esforço é mais do que uma tentativa de voltar às manchetes.

“Não se trata apenas de velocidade”, disse o chairman da JCB, Anthony Bamford, que pessoalmente defende a estratégia de hidrogênio da empresa. “Trata-se de provar o que os motores a hidrogênio podem fazer e demonstrar a capacidade de engenharia que temos no Reino Unido.”

O programa Hydromax chega em um momento decisivo para a tecnologia do hidrogênio. Enquanto grande parte da indústria automotiva concentrou seu foco em veículos elétricos a bateria, a JCB passou anos argumentando que motores a combustão a hidrogênio podem oferecer um caminho mais prático para setores como construção e agricultura, em que as máquinas muitas vezes operam continuamente em ambientes remotos e exigem reabastecimento rápido.

No início deste ano, máquinas JCB movidas a hidrogênio começaram a sair das linhas de produção, um marco que a empresa vê como validação de sua estratégia de longo prazo. O projeto de velocidade em terra foi concebido para amplificar essa mensagem globalmente.

“Colocar motores avançados em um carro de recorde de velocidade permite que as pessoas vejam a tecnologia de forma diferente”, disse Bamford. “Uma escavadeira nem sempre desperta a imaginação da mesma maneira.”

O Hydromax foi desenvolvido em parceria com as empresas britânicas de engenharia e automobilismo Prodrive e Ricardo. Movido por dois motores a hidrogênio baseados em unidades de produção, entregando juntos 1.600 cavalos de potência, espera-se que o carro supere seu antecessor movido a diesel tanto em velocidade quanto em eficiência. Green diz que a nova máquina já representa um grande salto adiante.

“O Hydromax é mais leve, mais potente e mais rápido do que o Dieselmax original”, disse ele. “E, mais uma vez, nosso objetivo é mostrar ao mundo o que a engenharia britânica é capaz de alcançar.”

A tentativa começará com testes no Reino Unido antes de a equipe seguir para a Bonneville SpeedWeek, o evento icônico supervisionado pela Southern California Timing Association, que homologa recordes oficiais por categoria nas Salt Flats. A JCB também planeja buscar recordes mundiais reconhecidos pela FIA após o evento.

O momento é significativo por outro motivo. A ofensiva da JCB em hidrogênio acontece antes da abertura de sua nova instalação fabril de US$ 500 milhões em San Antonio, no Texas – um complexo de quase 93 mil metros quadrados que empregará cerca de 1.500 trabalhadores na produção de máquinas para o mercado norte-americano.

Para a JCB, engenharia de desempenho há muito também funciona como exercício de marca. Em 2019, seu Fastrac tornou-se o trator mais rápido do mundo, a 217 km/h. Cinco anos antes, sua retroescavadeira GT havia estabelecido um recorde de velocidade de mais de 116 km/h.

Mas o projeto Hydromax traz implicações mais amplas. À medida que reguladores e fabricantes buscam soluções de menor emissão para equipamentos pesados, transporte marítimo e transporte industrial, a combustão a hidrogênio emergiu como um possível complemento – ou concorrente – aos sistemas elétricos a bateria.

Resta saber se a JCB conseguirá ultrapassar novamente a barreira dos 563 quilômetros por hora. Mas, se a empresa tiver sucesso, poderá ajudar a deslocar a conversa sobre o hidrogênio da promessa teórica para uma prova de conceito em alta velocidade.

*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com

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