Apesar de ser um dos principais mercados do WhatsApp, o Brasil ainda subaproveita o potencial da plataforma para marketing e vendas. Um estudo recente, conduzido pela ActiveCampaign e pela AnaMid, revela um cenário onde o aplicativo se consolidou como um ativo indispensável, mas a maioria das empresas o utiliza de forma básica, focada em funções de atendimento e suporte.
Segundo o estudo “Panorama do Uso do WhatsApp e Estratégias de Marketing no Brasil”, apenas 41,2% das empresas exploram o potencial do canal com campanhas automatizadas. A grande maioria, 90,8%, ainda se concentra no atendimento ao cliente, deixando de lado as oportunidades de escalar vendas e gerar receita de forma mais eficiente.
O WhatsApp é o terceiro canal de marketing mais utilizado no Brasil, atrás de Meta e Google Ads, e 77,6% das empresas o enxergam como pilar de suas estratégias pelos próximos dois anos. No entanto, o levantamento aponta um “subaproveitamento do potencial conversacional e de automação”, com a maioria dos negócios utilizando o aplicativo apenas para retenção, e não para aquisição de novos clientes.
Para Rodrigo Bidinoto, diretor global de vendas da ActiveCampaign, o cenário atual exige uma mudança de mentalidade. “O Brasil já consolidou o WhatsApp como ativo indispensável, mas ainda enfrenta desafios de governança, mensuração e diversificação. Para avançar, será preciso dar passos fundamentais, como profissionalizar a mensuração, expandir os horizontes de canais e, principalmente, avançar em automação inteligente com IA”, explica.
O estudo indica que o futuro do setor será pautado por três eixos: o uso de Inteligência Artificial para automação e hiperpersonalização, o WhatsApp se transformando em um “hub de marketing e vendas”, integrando social commerce e pagamentos e o uso de dados integrados com rastreabilidade em tempo real para otimizar as estratégias.
A pesquisa foi realizada com 300 empresas, majoritariamente micro (43,7%) e pequenas (33%), com atuação em serviços (53,3%) e tecnologia/startups (20,7%). Entre os respondentes, os cargos de destaque foram empresários/empreendedores (42%) e diretores/gerentes de marketing (29,3%).
Com uma receita anual que se aproxima dos US$ 10 bilhões, o WhatsApp se tornou uma das principais fontes de monetização da Meta. O valor bilionário, no entanto, não vem dos usuários comuns, já que o aplicativo é gratuito. A gigante de tecnologia fatura, principalmente, com serviços para empresas. Isso inclui as taxas cobradas por conversas iniciadas por negócios com clientes, além dos anúncios de “clique para o WhatsApp” que direcionam consumidores diretamente para o canal de atendimento de uma marca.