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A Única Montadora Que Assina a Atração Mais Rápida da Disney e Mostra a Evolução dos Carros

Criada em parceria com a GM, Test Track mostra como o automóvel evoluiu e antecipa tecnologias que já começam a chegar às ruas

6 min

Há poucas maneiras de contar mais de um século de evolução do automóvel em alguns minutos. A General Motors encontrou uma delas dentro da Disney. No EPCOT, em Orlando, nos Estados Unidos, a Test Track é a única atração do complexo assinada por uma montadora e funciona há décadas como uma vitrine da transformação da mobilidade.

Depois de 13 meses fechada para reforma, ela reabriu em 22 de julho de 2026 com uma proposta diferente: em vez de mostrar apenas como um carro é testado, passou a contar uma história que começa nos primeiros conceitos de transporte, atravessa sensores, eletrificação e direção automatizada e termina imaginando como as pessoas poderão se deslocar no futuro.

A relação entre GM e Disney começou antes mesmo da Test Track. Em 1982, quando o EPCOT foi inaugurado, as duas empresas criaram a World of Motion, uma atração que percorria a história dos transportes com cenários, personagens animatrônicos e uma leitura bem-humorada da evolução da mobilidade.

No fim dos anos 1990, esse conceito mudou. O público estava cada vez mais interessado em tecnologia e desempenho, e a World of Motion deu lugar à primeira Test Track, inaugurada em 1999. O visitante deixava de apenas observar a história do automóvel para ocupar, simbolicamente, o lugar de um piloto de testes.

A experiência reproduzia situações inspiradas nos centros de desenvolvimento da GM: frenagens, variações ambientais, avaliações de segurança e, no fim, um percurso externo a 105 km/h. Até hoje, é a atração mais rápida do Walt Disney World.

De crash tests ao futuro da mobilidade

Em 2012, a Test Track foi novamente reformulada. A principal novidade era a possibilidade de o visitante criar digitalmente seu próprio veículo antes de entrar no percurso. Era uma maneira de traduzir para a atração uma indústria que começava a incorporar cada vez mais software, personalização e telas.

A versão de 2026 muda novamente o foco. A fila já faz parte da experiência. São seis exposições que percorrem projetos, veículos-conceito e ideias desenvolvidas pela GM ao longo das décadas. O objetivo é mostrar que muitas das tecnologias que hoje fazem parte de carros de produção começaram como experimentos de engenharia e design.

Entre os exemplos apresentados estão projetos como o Astro III e plataformas que já antecipavam conceitos de autonomia e arquiteturas elétricas. Depois, a atração passa do passado para o presente. Em uma das cenas, sensores e câmeras mostram como um automóvel interpreta o ambiente ao redor. Uma instalação com mais de 29 mil pontos de luz tenta traduzir visualmente o funcionamento desse tipo de tecnologia.

Uma garagem que ainda não existe

Uma das principais mudanças está na chamada “Garage of the Future”. Nela, Disney e GM usam projeções para inserir os visitantes em veículos imaginados para diferentes tipos de uso. São quatro conceitos: estrada, competição, trabalho e aventura.

Os projetos foram desenvolvidos pela equipe de design da GM, mas não representam modelos que serão necessariamente produzidos. A intenção é partir de soluções existentes hoje e avançar alguns passos.

O conceito de estrada imagina como pode evoluir um carro voltado para longas viagens. O de competição parte das tecnologias do automobilismo. Já os veículos de trabalho e aventura exploram outras possibilidades de uso.

Para criar a cena, a Disney recuperou inclusive um recurso antigo. O chamado Pepper’s Ghost, efeito visual usado há décadas em atrações como a Haunted Mansion, foi combinado com sistemas de projeção para colocar o visitante virtualmente dentro desses carros.

No trecho final, a experiência avança ainda mais no tempo. Uma cidade projetada em grande escala apresenta diferentes formas de transporte e inclui até um veículo voador. Para desenvolvê-lo, a GM usou como ponto de partida conceitos estudados pela Cadillac (que faz parte do grupo) para mobilidade aérea.

DivulgaçãoUma cidade projetada em grande escala apresenta diferentes formas de transporte e inclui até um veículo voador

Dos conceitos para os carros que estão nas ruas

A história não acaba quando o veículo da atração para. Na saída, o visitante passa pela sala dedicada ao Corvette e chega a um showroom da General Motors. Ali, a ficção da atração encontra produtos reais.

A exposição reúne carros elétricos e modelos a combustão das marcas do grupo e funciona como uma extensão da narrativa vista durante o percurso. É também onde aparecem as novidades elétricas da Cadillac, marca de luxo pertencente à GM que passou a operar oficialmente no Brasil.

Quando uma atração vira vocação

Há uma história curiosa que mostra o alcance dessa vitrine. John McDougall tinha cerca de 10 anos quando visitou o EPCOT e entrou na Test Track pela primeira vez. A experiência fez com que começasse a desenhar carros e imaginar como seriam os veículos do futuro.

Anos depois, ele entrou justamente na General Motors. Hoje, como gerente de produto e mobilidade da equipe de design industrial da GM, McDougall participou do desenvolvimento da nova versão da mesma atração que conheceu quando criança.

O trabalho levou menos de dois anos entre os primeiros desenhos e a nova Test Track pronta. Designers de veículos, arquitetos e profissionais gráficos da GM trabalharam ao lado dos imagineers da Disney na criação dos carros-conceito, cenários e efeitos.

Alguns detalhes funcionam como brincadeira para os visitantes mais atentos. O antigo logotipo da World of Motion foi escondido em diferentes pontos da atração, enquanto números aplicados a modelos em escala fazem referência a datas importantes para integrantes da equipe de design e até às coordenadas do centro de design da GM.

A grande atração da Test Track talvez esteja aí. A velocidade de 105 km/h continua sendo parte importante da experiência, mas o assunto principal nunca foi apenas andar rápido. A cada reformulação, a Disney usa o automóvel para contar como uma geração imaginava o futuro. E, em 2026, esse futuro tem baterias, sensores, carros que interpretam o ambiente — e até alguns que ainda nem existem.

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