Um plano controverso do presidente da Fifa, Gianni Infantino, para vender uma participação de até 20% na Copa do Mundo precisará dos votos favoráveis de 106 federações para se tornar realidade. No entanto, os 55 membros europeus já afirmaram que são firmemente contrários à proposta, enquanto dezenas de outros manifestaram sérias preocupações, dificultando o caminho para a obtenção da maioria.
A Fifa afirmou que pretende levantar cerca de US$ 4,2 bilhões neste ano com a venda de uma participação minoritária de 20% em uma nova subsidiária, chamada FIFA Forward Enterprise, avaliada em US$ 20 bilhões.
O acordo provocou críticas significativas de torcedores, analistas e outras entidades que administram o futebol. Eles afirmam que o esporte “não pertence à Fifa para ser vendido” e demonstram preocupação de que investidores possam pressionar pela maximização das receitas.
O próprio processo também enfureceu as confederações de futebol, que afirmam que a proposta foi desenvolvida sem consultar os grupos que serão afetados. Carlos Cordeiro, um importante assessor de Infantino, renunciou nesta sexta-feira (31) em protesto contra a proposta.
Infantino precisará da maioria dos votos dos 211 membros da Fifa – pelo menos 106 – para que sua proposta avance. Os 55 integrantes da Uefa já confirmaram que votarão unanimemente contra o plano e boicotarão todas as competições da Fifa em protesto.
A Concacaf, responsável pelo futebol na América do Norte, América Central e Caribe, indicou que seus 35 votos também poderão ser contrários à proposta, depois de manifestar “profundas preocupações com a falta do devido processo”.
A Confederação Asiática de Futebol se juntou às outras duas entidades na sexta-feira ao criticar a proposta. Embora seus 41 votos não estejam necessariamente definidos, um alto dirigente do futebol disse ao The Telegraph que a intervenção da entidade representou o “golpe fatal” para o acordo. “Está morto e enterrado”, disse ao The Telegraph um dirigente que não foi identificado.
Número relevante
Centro e trinta e um. Esse é o número de votos que as entidades indicaram que poderão ser contrários ao acordo de Infantino, impedindo sua aprovação. Nenhuma federação integrante da Fifa declarou publicamente que votará a favor, mas algumas – como a Federação Australiana de Futebol e a Federação de Futebol da Nova Zelândia – ainda não se posicionaram publicamente.
Contexto
De acordo com o plano, anunciado pela Fifa na terça-feira, cada uma das 211 federações receberia US$ 20 milhões em financiamento, e os repasses anuais aos membros continuariam aumentando até 2038, informou a organização.
A Fifa afirmou que continuaria sendo a principal proprietária da nova subsidiária e manteria o controle sobre o calendário de competições e partidas, além das decisões de governança e regulamentação.
O grupo de investidores seria liderado pela Thrive Eternal, fundo criado pela Thrive Capital, de Josh Kushner. Uma reportagem do The Times afirmou que o novo plano poderia transformar Infantino em comissário ou diretor-executivo da nova empresa depois que seu mandato como presidente da Fifa terminar, em 2031, o que poderia lhe garantir um salário de dezenas de milhões de dólares.
O que vem a seguir
As federações integrantes da Fifa devem votar o plano até 19 de setembro. O primeiro-ministro britânico Andy Burnham teria pedido na sexta-feira que Infantino renunciasse, depois de o governo britânico apoiar a decisão da Uefa de boicotar as competições. Burnham afirmou que o plano deixou claro que Infantino “é o homem errado para liderar a organização”.
O apresentador britânico Piers Morgan, que afirmou ter considerado Infantino no passado “uma força positiva para o futebol”, também pediu sua renúncia.
“Sua tentativa gananciosa e sórdida de vender a Copa do Mundo ultrapassa todos os limites”, disse Morgan.
Outro ponto
Um documento da Fifa publicado na sexta-feira revelou que a entidade também considera ampliar a Copa do Mundo para 64 seleções, em vez das atuais 48.
A Fifa encomendou a uma organização independente um estudo sobre a possibilidade de expansão na Copa do Mundo de 2030, e as conclusões devem ser apresentadas em 11 de setembro.
Especialistas observaram que a ampliação do torneio beneficiaria consideravelmente os investidores privados que Infantino pretende atrair. Eles comprariam uma participação no negócio comercial que engloba direitos de transmissão, patrocínios, venda de ingressos e licenciamento.
Mais jogos significariam mais ingressos vendidos, direitos de transmissão mais caros, contratos de patrocínio de maior valor e uma audiência global maior, o que, por sua vez, beneficiaria os investidores.
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com