A Fórmula 1 acelera cada vez mais em busca do público premium. Desde que a Liberty Media comprou a categoria mais importante do automobilismo, processo concluído em 2017, duas vertentes de negócios ficam cada vez mais claras: rejuvenescimento do público e experiências exclusivas para fãs do segmento premium.
Diretor executivo e presidente do Formula One Group, o italiano Stefano Domenicali relatou à revista “Autosprint” alguns dos movimentos estratégicos que a categoria pretende realizar em busca de mais receitas.
Um dos pontos principais é o aumento na oferta de pacotes de hospitalidade no Paddock Club. A criação de experiências ainda mais exclusivas é o próximo passo. Um dos modelos que estão sendo oferecidos nesta temporada é o Outlap. O pacote é uma parceria com a LVHM (empresa criada com a fusão dos grupos Möet Hennessy e Louis Vouitton) que oferece jantar de luxo para doze convidados, servido num contêiner especialmente adaptado que circula pela pista.
Ao preço de 10 mil euros por pessoa, o produto estreou com sucesso no Grande Prêmio da Bélgica e deve ser oferecido em mais etapas a partir de 2027.
A ideia, segundo Domenicali, é oferecer para os fãs da F-1 cada vez mais experiências no estilo “o dinheiro não pode comprar”. Claro, seduzindo exatamente o público que pode comprar.
Além disso, o marketing da F-1 tem trabalhado fortemente para descolar a imagem masculina do esporte. O público feminino jovem cresceu mais de 10%, e a audiência nos Estados Unidos aumentou, desde que a Apple TV passou a mostrar as provas com exclusividade.
Outra mudança que deve ocorrer em busca de incremento de receitas na F-1 é o aumento das “Sprint Races”, as provas mais curtas e rápidas que antecedem os Grandes Prêmios e distribuem pontos extras aos oito primeiros colocados. Embora não tenha revelado quantas dessas provas acontecerão, Domenicali destacou que elas são ótimas para aumentar o fluxo de receitas.
Por causa da redução do número de corridas no primeiro semestre, em virtude dos conflitos no Oriente Médio, a Fórmula um teve perda de receitas em relação a 2025. O primeiro trimestre de 2026 teve queda de receitas de 38% em relação ao ano de 2025, com recuo de 61% no lucro operacional. A receita entre abril e junho recuou de US$ 1,2 bilhão para US$ 764 milhões.
A explicação está no fato de que nesta temporada foram realizadas apenas cinco provas no segundo trimestre, ante nove no mesmo período de 2025. A queda de receita teve impacto nos pagamentos para as equipes. No segundo trimestre de 2025, as escuderias dividiram US$ 513 milhões, enquanto o pagamento em igual período de 2026 caiu para US$ 316 milhões.