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A Caoa Chery Quer Conquistar o Mercado Premium; os CEOs Revelam o Plano

Com o Tiggo 9, grupo aposta em produto, pós-venda e experiência para atrair clientes hoje concentrados nas marcas tradicionais

7 min

A Caoa Chery passou anos construindo volume. Agora, quer subir de andar. A chegada do Tiggo 9 representa a tentativa mais clara da empresa de avançar sobre um consumidor que, até pouco tempo, dificilmente colocaria um Caoa Chery na mesma lista de compras de SUVs de marcas mais tradicionais. O novo modelo estreia justamente com a missão de romper esse limite.

“O Tiggo 8 era o ápice. Ele tinha ali o seu limite. Agora, com o Tiggo 9, a gente quebrou essa régua”, disseram os executivos em entrevista à Forbes Brasil. “A gente consegue atingir esse público ainda mais seletivo, ainda mais luxuoso.”

A estratégia é liderada pelos irmãos Carlos Alberto de Oliveira Andrade Filho e Carlos Philippe Luchesi de Oliveira Andrade, copresidentes do grupo criado pelo pai deles em 1979.

O plano vai além de simplesmente colocar um carro maior nas concessionárias. A empresa quer usar produto, rede e pós-venda para disputar clientes de uma faixa em que reputação e experiência de propriedade pesam tanto quanto potência ou equipamentos.

O produto que rompe a barreira

Apresentado no Salão Internacional do Automóvel de São Paulo em novembro de 2025, o Tiggo 9 chega agora à rede em duas configurações com tração integral: uma com motor 2.0 turbo a gasolina e outra híbrida plug-in.

Na prática, o SUV entra em um território ocupado por modelos como Jeep Commander, GWM Haval H9 e Toyota SW4. Na configuração eletrificada, passa a disputar atenção também com BYD Atto 8, GAC GS9 e GWM Wey 07.

É justamente aí que está parte da agressividade da estratégia. Em vez de criar uma marca separada para tentar avançar no premium, a Caoa Chery leva seu próprio nome a uma faixa superior e aposta em conteúdo técnico e equipamentos para diminuir a distância percebida em relação a concorrentes mais estabelecidos.

“Esse é o objetivo desse produto: quebrar essa barreira que a marca tinha com o Tiggo 8 e trazer novos clientes para a marca, principalmente clientes do topo da pirâmide”, afirmaram os executivos.

428 cv e sete lugares

O argumento começa pela ficha técnica. O Tiggo 9 é o primeiro modelo da marca no Brasil desenvolvido sobre a plataforma modular T2X. São 4,81 metros de comprimento, 1,925 metro de largura, 1,741 metro de altura e 2,8 metros de entre-eixos, com três fileiras e capacidade para sete ocupantes.

A versão a combustão usa motor 2.0 turbo de 224 cv e 36,7 kgfm, transmissão automática de oito marchas e tração integral. Há sete modos de condução.

Na híbrida plug-in, o sistema combina um motor 1.5 turbo com três motores elétricos. O conjunto entrega 428 cv e 59,2 kgfm, também com tração integral. A bateria de 34,46 kWh permite até 108 km de autonomia elétrica pelo padrão PBEV do Inmetro. A lista de equipamentos ajuda a explicar para onde a marca quer levar o produto.

Há central multimídia de 15,6 polegadas, câmera 540°, head-up display, carregador por indução de 50 W, sistema Sony com 14 alto-falantes, bancos dianteiros com aquecimento, ventilação e massagem, além de dez airbags e assistente de estacionamento autônomo.

A segunda fileira também recebe ajustes elétricos, aquecimento, ventilação e cortinas de proteção solar. Não é um pacote montado apenas para aumentar a lista de itens. É a forma escolhida pela Caoa Chery para tentar competir em uma faixa na qual a marca reconhece que ainda precisa conquistar outro perfil de consumidor.

Menos logo, mais produto

Os dois executivos acreditam que o próprio comportamento do comprador premium está mudando. “A gente vê que é um público que hoje está mais disposto a abrir mão dessas marcas que antes tinham esse glamour e olhar mais para o produto em si”, afirmaram.

Na avaliação dos irmãos, a compra passou a envolver uma comparação mais racional de conteúdo. “Ele está olhando produto por produto e não simplesmente pelo glamour da marca.”

Essa é uma aposta importante para a Caoa Chery. Marcas tradicionais do premium carregam décadas de construção de imagem, desejo e valor residual. A empresa tenta encurtar parte dessa distância oferecendo tecnologia, potência, espaço e equipamentos em um mesmo pacote.

O desafio é descobrir até que ponto isso é suficiente para convencer quem sempre comprou pelo emblema.

Premium não termina na venda

A própria Caoa Chery reconhece que produto sozinho não resolve a equação. “O cliente investe em pós-vendas. É muito importante ter toda essa experiência ao redor da cadeia inteira”, disseram os executivos. “Não só no produto, mas também na experiência completa do carro.”

A preparação para o Tiggo 9, segundo eles, começou antes do lançamento. Entre 2024 e 2025, a companhia investiu mais de R$ 100 milhões em um centro próprio de distribuição de peças. De acordo com os executivos, a estrutura opera com índice de atendimento próximo de 99%.

“A gente está preparado para servir nossos clientes e entregar a melhor experiência possível de pós-vendas”, afirmaram. Esse talvez seja um dos pontos mais sensíveis da estratégia.

No premium, vender o automóvel é apenas o começo de uma relação que inclui manutenção, disponibilidade de peças, atendimento e velocidade na resolução de problemas. É justamente nessa etapa que uma marca em ascensão precisa provar que consegue sustentar a promessa feita na concessionária.

Testado para o Brasil

A adaptação local também faz parte da tentativa de reduzir essa distância. Antes da chegada ao mercado, nove protótipos do Tiggo 9 percorreram mais de 200 mil quilômetros em rodovias, cidades e trechos sem pavimentação, além de diferentes condições de altitude e temperatura.

Os motores também passaram por mais de 900 horas contínuas de ensaios de durabilidade em bancada. Texto colado

A calibração do motor 2.0 e da transmissão de oito marchas ficou a cargo da engenharia da Caoa com fornecedores locais. Na versão PHEV, o trabalho foi realizado conjuntamente pelas equipes brasileira e chinesa.

Isso ajuda a colocar o Tiggo 9 dentro de uma estratégia mais ampla da empresa: usar uma base global da Chery, mas aumentar a participação brasileira no desenvolvimento e adaptação dos produtos.

Uma empresa de R$ 8 bilhões em investimentos

A subida de posicionamento ocorre paralelamente a uma expansão industrial. O plano de investimentos da Caoa, inicialmente estimado em R$ 3 bilhões, recebeu mais R$ 5 bilhões e chegou a R$ 8 bilhões para os próximos cinco anos. Os recursos serão destinados à modernização da fábrica, desenvolvimento tecnológico e expansão da operação.

Atualmente, a empresa afirma reunir mais de 10 mil funcionários diretos e quase 40 mil indiretos. Para os irmãos, administrar uma estrutura desse tamanho passa por manter uma cultura comum.

“A gente vê que a cultura da empresa está muito forte. Então, isso facilita a nossa gestão. A gente tem que ter essa cultura bem estabelecida e direcionada para o mesmo objetivo.”

Há também um histórico recente de crescimento sobre o qual construir essa nova etapa. Em julho, o Tiggo 5x atingiu a marca de 100 mil unidades produzidas e comercializadas no Brasil. A demanda pelo modelo foi um dos fatores que levaram à expansão da fábrica de Anápolis.

O Tiggo 9 tem outra tarefa. Não precisa apenas aumentar volume. Precisa descobrir até onde a Caoa Chery consegue levar sua própria marca.

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