1. Início
  2. /
  3. Forbes Life
  4. /
  5. Forbes Motors
  6. /
  7. Carros Chineses Avançam na Europa e Colocam Indústria Alemã sob Pressão
Forbes Motors

Carros Chineses Avançam na Europa e Colocam Indústria Alemã sob Pressão

Marcas chinesas já respondem por quase 10% do mercado europeu, enquanto fabricantes alemãs perdem participação

5 min

A boa notícia para as montadoras europeias é que as vendas em seus mercados domésticos devem crescer um pouco em 2026. O problema é que as vendas das rivais chinesas provavelmente vão acelerar; resultado: queda de participação de mercado, desaparecimento dos lucros, fechamento de fábricas e aumento do desemprego. E a Alemanha, antes líder incontestável da indústria automobilística mundial, está na linha de frente.

Segundo a GlobalData, as vendas na Europa Ocidental – que inclui os cinco grandes mercados de Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Espanha – crescerão apenas 1,6% em 2026, para quase 12 milhões de veículos, impulsionadas pelas fortes vendas de carros elétricos, muitos deles de marcas chinesas.

Essas vendas serão lideradas por nomes como BYD, MG, da SAIC, e Jaecoo e Omoda, da Chery. Novos nomes também aparecerão, incluindo a Leapmotor, afiliada da Stellantis, e a potência Geely, que agora inclui veículos com sua própria marca, além das subsidiárias Polestar e Volvo.

A Chery está lançando sua própria marca, além de veículos elétricos menores com o nome Tiggo. A Aion, do Guangzhou Automobile Group, está ampliando as vendas no Reino Unido e depois seguirá para a Europa continental. E, caso as fabricantes premium alemãs acreditem que podem respirar aliviadas por não estarem expostas ao mercado de massa, marcas chinesas de alto padrão como Xpeng, Zeekr, NIO e Xiaomi têm outros planos para incomodar Porsche, Mercedes, BMW e Audi. China e veículos de luxo já não são mais conceitos incompatíveis.

A Fitch Ratings espera vendas de 13 milhões de veículos em toda a Europa em 2026. A BMI agora prevê uma queda de 1%, depois de inicialmente projetar alta de 2,6%. Mas o número mais importante talvez sejam os 3 milhões de vendas anuais que desapareceram desde o início da pandemia de Covid.

O impacto devastador do avanço chinês

A indústria europeia ainda está dimensionada para atender esse volume maior, embora os planos de redução de empregos na Volkswagen – 100 mil -, além de 8 mil na BMW, 9 mil na Porsche, 13 mil na Bosch e 14 mil na ZF, já contem a história do impacto devastador do avanço chinês, que está ganhando velocidade.

Os automóveis chineses representam atualmente quase 10% do mercado europeu. A consultoria global AlixPartners espera que essa participação chegue a 16% até 2030, e muitos consideram essa estimativa bastante conservadora.

O banco de investimentos UBS resume a situação desta forma: “A ascensão global das fabricantes chinesas continua sendo o principal desafio para fabricantes e fornecedores europeus em 2026. Depois da BMW, esperamos maior risco de alertas sobre lucros por parte das fabricantes alemãs devido aos custos de reestruturação. Também vemos risco de queda no desempenho subjacente das fabricantes de grande volume”, afirmou o UBS em relatório.

O Center of Automotive Management, do professor Stefan Bratzel, afirmou que, nos primeiros sete meses de 2026, o mercado de veículos elétricos na Alemanha estava em forte expansão e que as vendas no ano poderiam chegar a 850 mil unidades, impulsionadas por um número crescente de novos modelos atraentes, subsídios governamentais e preços elevados da gasolina.

Entre os novos elétricos mais acessíveis estão Renault 4 e 5 E-Tech, Citroën ë-C3, Škoda Epiq, da Volkswagen, e Fiat Grande Panda. Citroën e Fiat são marcas da Stellantis. Mas as fabricantes chinesas estão conquistando cada vez mais participação de mercado.

Marcas alemãs de elétricos caíram de 63,5% para 54,2%

“As marcas dos grupos alemães ainda dominam o mercado doméstico de veículos elétricos, mas sua participação combinada caiu de forma perceptível, de 63,5% para 54,2% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Tesla, as marcas da Stellantis e as fabricantes chinesas conseguiram aumentar significativamente suas participações nos registros de veículos elétricos a bateria, com a líder de mercado Volkswagen sendo a que mais perdeu”, afirmou Bratzel no relatório.

“Mas, mesmo considerando todos os tipos de motorização, as fabricantes chinesas estão entre as maiores vencedoras do mercado nos primeiros sete meses, enquanto fabricantes alemãs e japonesas estão perdendo participação: a BYD, por exemplo, ultrapassou a Volvo nas vendas de veículos novos na Alemanha pela primeira vez. A eletromobilidade e as novas fabricantes chinesas vão transformar permanentemente o equilíbrio de forças no mercado alemão”, segundo Bratzel.

A União Europeia precisa intervir e ajudar os europeus a lidar com uma concorrência que alguns no continente consideram injusta. “As políticas de subsídios e as regulamentações precisam ser ajustadas de acordo, para que a geração de valor ocorra predominantemente na Europa e práticas comerciais injustas sejam evitadas”, afirmou.

“Primeiro passo: restaurar a competitividade de custos”

O Industrial Accelerator Act da União Europeia, atualmente parado no Parlamento Europeu e sem previsão de ser concluído antes do próximo ano, pretende promover medidas para evitar que as montadoras locais sucumbam à crescente concorrência chinesa.

Segundo um relatório do Center of Automotive Research, do professor Ferdinand Dudenhöffer, a indústria automobilística alemã empregava 841 mil pessoas em 2018, número que deverá cair para 500 mil por volta de 2030.

“O processo de eliminação de empregos ocorrerá ao longo dos próximos anos. A avalanche está longe de atingir seu tamanho máximo – ela está apenas começando a se mover. Os próximos anos serão sombrios”, afirmou Dudenhöffer em relatório.

O que deve ser feito? “O primeiro passo é restaurar a competitividade de custos”, disse Dudenhöffer.

*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.