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Autoridade dos EUA Manda Inspecionar Boeing 737 MAX por Risco de Assentos Se Soltarem

Administração Federal de Aviação determinou que as companhias aéreas americanas inspecionem aviões em busca de assentos instalados incorretamente

4 min

Em uma diretriz de aeronavegabilidade apresentada na última segunda-feira (27), a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) determinou que as companhias aéreas americanas inspecionem jatos Boeing 737 MAX em busca de assentos instalados incorretamente que poderiam se “desprender” de seus trilhos em uma situação de emergência.

A FAA está orientando as companhias aéreas a inspecionar jatos comerciais Boeing 737 MAX em busca de assentos de cabine fixados em trilhos que tenham sido instalados incorretamente e possam representar perigo em um pouso de emergência ou durante turbulência severa, informou o The Wall Street Journal.

A proposta de diretriz de aeronavegabilidade apresentada pela FAA nesta segunda-feira instrui as companhias aéreas americanas a realizar uma “inspeção detalhada” dos encaixes dos trilhos dos assentos em 453 jatos Boeing 737-8, 737-9 e 737-8200, o equivalente a cerca de um quinto dos mais de 2.300 aviões MAX em operação.

Isso representa mais de 80 mil assentos que precisam ser inspecionados, de acordo com a Cirium, empresa de análise do setor de aviação.

A FAA estima que até 69 assentos – mais de um terço dos assentos de cada avião – possam precisar ser reinstalados.

As companhias aéreas americanas com o maior número de jatos Boeing 737 MAX potencialmente afetados em suas frotas são a United Airlines, com cerca de 284, e a Southwest Airlines, com mais de 260, segundo dados do setor.

As ações da Boeing subiam 5% nesta terça-feira (28), após a divulgação de um balanço do segundo trimestre que mostrou prejuízos menores do que os registrados no mesmo período do ano anterior.

“Não há um indicador claro na [diretriz de aeronavegabilidade] sobre quais aeronaves da frota dessas séries são afetadas”, disse à Forbes Mike Arnot, porta-voz da Cirium. Mas, como o número médio de assentos é de aproximadamente 190 por avião, “são mais de 80 mil assentos” que precisam ser inspecionados.

Contexto

Em sua diretriz de aeronavegabilidade, a FAA afirmou ter recebido um relatório indicando que “determinados conjuntos de assentos de passageiros instalados sobre trilhos não foram corretamente fixados aos trilhos dos assentos” e que assentos instalados incorretamente “podem se desprender dos trilhos caso haja um aumento de carga, turbulência ou um pouso de emergência”.

Há menos de duas semanas, a FAA devolveu à Boeing a autoridade para realizar as aprovações finais de segurança dos aviões 737 que saem da linha de produção, quase sete anos depois de esse privilégio ter sido retirado após dois acidentes com o MAX – o voo 610 da Lion Air, na Indonésia, e o voo 302 da Ethiopian Airlines – que deixaram 346 mortos.

Os acidentes foram causados por um software defeituoso de controle automático de voo, que forçou repetidamente o nariz do avião para baixo com base em dados incorretos de sensores. Isso levou à suspensão mundial das operações e à obrigatoriedade de modificações em toda a frota de Boeing 737 MAX.

“Trabalhamos muito para conquistar essa confiança da FAA e levamos essa responsabilidade muito a sério”, disse o CEO da Boeing, Kelly Ortberg, durante a teleconferência de resultados trimestrais da empresa nesta terça-feira.

Número relevante

US$ 2,7 milhões. Esse é o valor que a FAA estima que as inspeções propostas custarão às companhias aéreas, antes de qualquer gasto com reinstalação. O cálculo considera um custo médio de US$ 85 para reinstalar cada um dos aproximadamente 69 assentos em 453 aviões.

A Boeing perdeu US$ 280 milhões no segundo trimestre – e provavelmente até US$ 2,8 bilhões no total – com seu contrato governamental de preço fixo para construir dois novos aviões presidenciais Air Force One, projeto afetado por atrasos e pelo aumento dos custos.

*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com

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