Bill Gates diz que pandemias do futuro devem ser levadas a sério como "ameaça de guerra"

Em carta anual da Fundação Bill e Melinda Gates, ele afirma que o mundo precisa de uma coalizão global para enfrentar epidemias e pede ajuda a países ricos.

Rachel Sandler
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Reprodução/Forbes
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Bill Gates, copresidente da Fundação Bill e Melinda Gates, fala durante o Fórum da Nova Economia Bloomberg em Pequim, China, na quinta-feira, 21 de novembro de 2019

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O bilionário Bill Gates acredita que o mundo precisa de um grande esforço global para se preparar para futuras pandemias, o que inclui investir bilhões de dólares em desenvolvimento científico, testes em massa, um sistema de alerta global de pandemia e uma equipe de “primeiros socorros em doenças infecciosas”.

Na carta anual da Fundação Bill e Melinda Gates, o magnata, que é a quarta pessoa mais rica do mundo, pediu às nações ricas que investissem dezenas de bilhões de dólares para se preparar coletivamente para a próxima pandemia após Covid-19.

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Gates espera que o mundo desenvolva “megaplataformas de diagnóstico” até a próxima pandemia, capazes de testar 20% da população global por semana. Ele também pede um sistema de alerta global onde os profissionais de saúde possam enviar amostras a um laboratório para serem sequenciadas, e se a amostra for altamente infecciosa ou um novo patógeno, uma equipe global de “primeiros socorros em doenças infecciosas” será enviada para a área.

O bilionário acredita que o mundo precisará de 3.000 desses profissionais na equipe, que passarão seu tempo livre executando “jogos de germes”, que são “simulações que nos permitem praticar, analisar e melhorar a forma como respondemos a surtos de doenças, assim como os jogos de guerra permitem os militares se preparam para a guerra na vida real”.

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Gates prevê que levará cinco anos para descobrir como produzir novos tratamentos com anticorpos monoclonais, como os medicamentos da Eli Lilly e da Regeneron, para responder rapidamente a novos vírus, e espera que doenças futuras se beneficiem dos avanços nas vacinas de mRNA –mas que exige que o mundo “dobre os investimentos em P&D”, ele escreveu na carta anual da Fundação Gates.

“Para evitar que as adversidades do ano passado voltem a acontecer, a preparação para uma pandemia deve ser levada tão a sério quanto levamos ameaças de guerra”, diz Gates.

Com a fortuna proveniente da Microsoft, Gates e sua esposa, Melinda, fundaram a Fundação Bill e Melinda Gates em 1997, com foco em saúde global. Desde então, a fundação cresceu e se tornou a maior instituição privada de caridade do mundo e emergiu como uma força de bastidores na luta contra o coronavírus. A fundação ajudou a financiar o desenvolvimento de vacinas para Moderna e AstraZeneca, bem como outras pesquisas sobre tratamentos com Covid-19. No processo, Gates se tornou uma figura central em teorias de conspiração sem base a respeito da Covid-19, alegando que ele quer usar vacinas para microchipar a população mundial.

Mas, apesar do compromisso público da fundação com a equidade, a entidade foi criticada por estimular a Oxford University a vender os direitos exclusivos de sua vacina para a empresa farmacêutica AstraZeneca, em vez de doá-los, informou o “Kaiser Health News” em agosto. Um porta-voz da Fundação Gates disse na época que exige que todos os seus donatários se comprometam a tornar os produtos “amplamente disponíveis a um preço acessível”.

Em uma palestra TED Talk assustadoramente presciente de 2015, Gates alertou que o mundo não estava pronto para outro surto após a epidemia de Ebola. “Se alguma coisa matar mais de 10 milhões de pessoas nas próximas décadas, é mais provável que seja um vírus altamente infeccioso, em vez de uma guerra”, disse. “Agora, parte da razão para isso é que investimos uma grande quantia em dissuasão nuclear e muito pouco em um sistema para deter uma epidemia.”

 

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