GPA ficará 'mais leve' sem Extra Hiper e sairá da 'defensiva', diz presidente

Grupo fechou acordo de R$ 5,2 bilhões com atacarejo Assaí no qual vende 71 lojas Extra Hiper.

Redação
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Paulo Whitaker/Reuters
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Grupo Pão de Açúcar fechou acordo de R$ 5,2 bilhões com atacarejo Assaí no qual vende 71 lojas Extra Hiper

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A desistência do GPA do formato de hipermercados e A venda das principais lojas da bandeira Extra Hiper para o Assaí dará à empresa recursos para ser mais ágil e acelerar crescimento no varejo alimentar físico e digital, disse o presidente do GPA, Jorge Faiçal, hoje (15).

O GPA anunciou na noite da véspera acordo de R$ 5,2 bilhões Com o Assaí no qual vende 71 das 103 lojas Extra Hiper e abandona a bandeira criada há 36 anos.

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“Teremos uma empresa que deixará de trabalhar na defensiva e partirá para o ataque, trabalhando suas fortalezas”, disse Faiçal em teleconferência com analistas, referindo-se à bandeira Pão de Açúcar.

Segundo ele, com o acordo com o Assaí, o GPA vai abrir 100 lojas Pão de Açúcar nos próximos três anos no país e 100 lojas do formato de proximidade Minuto Pão de Açúcar.

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Faiçal não fez projeções sobre a margem Ebitda do grupo após a transformação, mas afirmou que espera que a transação com o Assaí “traga margem Ebitda significativamente mais alta”.

Durante a teleconferência, o presidente do GPA disse que a empresa também está abandonando o formato de drogarias no país.

‘EM GUERRA DO ATACAREJO, O QUE VALE É PONTO’

O Assaí viu uma oportunidade única de acelerar sua expansão com a aquisição de lojas do Extra Hiper em um momento de corrida do setor de atacarejo por abertura de lojas marcado por um cenário inflacionário que deve se prolongar nos próximos anos, afirmou o presidente da companhia hoje (15).

A transação de R$ 5,2 bilhões anunciada na noite da véspera vai elevar o parque do Assaí em 71 lojas, trazendo para dentro da companhia um faturamento de R$ 25 bilhões, que deve fazer o Assaí atingir receita bruta de 100 bilhões até 2024 com mesmo nível atual de margem de lucro (Ebitda), disse o presidente da companhia, Belmiro Gomes, em teleconferência com analistas.

“Este movimento teve dois eventos neste ano que mudaram a geografia do mercado: o primeiro foi a aquisição do grupo BIG pelo Atacadão, principal concorrente do Assaí e líder do setor”, disse Gomes.

“Havia na nossa visão um distanciamento que nós precisávamos buscar uma maneira de acelerar nossa expansão de forma rentável”, disse o executivo. “O ativo que nos parecia mais vital para isso era o parque de lojas do Extra Hipermercado”, concluiu, citando fatores como baixa sobreposição de lojas, velocidade de incorporação dos pontos e custo de reforma para o formato de atacarejo.

Ele afirmou ainda que outro fator “divisor de águas” para a transação com o GPA foram acordos com locadores de lojas que antes não permitiam que hipermercados fossem convertidos em lojas de atacarejo, que precisam de obras de reestruturação para operarem como tal.

Em julho, o GPA fez acordo com a Península, family office da família Diniz, envolvendo disputa sobre locação de imóveis.

Segundo Gomes, o Assaí precisaria ter 110 lojas para conseguir o mesmo nível de faturamento que espera obter com as 71 lojas do Extra Hiper que vai incorporar ao seu parque. Além disso, a pressa da empresa em fechar o negócio decorre das perspectivas de inflação que vão se prolongar no próximo ano, levando a população e comerciantes clientes da empresa a buscar preços menores em regiões onde a bandeira não está presente.

“Lojas nesse nível, custam mais de R$ 100 milhões para serem feitas, com todo o tempo para se fazer uma loja orgânica…A gente fala que para qualquer comércio tem três fatores importantes: o primeiro é ponto, o segundo é ponto e o terceiro é ponto.” (Com Reuters)

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