Vale lucra US$ 5,5 bilhões no 1º trimestre com alta do minério e supera expectativa

Companhia registrou um salto na comparação com o mesmo período em 2020, quando lucrou US$ 239 milhões.

Redação
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A mineradora Vale registrou lucro líquido de US$ 5,5 bilhões no primeiro trimestre, com um salto na comparação com os US$ 239 milhões do mesmo período do ano passado, impulsionado por alta dos preços do minério de ferro, informou a companhia ontem (26).

O resultado, que superou estimativa feita pela Refinitiv, de US$ 5,06 bilhões, também cresceu fortemente ante o último trimestre de 2020, quando a empresa registrou US$ 739 milhões.

Uma das maiores produtoras globais de minério de ferro, a empresa teve um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de US$ 8,35 bilhões entre janeiro e março, ante US$ 2,882 bilhões um ano antes.

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Ao excluir despesas relacionadas ao rompimento de barragem em Brumadinho (MG) e com doações devido à Covid-19, além ganho não recorrente de transferência de ativos de alumínio, o Ebitda ajustado proforma da mineradora foi de US$ 8,467 bilhões, um recorde para um primeiro trimestre.

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O preço médio de finos de minério de ferro realizado pela Vale foi de US$ 155,5 por tonelada (CFR/FOB), aumento de mais de 85% ante os US$ 83,8 por tonelada no primeiro trimestre de 2020.

Com isso, o Ebitda de Minerais Ferrosos foi de US$ 7,811 bilhões, um recorde para um primeiro trimestre, US$ 989 milhões abaixo do quarto trimestre, principalmente devido a volumes sazonalmente menores (US$ 2,616 bilhões), que foram parcialmente compensados por preços realizados mais elevados (US$ 1,853 bilhão).

No primeiro trimestre, a Vale fechou um acordo global relacionado a indenizações coletivas devido ao rompimento de barragem em Brumadinho, em janeiro de 2019, um marco que trouxe previsibilidade jurídica e às despesas que a companhia ainda terá para reparar os danos.

“Estou confiante de que nossos resultados financeiros positivos refletem nossa consistência no cumprimento de nossas promessas do ‘de-risking’ da Vale”, disse o presidente da companhia, Eduardo Bartolomeo, citando o acordo de Brumadinho, a venda das operações de metais básicos da Vale Nova Caledônia e a aprovação de um programa de recompra de ações.

A empresa também pontuou que no primeiro trimestre a Fundação Renova, criada para gerir o ressarcimento dos danos causados pelo rompimento de barragem da Samarco, em Mariana (MG), em novembro de 2015, acelerou o pagamento às pessoas que não conseguem oferecer provas de danos individuais.

Durante o último trimestre, por meio do novo sistema de indenização aprovado pela Justiça, a fundação fechou acordos com mais de 7.500 pessoas – desde a decisão judicial, R$ 1 bilhão foram pagos em 22 localidades.

Preços do ferro

A Vale destacou que a elevação dos preços do minério de ferro vem de uma combinação de redução sazonal de oferta no primeiro trimestre, baixos estoques ao longo da cadeia, forte retorno da atividade econômica pós Ano Novo Chinês e a recuperação da atividade econômica fora da China.

“O cenário de oferta insuficiente que levou a um aumento nos preços do minério de ferro ao longo do primeiro trimestre permanece ao longo do segundo trimestre”, disse a companhia.

“No decorrer do ano, do lado da oferta, os volumes devem aumentar em relação ao segundo semestre de 2020, enquanto a demanda de minério de ferro pode ser impactada por cortes de produção devido a restrições ambientais na China.”

A Vale produziu 68 milhões de toneladas de minério de ferro no primeiro trimestre, alta de 14,2% ante o mesmo período do ano anterior, avançando em seu plano de estabilização e retomada operacional, após diversas paralisações realizadas para aprimorar a segurança de atividades, após grandes desastres com barragens.

Com a força das vendas de minério de ferro, a receita líquida da companhia somou US$ 12,6 bilhões entre janeiro e março, alta de 81% na comparação com um ano antes.

Dívida e caixa

A Vale gerou US$ 5,847 bilhões de fluxo de caixa livre das operações no primeiro trimestre, ficando US$ 971 milhões acima do quarto trimestre.

O montante, segundo a companhia, a permitiu amortizar US$ 943 milhões da dívida, resgatando os bonds de € 750 milhões, além de distribuir US$ 3,88 bilhões aos acionistas e pagar US$ 555 milhões para o desinvestimento do problemático empreendimento na VNC (Nova Caledônia).

“Ainda assim, a posição de caixa e equivalentes de caixa aumentou em US$ 465 milhões no trimestre”, disse a empresa.

A dívida bruta da Vale somou US$ 12,176 bilhões no fim do primeiro trimestre, queda de US$ 1,184 bilhão ante o fim de 2020, principalmente devido ao resgate antecipado de bonds, conforme explicou a companhia.

A dívida líquida expandida, que soma a dívida líquida financeira com outros compromissos relevantes, diminuiu para US$ 10,7 bilhões.

A Vale pontuou que a dívida líquida expandida deve tender ao nível de referência de longo prazo de US$ 10 bilhões à medida que a empresa continua a gerar caixa, cumprir obrigações e compromissos, distribuir dividendos e recomprar ações, explicou a empresa. (com Reuters)

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