O patrocínio das camisas de futebol é um dos setores mais importantes da economia esportiva. O Brasil passa por um momento de adequação, em virtude da proibição de operação das casas de apostas esportivas digitais, as bets. O estudo “Porque ‘ainda’ não aqui?”, publicado no início de outubro pelo Ibope Repucom, mostra o cenário atual.
No Brasil há grande concentração de marcas nacionais e retração das bets. Na maioria dos países da América Latina existe variedade de marcas e presença de empresas multinacionais nas camisas dos clubes de futebol.
O setor financeiro é o principal anunciante nos times de futebol latino-americanos. No Brasil, a presença cresceu 45% de 20 para 29 contratos. Os principais investidores do setor são banco BMG (quatro times) consórcio Ademicon, Viva Sorte (capitalização) três e seguro viagem uma equipe.
Na América Latina, investimentos do setor financeiro no futebol cresceram 8%. O principal destaque é o banco espanhol BBVA, que patrocina equipes do México e no Uruguai, e o paraguaio Uenobank, que expõe sua marca em três equipes no país. No total, 29 bancos patrocinam times na América Latina. O setor de seguradoras aparece logo depois, com 22 contratos.
O setor de bets, que havia praticamente monopolizado o mercado de patrocínios no Brasil, apresentou redução de 18% em relação a 2024, caindo da segunda para a terceira posição no ranking de investimentos. Em 2025, todos os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro tinham algum tipo de patrocínio de bets. Antes da proibição das apostas esportivas no País, em setembro de 2026, 14 dos 20 times da divisão principal mantinham contratos de patrocínio com empresas do setor.
Na América Latina, a presença de marcas de bets nas camisas dos times aumentou 22%, alcançando 71% de 66 clubes relevantes pesquisados. Bolívia e Uruguai são exceções. A publicidade de bets não é permitida na Bolívia, e no Uruguai apenas uma empresa concentra essa atividade sob regulamentação estatal, mas não patrocina clubes.
As movimentações do mercado mostram crescimento de patrocínios dos setores imobiliário, de construção e acabamentos no Brasil e estabilização nos demais países da América Latina. O setor automotivo apresenta estabilidade de investimentos na América Latina e grande crescimento no Brasil, com dez contratos, notadamente de montadoras chinesas de veículos elétricos e híbridos.
Com a saída das bets, que jogaram para o alto os valores de patrocínios master (que ocupam o espaço frontal das camisas), houve um aquecimento e valorização dos demais espaços. O ticket médio de patrocínio master no futebol brasileiro, segundo o estudo do Ibope Repucom, está em R$ 70 milhões, maior valor da história dos patrocínios de camisa, que começa nos anos 1980.
A presença tímida de grandes patrocinadores internacionais em camisas de times de futebol do Brasil é atribuída à pouca credibilidade dos clubes. Alto endividamento, crises políticas e punições da Fifa por atraso em pagamentos aparecem como motivos para que empresas desse setor ainda vejam com ressalvas as grandes marcas do futebol nacional.