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O Novo Desejo do Bilionário Brasileiro: Aviões Maiores para Voar Mais Longe

O Catarina Aviation Show terminou com um recado claro ao mercado global: o Brasil virou vitrine para jatos de longo alcance

6 min

Quando uma feira cresce 20% em área física para acomodar aeronaves de aviação executiva maiores, ela deixa de ser apenas vitrine e passa a funcionar como termômetro de mercado. Foi isso que a quinta edição do Catarina Aviation Show 2026 mostrou ao reunir, no Aeroporto Executivo Internacional São Paulo Catarina, a cerca de 1 horas de São Paulo, alguns dos principais fabricantes da aviação executiva mundial e colocar no centro da cena jatos de longo alcance, cabines amplas e propostas cada vez mais alinhadas ao perfil do cliente brasileiro de alta renda. O evento era aberto apenas para convidados e terminou no último sábado (23).

A edição deste ano não foi marcada apenas pelo número de marcas ou pela diversidade de experiências. O ponto mais eloquente estava no tipo de produto que ganhou protagonismo. A canadense Bombardier escolheu o evento para apresentar, pela primeira vez na América do Sul, o Global 8000, considerado pela empresa o jato executivo mais rápido do mundo em operação e o de maior alcance em sua categoria. Mais do que isso: foi a estreia mundial do modelo em uma mostra do setor. Ao mesmo tempo, a francesa Dassault levou ao evento o Falcon 6X, outro avião claramente voltado a um cliente que quer ir mais longe, com mais conforto e menos escalas.

Essa combinação ajudou a revelar um traço importante do momento brasileiro. “Todas as marcas trouxeram seus maiores e mais modernos aviões porque o público brasileiro tem interesse por este tipo de avião”, afirmou Vinícius Vieira, diretor do Catarina Aviation Show. Segundo ele, a feira funciona justamente como ponto de encontro entre fabricantes e compradores em um mercado de decisões longas, técnicas e discretas, em que os números de venda raramente são expostos.

O ambiente ajuda a explicar por que o Brasil ganhou peso nessa indústria. Segundo análise da Airbus Corporate Jets, com base em dados das consultorias JetNet e WingX, o país concentra hoje a segunda maior frota de jatos executivos do mundo. O Catarina, assim, passou a ser mais do que um evento local: virou plataforma estratégica para fabricantes que querem falar com um mercado já maduro e cada vez mais exigente.

A Bombardier tratou isso de forma explícita. Em entrevista exclusiva à Forbes Brasil, Heron Nobre, diretor de vendas da empresa no Brasil, disse que a América Latina concentra quase 700 aeronaves Bombardier em operação e que a marca tem 28% de market share na região. Segundo ele, Brasil, México e Argentina formam o eixo mais importante desse mercado latino-americano, mas o peso brasileiro justificou até uma reorganização interna.

“Fui designado para ser o diretor do Brasil, para ficar responsável só pelo país e mais próximo dos clientes”, disse. A presença no Catarina também reforçou essa leitura. “Trouxemos três unidades para mostrar como a empresa quer mostrar o peso do Brasil”, afirmou.

Para Nobre, há uma razão objetiva para isso. “As empresas brasileiras começaram a ganhar o mundo e esse tipo de aeronave é para aquele cliente que quer fazer negócio”, disse. Segundo ele, há operadores que chegam a configurar o avião com 19 assentos, justamente para uso corporativo, no dia a dia, com espaço para trabalhar durante os deslocamentos.

O que os aviões mostraram

O Bombardier Global 8000 foi apresentado como a peça mais simbólica dessa nova etapa. A aeronave tem velocidade máxima de Mach 0,95, alcance de 8.000 milhas náuticas e preço de US$ 85 milhões. Isso permite conectar rotas como São Paulo-Perth (Austrália), São Paulo-Vancouver (Canadá) e São Paulo-Dubai.

Ao lado dele, a empresa exibiu ainda o Global 6500, com velocidade máxima de Mach 0,90 e alcance de 6.600 milhas náuticas, capaz de ligar São Paulo a Aspen, Londres e Lagos, e o Challenger 3500, com alcance de 3.400 milhas náuticas, velocidade máxima de Mach 0,83 e rotas como São Paulo-St. Maarten, El Calafate e Dakar.

A Dassault, por sua vez, levou ao evento o Falcon 6X, aeronave que também falou diretamente com esse desejo de alcance ampliado. O avião permite voar de São Paulo a Paris sem abastecer, atinge 90% da velocidade do som e oferece cabine com dois metros de altura, o que permite que os passageiros circulem em pé com mais conforto. Produzido na França e finalizado nos Estados Unidos, o modelo tem preço médio na casa de US$ 60 milhões.

Muito além dos aviões

O Catarina Aviation Show também reforçou uma característica que vem se consolidando: a de reunir, em um único espaço, diferentes expressões do consumo de alto padrão. O evento contou com 55 expositores e mais de 70 marcas, incluindo fabricantes de aeronaves, helicópteros, carros de luxo, iates e experiências voltadas ao público de alta renda.

A presença desse ecossistema ficou evidente também nas falas dos expositores. “É um evento muito importante no nosso calendário porque os públicos de carros e aviões se conversam muito”, disse Nancy Serapião, head da Lexus no Brasil e da Toyota Gazoo Racing. Segundo ela, o ambiente ajudou até a gerar negócios. A marca levou ao Catarina o mais recente lançamdno da Lexus, o RZ 500e, SUV elétrico com 381 cv, aceleração de 0 a 100 km/h em 4,6 segundos, autonomia de 357 km e recarga rápida de até 150 kW, e viu pedidos nascerem ali mesmo, antes que muitos clientes chegassem às concessionárias para testar o modelo.

Na parte náutica, o evento reuniu nomes como BYS International, com representantes de seis estaleiros globais, além de Armatti Yachts, Rise e Schaefer Yachts. No automotivo, participaram marcas como BMW, Lexus, Aston Martin e Cadillac, além da estreia da Pagani Arte com sua atuação em interiores aeronáuticos, mobiliário e projetos residenciais.

No fim, o Catarina Aviation Show 2026 serviu menos como simples exposição de máquinas e mais como retrato de um desejo muito específico do mercado brasileiro: o de voar mais longe, com mais conforto, em aeronaves maiores e mais sofisticadas. O crescimento físico da feira, as estreias globais e a escolha dos modelos expostos deixaram claro que, nesse recorte da aviação executiva, o Brasil já não é só escala. É destino prioritário.

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