No primeiro dia de negociação, ações da C3.ai avançam 140% em NY

TERADAT SANTIVIVUT/GettyImages
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Empresa do bilionário Tom Siebel trabalha com softwares baseados em inteligência artificial

Em junho, Tom Siebel previu outra recessão, desencadeada pela disseminação da covid-19. Agora que sua empresa de software C3.ai foi listada na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), o empresário bilionário está feliz por ter errado. A C3.ai estava precificada em US$ 42 na noite de ontem, com 15,5 milhões de ações negociadas e levantando US$ 651 milhões em capital. As ações da C3 subiram mais de 140% nos primeiros minutos de negociação da empresa nesta quarta-feira, implicando em uma capitalização de mercado próxima de US$ 10 bilhões.

Siebel, um ex-veterano da Oracle que vendeu seu negócio anterior, a Siebel Systems, para a própria Oracle por quase US$ 6 bilhões há quase 15 anos, fundou a C3.ai em 2009. O provedor de software empresarial registrou receita de US$ 157 milhões no ano fiscal encerrado em 30 de abril, aumento de 71% ano a ano, de acordo com o registro regulatório da empresa. Até o momento, no entanto, a empresa não dá lucro, registrando prejuízo líquido de US$ 69 milhões no período, ante US$ 33 milhões no ano anterior.

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Siebel – que sofreu uma lesão devastadora por causa de um elefante poucos meses após o lançamento do C3 – é conhecido por suas palavras ousadas e pelo marketing agressivo. A C3 foi originalmente anunciada como C3 Energy, oferecendo serviços em nuvem, análise de dados e ferramentas de machine learning para o setor. Em 2016, a Siebel renomeou o negócio para C3 IoT, posicionando a empresa como uma plataforma de software de ponta a ponta na construção e gerenciamento de projetos e infraestrutura de IoT. “Eu não poderia deixar isso diminuir”, disse ele à Forbes em entrevista no ano de 2017. Entre 2018 e 2019, Siebel renomeou a C3 novamente, agora para C3.ai. Desta vez, não houve comunicado à imprensa.

Atualmente, a C3.ai oferece ferramentas de inteligência artificial para aplicações industriais, ajudando na identificação e previsão de problemas relacionados à manutenção, detecção de fraudes e análise de grandes quantidades de dados de sensores, sempre com recursos de IA. “Passei os primeiros 20 minutos de cada apresentação ao cliente explicando que não somos, de fato, uma empresa de IoT. Porque quando as pessoas pensam em IoT, elas pensam em dispositivos e em hardware”, diz Siebel. “E eu expliquei, sim, nós nos conectamos a dispositivos, mas não somos uma empresa de IoT. Somos uma empresa de software e o que as pessoas estão fazendo com todos esses dados que estamos agregando é análise preditiva, que é IA.”

A abertura de capital da C3 reflete a recuperação de seus negócios desde a disseminação do coronavírus, diz Siebel, que superou suas expectativas. Em março e abril, a C3.ai estava se preparando para o pior, organizando-se para uma grande perda de negócios em sua base de clientes de grande porte e considerando demissões em grande escala, conta o executivo. Siebel e a C3.ai pegaram mais de US$ 5 milhões em empréstimos com o governo durante a pandemia. As demissões, por fim, não aconteceram, e Siebel afirma ter pago os empréstimos quando ficou claro que o mercado de capitais ainda estaria disponível para a sua empresa.

A proliferação acelerada do trabalho remoto em resposta à pandemia alavancou a demanda por ferramentas de software, levando a empresa a buscar financiamento adicional para contratar e reforçar seus serviços. A empresa considerou uma gama de opções, incluindo captação de recursos privados, antes de decidir pelo IPO.

“Acho que o processo tradicional de IPO foi provavelmente o mais experimentado, testado, comprovado e conhecido por sua alta qualidade em longo prazo na capacidade de crescimento e financiamento de negócios, atendendo a nossa necessidade frente ao aumento drástico da demanda”, explica Siebel. Quanto aos comentários anteriores, de que 2020 “parecia o fim do mundo”, ele admite: “eu estava errado.”

Com as ações da C3.ai em altas massivas nos primeiros minutos de negociação da empresa, parece que a aposta da Siebel na demanda do investidor estava certa. “Acho que o IPO é apenas uma etapa à medida que tentamos construir uma das principais empresas de software do mundo”, diz Siebel. “A IA é uma ferramenta poderosa para o bem e estar na vanguarda da tecnologia é um privilégio profissional.”

Aos 68 anos, o bilionário diz que também não tem planos de se afastar de C3.ai após a oferta pública: “Estou fazendo isso porque essa é minha ideia de diversão.”

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