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Quanto Custa Viajar de Jato Particular e Quando a Conta Compensa

Fretamentos começam em cerca de US$ 2.500 por hora, mas taxas extras podem elevar o valor final

12 min

Christine Landis costuma pegar um jato particular de San Diego até Mammoth Mountain com dois filhos e um labrador chocolate de 80 libras. De carro, a viagem leva oito horas, incluindo as paradas necessárias quando se viaja com crianças e um cachorro grande. De avião, leva cerca de uma hora. E tempo, como se costuma dizer, é dinheiro.

“São sete horas do meu dia que estou comprando de volta”, afirma Landis, que administra uma plataforma de gestão residencial. Ela começou reservando pela Wheels Up e depois migrou para a NetJets. O custo gira em torno de US$ 9 mil por trecho.

Landis faz parte de um grupo que cresceu muito mais do que a maioria das pessoas imagina. A WingX Advance contabilizou 3,9 milhões de decolagens de jatos executivos em todo o mundo em 2025, alta de 5% e o maior total anual já registrado, superando a marca estabelecida em 2022. Naquela época, o avanço era uma história ligada à pandemia. Desta vez, não há pandemia. Há algo mais duradouro acontecendo.

Mas, antes de clicar em “Comprar”, considere o seguinte: a aviação privada hoje é vendida como um produto de consumo, mas não é regulamentada como um. Reserve um assento em uma companhia aérea comercial e alguém já verificou a empresa, o avião e os pilotos. Reserve um voo privado e esse trabalho passa a ser seu: descobrir qual é a melhor forma de comprar, quem vai pilotar e se a viagem realmente vale a pena.

Por que as viagens de jato particular estão crescendo

Alguns fatores convergiram recentemente. As empresas flexibilizaram suas políticas de viagem. Em uma pesquisa recente do Morgan Stanley com 160 gestores de viagens corporativas responsáveis por aproximadamente US$ 5 bilhões em gastos anuais, 10% relataram políticas mais permissivas para o uso de jatos particulares em 2026. O número era de 4% no meio do ano e de 2% no ano anterior. A contínua deterioração do atendimento ao cliente na aviação comercial ajudou a elevar esse percentual.

Washington também ajudou. A chamada One Big Beautiful Bill restaurou a depreciação bônus de 100% para aeronaves privadas, um tratamento tributário que, segundo o American Economic Liberties Project, está impulsionando a aviação particular. Seu relatório mais recente contabilizou um recorde de 348 mil decolagens de jatos privados no mundo em um único mês, cerca de 70% delas nos Estados Unidos.

E reservar um jato particular ficou fácil – muito fácil. “A tecnologia eliminou o atrito na reserva que costumava ser a verdadeira barreira, e não apenas o preço”, afirma Joshua Lowton, presidente da Surf On Demand, da Surf Air Mobility. “Quando alguém consegue ver as aeronaves disponíveis, obter preços transparentes e reservar em minutos, em vez de passar horas em telefonemas, o voo privado se torna uma comparação prática com um voo comercial lotado e com conexões.”

A receita de fretamentos sob demanda da Surf Air chegou a US$ 10,1 milhões no primeiro trimestre de 2026, salto de 77% e o melhor trimestre da operação desde seu lançamento.

Em junho, a Wheels Up tornou-se a primeira cliente externa do software para corretores da Surf Air, em um acordo de até US$ 12 milhões. Lowton afirma que as aeronaves elétricas serão o próximo passo, com o ALIA, da BETA, realizando voos de demonstração no Havaí.

Quanto custa um jato particular por hora?

Se você está calculando o orçamento de um fretamento, o preço por hora depende do tamanho da aeronave. Espere pagar entre US$ 2.500 e US$ 5 mil por hora por um jato leve, com capacidade para até sete passageiros. Jatos de médio porte custam entre US$ 4 mil e US$ 8 mil por hora e oferecem mais espaço na cabine e maior alcance. Se você precisar de um jato pesado ou de ultralongo alcance para voos entre regiões distantes do país ou internacionais, as tarifas começam em cerca de US$ 8 mil e podem ultrapassar US$ 15 mil por hora.

Esses valores básicos não incluem toda a conta. É preciso considerar impostos federais, taxas de pouso, despesas de pernoite da tripulação e custos de reposicionamento caso o operador precise deslocar uma aeronave sem passageiros para chegar até você.

Especialistas afirmam que é importante obter por escrito um orçamento com todos os custos incluídos para entender o valor total antes de assinar um contrato.

Opções de jatos particulares: fretamentos, jet cards e associações

Se você está pensando em trocar as companhias aéreas comerciais por viagens em jatos particulares, há muitas opções.

Fretamento sob demanda. Você reserva uma aeronave específica para uma viagem específica. Não há contrato de longo prazo, taxa de adesão nem compromisso prolongado. “Quem está voando pela primeira vez deveria começar pelo serviço sob demanda por causa da flexibilidade que ele oferece”, afirma David Gitman, CEO da Monarch Air Group, em Fort Lauderdale, na Flórida.

Jet cards. Você paga antecipadamente por horas de voo a uma tarifa fixa. A Sentient Jet criou esse formato em 1999. “Os proprietários dos cartões compram horas de voo por um valor fixo por hora, com disponibilidade garantida, sem custos ocultos e com horas que nunca expiram”, afirma Alan Walsh, presidente da empresa.

Associações. Taxas anuais ou mensais dão acesso a uma frota e, normalmente, a preços melhores.

Propriedade fracionada e copropriedade. Você compra uma participação em uma aeronave. A Partners in Aviation reúne dois proprietários em um único avião, em vez de dezenas. “Nosso foco está em operadores que voam entre 50 e 150 horas por ano”, afirma Mark Molloy, presidente da empresa.

Por assento. Você compra um único assento em um voo programado que parte de um terminal de aviação geral. A JSX opera jatos de 30 lugares sob regras de fretamento público. A Cirrus Aviation Services lançou a Theos para atingir o mesmo tipo de cliente. “Havia um segmento crescente de viajantes que valorizava a eficiência e a experiência personalizada da aviação privada, mas que não precisava, ou não queria, fretar uma aeronave inteira”, afirma Eric Grilly, presidente da empresa.

Jet cards e associações normalmente exigem uma compra mínima, frequentemente de 25 horas por ano ou mais. “Usuários ocasionais não se beneficiam dos cartões”, afirma McLean Robbins, fundadora da agência de viagens Lily Pond Luxury. A maioria de seus clientes reserva fretamentos individuais.

Irakli Litanishvili, cofundador da Mirai Flights, vai além. Não compre primeiro um pacote de horas, aconselha. Isso prende você a um ou dois tipos de aeronave, de modo que uma viagem que exija algo maior, menor ou um turboélice para pousar em um aeroporto pequeno acaba custando mais. Primeiro, conheça o mercado.

Como verificar o histórico de segurança de um operador de jato particular

A maioria das empresas que vende um voo privado não é dona do avião. Elas são corretoras. Por exemplo, embora a Surf Air Mobility possua aeronaves que operam em seus serviços comerciais regulares da Mokulele Airlines e da Southern Airways Express, ela informa em seu site que não opera as aeronaves do serviço On Demand.

Existe uma diferença entre a marca que aparece na sua fatura e a empresa cujos pilotos realmente vão transportá-lo, e isso levanta uma questão importante sobre segurança.

“As pessoas frequentemente colocam toda a aviação privada no mesmo grupo, o que é enganoso”, afirma Greg Raiff, CEO da Elevate Jet. “Se você está falando de pilotos de fim de semana voando pequenos aviões, a taxa de acidentes é significativamente maior do que na aviação comercial. Ponto final: a aviação comercial ainda é o padrão-ouro. Mas, se você está falando de jatos executivos operados profissionalmente, com tripulações profissionais, o histórico de segurança é excelente.”

A verdadeira divisão não é entre aviação privada e comercial. É entre operadores consolidados e administrados profissionalmente por especialistas em aviação e empresas improvisadas, nas quais o piloto é o proprietário e o proprietário também representa toda a equipe administrativa. Menos de 5% dos operadores possuem a certificação independente de segurança de mais alto nível do setor, e apenas um pequeno número deles manteve um histórico de segurança perfeito ao longo de três décadas. É nesse grupo que vale a pena prestar atenção.

A divisão regulatória ocorre entre a Parte 135 e a Parte 91. A Parte 91 corresponde à aviação geral, e operadores enquadrados nela não têm licença para transportar passageiros mediante pagamento. Os requisitos operacionais da Parte 135 são menos rigorosos do que os da Parte 121.

“A maioria dos acidentes com aeronaves pequenas acontece sob a Parte 91”, afirma Bob Bacheler, diretor administrativo da Flying Angels, empresa de transporte médico da Filadélfia que transporta dezenas de clientes por ano em jatos particulares.

Auditorias independentes, como ARGUS, Wyvern e IS-BAO, ajudam a reduzir essa diferença ao avaliar operadores acima dos requisitos mínimos da FAA.

“Considere fornecedores de fretamento que passem por auditorias independentes”, afirma Susan Sherren, fundadora da Couture Trips. “Priorize a aeronave e as credenciais da tripulação em vez de comodidades ou cardápios. Luxos como caviar não substituem padrões sólidos de segurança e qualificações profissionais.”

Por exemplo, a Surf On Demand recebeu em março a certificação ARGUS Certified Charter Broker. Existem mais de 400 operadores certificados pela ARGUS. Há 16 corretoras certificadas.

Raiff tem um teste prático. Pergunte a uma corretora quem é seu diretor de segurança e depois pesquise o nome dessa pessoa. “Mais vezes do que você imagina, descobrirá que essa pessoa também é o diretor de marketing.”

Quando voar de jato particular faz sentido

Você está dividindo o custo. Divida o valor do fretamento entre quatro e oito pessoas e o custo por passageiro cai, especialmente quando comparado à compra de várias passagens em classe executiva.

As companhias aéreas não voam para onde você precisa ir. As empresas regulares atendem menos de 500 aeroportos nos Estados Unidos. Aeronaves privadas podem utilizar mais de 5 mil. Pousar a dez minutos de uma cidade pequena é melhor do que voar até um grande hub e depois dirigir por duas horas.

Você pode transformar uma viagem de dois dias em apenas um. A economia aparece na diária de hotel que deixa de ser necessária e no dia de trabalho que você não perde caso consiga ir e voltar no mesmo dia.

Quando voar de jato particular não faz sentido

Você está tratando a experiência apenas como um upgrade. Landis, que voa regularmente em aviões privados, estabelece seu próprio limite: “Não voamos de forma privada quando há um voo comercial direto e confiável disponível.”

Você está perseguindo uma fantasia. Quem voa pela primeira vez espera luxo e encontra logística. “O que realmente impressiona é chegar 15 minutos antes da partida, caminhar diretamente até o avião e estar no ar em poucos minutos”, afirma Lowton.

Você não analisou a aeronave. Litanishvili afirma que as duas coisas que você mais perceberá são a altura da cabine e o espaço para bagagem. A cabine de um Citation Mustang tem cerca de 1,3 metro de altura, então é preciso se curvar. Um Global 7500 tem 1,8 metro e até um quarto.

O orçamento que você está comparando não é necessariamente o preço que pagará. Bacheler ainda se lembra de seu primeiro fretamento e da taxa de US$ 350 pelo serviço de alimentação que ninguém havia mencionado.

Como reservar um voo privado da maneira correta

Pergunte quem opera o voo, e não quem o vendeu. Peça o nome do titular do certificado e o número de cauda, ou seja, o registro da aeronave. Kate Scott, vice-presidente da SELECT Private Jets by Internova, destaca que as corretoras de fretamento aéreo são obrigadas a informar quem é o operador.

Exija por escrito um orçamento com todos os custos incluídos. Sobretaxas de combustível, alimentação, degelo, taxas de pouso e atendimento em solo, reposicionamento, pernoites e impostos podem se acumular em uma viagem privada. Scott afirma que todo custo previsível deve estar incluído no orçamento para que você possa comparar propostas equivalentes.

Confira a auditoria independente, não o site. Pesquise os relatórios da ARGUS, Wyvern ou IS-BAO. Um aplicativo bem desenvolvido não prova nada sobre um programa de manutenção.

Confirme o limite de bagagem antes de reservar. A capacidade varia de acordo com a aeronave, o número de passageiros e a rota. Esse é o erro mais comum entre quem viaja pela primeira vez, e as restrições de bagagem são mais rígidas do que muitos passageiros esperam.

Pergunte o que acontece se o avião apresentar problemas. O que ocorre se seu voo atrasar por uma falha mecânica? Robbins afirma que sua corretora vende uma cobertura que garante uma aeronave substituta equivalente ou superior.

Leia as condições de cancelamento antes de transferir qualquer dinheiro. A maioria dos fretamentos é paga por transferência bancária, o que significa que não existe a proteção de estorno oferecida pelos cartões.

Pergunte sobre os “empty legs” se suas datas forem flexíveis. Voos de reposicionamento são vendidos por preços mais baixos. Mas também podem desaparecer quando o itinerário principal muda.

A aviação privada vende a ideia de liberdade e, para a viagem certa, realmente entrega isso. Mas também transfere para você uma responsabilidade que normalmente pertence à companhia aérea. Ninguém verifica o operador em seu nome e ninguém garante a disponibilidade de uma aeronave ou tripulação reserva. É algo que vale considerar antes de reservar seu próprio jato.

*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com

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