O filantropo especulador: documentário conta trajetória do bilionário George Soros

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Fortuna de George Soros é estimada pela Forbes em US$ 8,6 bilhões; Longa-metragem estreia em 12 de agosto

“Tentar melhorar o mundo é mais difícil do que ganhar dinheiro.” Essa é uma das crenças do bilionário George Soros, atualmente estimado como a 304ª pessoa mais rica do planeta, segundo a Forbes, e dono de um patrimônio de US$ 8,6 bilhões. 

O investidor é tema do documentário “Soros”, feito em comemoração ao seu 91° aniversário, celebrado no próximo 12 de agosto, data marcada para a estreia do filme no Brasil. O longa-metragem foi dirigido por Jesse Dylan, filho do músico Bob Dylan, e estreia também no dia 12 nas principais plataformas de streaming.  

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A figura do famoso magnata de fundos multimercados norte-americano é polêmica. Ele começou a trabalhar com finanças em Nova York, em 1962, administrando carteiras de investimento. Mas foi somente trinta anos depois, em 1992, que seu nome ficou mundialmente conhecido.

Soros apostou £5 bilhões contra a libra esterlina naquele ano, valor equivalente a quase toda sua fortuna na época. O movimento lhe rendeu lucro de US$ 1,1 bilhão em apenas um dia.

A partir de então, o investidor ficou conhecido como o especulador que quase quebrou o Banco da Inglaterra. No evento chamado de Quarta-Feira Negra, a instituição financeira perdeu £ 3,3 milhões para especuladores.

Ao lembrar do caso, Soros conta no documentário que estava esquiando em St Moritz, na Suíça, quando comprou uma edição do jornal Financial Times. Nela, leu que a fabricante de automóveis britânica Rolls Royce estava com dificuldades financeiras. Assim que chegou ao topo da montanha para esquiar, ligou para seu corretor e pediu que comprasse títulos do governo britânico.

“Foi só leitura [que fiz] de que a Rolls Royce teria efeito suficiente na economia britânica e o governo abaixaria as taxas de juros do país. E se você baixar a taxa de juros, o preço dos Gilts [títulos emitidos pelo governo do Reino Unido] sobe”, explica o investidor. “Esse é um exemplo de como as coisas se conectam. No momento em que eu estava realmente no topo dos mercados financeiros, eu podia ver essas conexões.”

O episódio colabora com a visão negativa que muitos têm do bilionário. Para algumas pessoas, Soros é um homem que especula contra os interesses do país e que interfere em negócios.

De fato, as muitas facetas do Soros, entre investidor experiente, filantropo e especulador contra a economia está presente em todo o longa-metragem. Há quem descreva Soros como ativo defensor da democracia e dos direitos humanos. Enquanto outros, como Steve Bannon, marqueteiro do ex-presidente Donald Trump, afirmam que ele é uma das piores pessoas do mundo.

Foi durante seu expediente de trabalho no mercado financeiro que Soros decidiu se afastar da mesa de especulações para se dedicar a atividades filantrópicas.

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“Eu estava trabalhando para ganhar dinheiro quando, em um momento, pensei que ia ter um ataque cardíaco. E pensei ‘se eu morrer agora, eu perco. Mas se eu explodir trabalhando por uma sociedade aberta, não acho que perderia tanto’. Então, estive disposto a apostar minha vida nisso”, comenta o bilionário. Para ele, uma sociedade aberta – principal motor de seus trabalhos na última década – é caracterizada pela proteção das minorias. 

As causas do bilionário

Após perceber que poderia ter um infarto, o investidor abraçou os movimentos Black Lives Matter, refugiados no Canadá, educação para ciganos na Albânia, inclusão financeira em Gana, direitos da população LGBTQIA+ em Montenegro, segurança social na Colômbia e outras centenas de causas.

No Brasil, a Open Society, criada por Soros ao lado da Fundação Ford e do Instituto Ibirapitanga, liderou uma iniciativa em homenagem à deputada assassinada no Rio de Janeiro, Marielle Franco. Os grupos filantrópicos doaram US$ 3 milhões ao fundo brasileiro Baobá, instituição dedicada à luta pela equidade racial. 

Andrea Soros Colombel, filha do bilionário, afirma no documentário que a filantropia começou gradualmente na vida de seu pai, “até que se tornou um grande empreendimento.” 

O próprio Soros ressalta que a filantropia não possui ligação com seus ganhos no mercado financeiro. “Não estou fazendo meu trabalho filantrópico por qualquer tipo de culpa ou qualquer necessidade de criar uma boa imagem pública. Estou fazendo porque tenho condições financeiras e acredito nas causas”, afirma. 

Annette Laborey, diretora da Fundação para Apoio Intelectual Mútuo na Europa, conta no longa-metragem como procurou o bilionário para uma ajuda financeira. “Uma beneficiária minha me disse que havia um homem rico em algum lugar dos EUA que eu deveria contatar [em busca de doações]. Mas não consegui encontrá-lo”, conta.

A dificuldade não durou muito tempo, o próprio Soros contatou Annette para perguntar quanto ela precisava para seguir com seu trabalho na fundação. “Eu disse: ‘Bem, US$ 10 mil seria muito útil.’ E ele disse: ‘O quê? 10 mil dólares?’ E eu pensei: ‘Nossa, eu pedi demais.’, mas decidi seguir firme em minha proposta. E ele apenas balançou a cabeça e disse: ‘Pense mais alto.’” 

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De acordo com a Open Society Foundations, braço de filantropia do bilionário, afirma que desde 1984, Soros já doou mais de US$ 32 bilhões de sua fortuna pessoal. 

George Soros e sua origem judia

Vale ressaltar que o envolvimento com causas sociais faz parte de sua história desde a adolescência, ainda que de forma não intencional. Soros nasceu em uma família de judeus em 1930, em Budapeste, década em que iniciaria a Segunda Guerra Mundial.

Durante o regime nazista na Hungria, sua família se passou por cristã, para que não fosse enviada aos campos de concentração durante o Holocausto, conta o investidor. “Eu teria morrido se meu pai não tivesse entendido a gravidade da situação logo no início. O meu pai conseguiu os documentos de identidade do porteiro. E vivemos a ocupação alemã com identidade falsa.”

De acordo com os membros da família Soros, seu pai, Tivadar Soros, foi uma figura marcante durante na vida do bilionário. No documentário, o investidor comenta que seu pai aproveitou-se da segurança de sua identidade falsa para ajudar outras pessoas. “Isso mudou minha visão de vida”, diz. Sobre esta época, ele exemplifica que seu pai trabalhava com filantropia no varejo (de pessoa a pessoa), e ele trabalha no atacado (através de organizações).

Aos 17 anos, Soros deixou a Hungria para estudar na London School of Economics, trabalhando como carregador e garçom ferroviário. Ao se formar, decidiu se mudar ao Oeste, em busca de liberdade, e escolheu os Estados Unidos para ganhar dinheiro. Pode-se dizer que esta meta foi bem sucedida. Após alguns anos, Soros ficou conhecido como a pessoa que ganhava mais dinheiro do que qualquer um em Wall Street.

De acordo com Leon Botstein, presidente do Bard College, instituição de ensino de Nova York que recebe doações frequentes do bilionário, o segredo de Soros é “não seguir as ovelhas, olhar na direção oposta”. 

Com duração de 86 minutos, o longa estará disponível nas plataformas digitais iTunes, Apple TV+, Google Play, YouTube Filmes, Vivo, Now e Looke.

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