A estreia da Ferrari no universo dos carros totalmente elétricos acaba de ganhar um capítulo milionário. O primeiro exemplar de produção do Ferrari Luce foi vendido por US$ 40 milhões durante um leilão da RM Sotheby’s na Monterey Car Week, tornando-se o carro novo mais caro já vendido em leilão.
O resultado chama atenção pela distância em relação à estimativa inicial de US$ 1,1 milhão. A disputa levou o valor final a cerca de 36 vezes essa cifra. Todo o dinheiro arrecadado será destinado à Ferrari Foundation, organização que apoia iniciativas educacionais.
O carro vendido é identificado como “Chassis 0”, o primeiro chassi de produção do programa Luce. Depois do leilão, ele retornará a Maranello, na Itália, e a entrega ao comprador, cuja identidade não foi divulgada, está prevista para o primeiro trimestre de 2027.
Mais do que ocupar uma posição especial na linha de produção, o exemplar recebeu uma configuração exclusiva desenvolvida pelo programa Ferrari Tailor Made.
Ferrari única muda de cor conforme a luz
O Chassis 0 recebeu uma pintura Madreperla Semi-Gloss criada especificamente para o carro. A composição utiliza um pigmento exclusivo capaz de produzir reflexos iridescentes que variam do verde ao violeta conforme a intensidade e o ângulo da luz.
O acabamento semibrilhante foi desenvolvido para preservar a profundidade do efeito perolizado e, ao mesmo tempo, criar um equilíbrio entre superfícies brilhantes e foscas.
Por dentro, a Ferrari utilizou couro metálico Le Mans na tonalidade Perla, desenvolvido para o programa Tailor Made a partir de couros suíços selecionados. Pela primeira vez, elementos secundários da cabine receberam acabamento Grigio Corvara no lugar do tradicional preto.
A configuração inclui ainda rodas específicas, pinças de freio personalizadas e o logotipo da Ferrari sobre fundo branco óptico, solução desenvolvida exclusivamente para este exemplar.
Primeiro elétrico da Ferrari tem 1.050 cv
Apresentado em Roma em 25 de maio de 2026, o Ferrari Luce abriu uma nova etapa na história da fabricante de Maranello. Trata-se do primeiro modelo totalmente elétrico da marca e também de uma Ferrari com uma arquitetura inédita: são quatro portas e cinco lugares.
O carro utiliza quatro motores elétricos, um para cada roda, que entregam potência máxima combinada de 1.050 cv. O conjunto é alimentado por uma bateria de 122 kWh, desenvolvida, validada e produzida em Maranello, capaz de receber recargas rápidas de até 350 kW.
Segundo a Ferrari, o Luce acelera de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos, chega aos 200 km/h em 6,8 segundos e supera os 310 km/h de velocidade máxima. A autonomia passa de 530 km.
O sistema elétrico funciona com arquitetura de 800 volts, enquanto a suspensão ativa deriva do F80. O Luce também estreia a tração integral elétrica em um carro da Ferrari e conta com esterçamento independente das rodas traseiras.
Mesmo com bateria de alta capacidade, quatro motores e espaço para cinco ocupantes, o peso em ordem de marcha foi mantido em 2.260 kg.
Design nasceu fora do estúdio tradicional da Ferrari
Outro ponto que diferencia o Luce está em sua criação. O design foi confiado à LoveFrom, coletivo liderado por Sir Jony Ive e Marc Newson, em colaboração com o Ferrari Design Studio comandado por Flavio Manzoni.
A arquitetura elétrica permitiu abandonar algumas das limitações impostas pelos conjuntos mecânicos tradicionais da marca. O resultado inclui uma ampla área envidraçada, asas aerodinâmicas dianteiras e traseiras e rodas de tamanhos diferentes: 23 polegadas na frente e 24 atrás, as maiores combinações já utilizadas em uma Ferrari de produção em série.
A cabine mistura comandos físicos e telas digitais, com botões, seletores e interruptores mecânicos combinados a displays desenvolvidos com a Samsung Display. Entre os materiais estão alumínio anodizado reciclado, Gorilla Glass e couro. O sistema de áudio reúne 21 alto-falantes e amplificação de 3.000 W.
Luce provocou reação dos investidores
O recorde do leilão vem menos de três meses depois da apresentação do modelo. Quando a Ferrari revelou o Luce, as ações da companhia em Milão caíram cerca de 8% no dia seguinte, e se recuperando logo depois.
Ao mesmo tempo, o modelo também encontrou compradores rapidamente. Segundo as informações divulgadas, menos de três semanas após a apresentação, a produção do Luce já estava esgotada até o fim de 2027.
A procura acontece dentro de uma estratégia baseada em exclusividade. Em 2024, aproximadamente 81% das Ferraris novas foram destinadas a clientes que já possuíam um carro da marca, enquanto quase metade foi comprada por pessoas que tinham mais de uma Ferrari na garagem.