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O Range Rover Mais Luxuoso Ganha Versão 100% Elétrica sem Mudar de Aparência

Primeiro Range Rover Electric estreia com dois motores elétricos que entregam 550 cv

7 min

O Range Rover elétrico não quer parecer elétrico. A marca britânica revelou o primeiro Range Rover Electric, versão 100% elétrica de seu SUV mais luxuoso, com uma estratégia visual clara: mudar a tecnologia sem romper com a imagem do modelo. A carroceria mantém a identidade já conhecida das versões a combustão e híbridas, enquanto as alterações aparecem em pontos funcionais, como grade frontal otimizada para aerodinâmica, rodas específicas e ajustes na parte inferior do veículo para ampliar a eficiência em rodovias.

A lógica segue o princípio definido pela própria marca: ser primeiro um Range Rover e só depois um elétrico. Em vez de criar uma ruptura estética para marcar a chegada da bateria, o modelo preserva proporções, linguagem de design e presença visual próximas às demais versões da linha. A mudança principal está no conjunto mecânico.

O lançamento marca uma nova etapa para a Range Rover, que passa a oferecer seu SUV de luxo com propulsão elétrica sem abandonar a mesma arquitetura usada por versões mild-hybrid, híbridas plug-in e a combustão. Todos são produzidos em Solihull, no Reino Unido, onde a marca fabrica o Range Rover desde 1970.

“Range Rover Electric é resultado de uma década de engenharia e desenvolvimento tecnológico”, afirma Martin Limpert, diretor-geral da Range Rover. Segundo ele, a propulsão elétrica se encaixa na proposta do modelo por ampliar a sensação de silêncio e refinamento a bordo, sem comprometer a capacidade fora de estrada associada à marca.

A parte técnica

O primeiro Range Rover elétrico usa dois motores elétricos de 260 kW cada. Juntos, eles entregam até 550 cv e 850 Nm de torque, números que colocam a versão elétrica em um patamar próximo ao desempenho de um V8, mas com funcionamento mais silencioso e resposta imediata.

A bateria tem 118,5 kWh de capacidade útil, arquitetura de 800 volts e tecnologia de carregamento dividido. Em carregadores rápidos de corrente contínua de 350 kW, o SUV pode ir de 10% a 80% em cerca de 22 minutos. Em 10 minutos, é possível adicionar até 220 km de autonomia, segundo o padrão europeu WLTP.

A autonomia máxima homologada pelo ciclo WLTP é de até 599 km. A marca também informa uma autonomia real estimada de até 535 km. A aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 4,3 segundos, enquanto a retomada de 80 km/h a 121 km/h ocorre em 2,7 segundos.

A Range Rover também destaca o sistema de gerenciamento de tração. O Integrated Traction Management controla a velocidade dos motores em até 50 milissegundos, resposta até 100 vezes mais rápida do que em um equivalente com motor a combustão. O sistema trabalha com o Intelligent Driveline Dynamics, que pode variar o envio de torque ao eixo traseiro de 100% a zero para evitar perda de aderência.

Mesmo elétrico, o modelo preserva números associados ao uso fora de estrada. A capacidade de imersão é de até 900 mm. O modo de condução com apenas um pedal ajuda o veículo a sair suavemente em inclinações de até 33 graus e também a enfrentar subidas de até 45 graus em movimento.

A engenharia incluiu ainda o sistema ThermAssist, voltado à gestão térmica, com impacto em autonomia, velocidade de recarga, durabilidade da bateria e desempenho em temperaturas extremas. Segundo a marca, a tecnologia pode adicionar até 40 km de alcance e reduzir em 40% o uso de energia para aquecimento.

O Range Rover Electric passou por testes físicos equivalentes a mais de 1,5 milhão de quilômetros, além de mais de 250 mil horas de simulações virtuais. A validação ocorreu em ambientes como o frio de Arjeplog, na Suécia, o calor do deserto de Dubai e a pista de Eastnor Castle, no Reino Unido. Ao todo, mais de 300 pedidos de patente foram registrados para o modelo, o maior número já associado a um único Range Rover.

Luxo elétrico sem ruptura visual

A decisão de manter o desenho próximo ao das versões a combustão reforça a forma como a Range Rover quer conduzir sua eletrificação. O carro não tenta parecer um protótipo futurista nem se afastar da identidade do SUV original. A grade frontal fechada e os ajustes aerodinâmicos existem para melhorar eficiência, mas não mudam a leitura imediata do modelo.

Essa estratégia já havia aparecido na prévia do Range Rover Sport Electric, apresentada em um evento privado durante o Festival of Speed de Goodwood, no Reino Unido. Na ocasião, a Forbes Brasil teve acesso ao carro de perto. O Sport elétrico também preservava a carroceria musculosa e as proporções conhecidas das versões a combustão e híbrida, com a grade frontal fechada como diferença mais evidente.

A First Edition terá configuração específica, com opções de carroceria nas cores Belgravia Green, Santorini Black ou Varesine Blue, além de interior Light Cloud com materiais Ultrafabrics PU e Kvadrat. O serviço Bespoke também estará disponível, com opções ampliadas de pintura, materiais, combinações de cores e bordados personalizados.

Produção no Reino Unido

A chegada do Range Rover Electric também exigiu uma transformação industrial. A fábrica de Solihull recebeu investimentos em manufatura avançada, digitalização e capacitação em eletrificação. Segundo a JLR, 9.000 funcionários da unidade foram treinados para essa nova fase, além de outros 1.500 profissionais em outras operações de West Midlands.

A produção também será apoiada pelo Electric Propulsion Manufacturing Centre, em Wolverhampton, que agora fabrica baterias e unidades de propulsão elétrica, além de motores a combustão. A primeira etapa de reforma da unidade envolveu 40 mil metros quadrados, quatro anos de planejamento, engenharia, construção e comissionamento, 13 linhas de produção para baterias e unidades elétricas, nove quilômetros de transportadores e 182 quilômetros de cabos de energia e dados.

Cada célula de bateria passa por teste de desempenho antes de ser inserida no conjunto, que também é avaliado antes da instalação no veículo em Solihull. O Range Rover Electric terá garantia de oito anos ou cerca de 160 mil km para o sistema de propulsão elétrica.

Quanto custa

Por enquanto, só foram divulgados os preços para o Reino Unido. A versão EV550 Autobiography de distância entre eixos curta parte de US$ 209 mil. O valor é US$ 63 mil superior ao da versão D300 diesel SE de entrada naquele mercado.

A First Edition começa em US$ 213 mil. Já a gama SV parte de US$ 239 mil e ultrapassa US$ 305 mil nas versões SV Black e SV Ultra de distância entre eixos longa.

A Range Rover ainda não divulgou o preço oficial para o Brasil nem os dados de autonomia medidos pelo Inmetro. No Reino Unido, as encomendas já estão abertas.

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