Investimentos alternativos florescem no Brasil, mas investidor mira diversificação no exterior

Incertezas domésticas e maior oferta de produtos favorece crescimento de produtos alternativos .

Ana Paula Pereira
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Olivier Le Moal/GettyImages
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Apoiando brasileiros a investir em alternativos nos EUA, patrimônio sob gestão do Grupo Leste dobrou no último ano

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Do seu escritório em Miami, Emmanuel Hermann, CEO do Grupo Leste e ex-sócio do BTG Pactual, acompanha revoluções nada silenciosas. A primeira diz respeito ao boom de novos residentes, empresas e negócios observado na cidade norte-americana. Já a segunda reflete a demanda por diversificação dos brasileiros no exterior, tendo como principal destino os Estados Unidos.

De acordo com dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), o Brasil ganhou 1.017 fundos de investimentos com exposição internacional (que podem aplicar mais de 40% de sua carteira em ativos no exterior), entre o primeiro trimestre do ano passado e o mesmo período deste ano, para o total de 6.179 fundos atendendo à classificação.

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O contexto de pandemia e taxas de juros em mínimas históricas no Brasil, apreciação dólar frente ao real e ruídos políticos domésticos foram fatores que colaboraram com o ambiente de incertezas e para o interesse do investidor em diversificar a carteira em outros países. No Grupo Leste, as operações cresceram 50% em 2020, com ativos sob gestão somando R$ 4,8 bilhões. Ao fim do primeiro trimestre de 2021, o volume sob gestão era de R$ 6,2 bilhões.

“O Brasil se manteve com juros altos por muito mais tempo [em relação aos EUA] por uma questão de instabilidade e ciclos do passado. Esse processo acabou restringindo a expansão do mundo de alternativos. Depois que os juros começaram a cair, teve início esse movimento, porque não dava para ficar parado e ganhar dinheiro como nas últimas décadas. Agora, para ganhar dinheiro, é preciso tomar algum risco, abrir mão de alguma liquidez”, comenta Hermann.

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O interesse do investidor por produtos alternativos no mercado doméstico também evoluiu. Ainda segundo a Anbima, o patrimônio líquido combinado dos fundos estruturados – Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), Fundo de Participações (FIPs) e Fundos Imobiliários (FIIs) – saiu de R$ 649,6 bilhões em março de 2020 para R$ 776,1 bilhões no mesmo mês de 2021.

Entre as soluções oferecidas pela companhia no exterior estão acesso aos REITs (fundos imobiliários norte-americanos), litigation finance, private equity e venture capital, mas a Leste mira também alternativas dentro do ambiente de alternativos, como as criptomoedas. “O critério nosso sempre é tentar gerar valor de maneira diferenciada, então não vai ser só criptomoeda, mas mineradoras ou estruturas que possam agregar valor ao investidor que esteja querendo se envolver nesse mercado, mas de uma maneira alternativa”, explica o CEO.

Hermann avalia ainda que esses produtos podem ser alocados em carteiras de investidores com níveis diversos de apetite por riscos, como parte de uma estratégia de gestão de portfólio, já que o crescimento na demanda por investimentos alternativos veio acompanhado da diversificação na oferta, com produtos disponíveis em diferentes prazos e perfis de risco para investidores interessados em aplicações no Brasil e no exterior.

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