Uber fecha com fintech digio para linha de crédito a motoristas e entregadores

Ginnette Riquelme/Reuters
Ginnette Riquelme/Reuters

Os valores devidos pelos motoristas serão retidos pela Uber, num modelo do mercado bancário similar à chamada trava de recebíveis

A empresa de transporte urbano e entregas por aplicativos Uber fez parceria com o digio, banco digital controlado por Bradesco e Banco do Brasil, para oferecer linha de crédito pessoal a motoristas da plataforma no país.

O empréstimo, de valor unitário de R$ 1.000 a R$ 5.000, têm taxa de juros de 2,97% ao mês, com prazo de até 12 meses. Na saída, o programa é dirigido a mil motoristas, enquanto a linha é modulada para futuramente chegar à base total de motoristas e entregadores da Uber no país, de cerca de 1 milhão de pessoas.

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Diferente do CDC tradicional, em que os pagamentos das prestações são feitos mensalmente, neste caso os valores podem ser retidos a cada semana, acompanhando o fluxo de entrada de receita para os motoristas, com deságio nas prestações pagas de forma adiantada.

Os valores devidos pelos motoristas serão retidos pela Uber, num modelo do mercado bancário similar à chamada trava de recebíveis, mas a gigante norte-americana não garante os empréstimos nem receberá parte da receita das operações.

Segundo o superintendente de Novos Negócios do digio, Eid Tayar, esse modelo de crédito pessoal poderá ser escalado e eventualmente chegar a outras plataformas de intermediação de serviços de profissionais autônomos.

“Isso vale para todo perfil de prestadores de serviço que têm recebíveis recorrentes”, disse Tayar à Reuters.

O digio, ex-Banco CBSS, tem cerca de 1,6 milhão de clientes e a meta é atrair 5 milhões de clientes e gerar R$ 1 bilhão em empréstimo pessoal por ano até 2023.

O movimento acontece enquanto bancos buscam meios de expandir suas carteiras de crédito em linhas de menor risco, com a economia brasileira mergulhada numa recessão provocada pelos efeitos da pandemia da Covid-19. Só para o segundo trimestre, as provisões dos cinco maiores bancos do país para perdas esperadas com inadimplência superaram R$ 30 bilhões, um recorde.

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Para a Uber, a iniciativa é parte de um movimento para tentar ampliar o vínculo com seus associados, à medida que cresce a disputa entre as empresas de aplicativos para ter a preferência de motoristas e entregadores, que com frequência trabalham para mais de um deles simultaneamente.

Além do acordo com o digio, a Uber já fez parcerias com empresas de educação, saúde e postos de combustíveis para ofertas de produtos a preços vantajosos para seus associados.

“Um dos objetivos do programa é gerar fidelização”, disse Claudia Woods, diretora-geral da Uber no Brasil. (Com Reuters)

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