O céu não pode esperar

Presidente da Azul fala sobre a retomada das viagens aéreas.

José Vicente Bernardo
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John Rodgerson, presidente da Azul

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As três principais companhias aéreas do Brasil – Gol, Latam e Azul – estão lutando bravamente para atravessar a tormenta provocada pela queda de deslocamentos (de 57,6% no primeiro trimestre deste ano) decorrente da Covid-19. No segundo trimestre de 2021, a Gol teve prejuízo líquido recorrente de R$ 1,2 bilhão. Na mesma época, a Latam “comemorava” o aniversário de seu pedido de recuperação judicial, motivado por uma dívida de US$ 10,9 bilhões. A julgar pelas recentes notícias de que a Azul estaria interessada em comprar a chileno-brasileira Latam, imagina-se que a saúde da companhia fundada em 2008 pelo paulistano David Neeleman (nº 69 na lista dos Bilionários Brasileiros) está melhor que a das concorrentes.

No 2T21, a receita líquida da Azul Cargo cresceu 137% em comparação com o 2T19, impulsionada pelo boom dos grandes e-commerces nacionais. Foi o que salvou a lavoura.

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Sobre o interesse pela Latam, o presidente (e cofundador e acionista) da Azul, o norte-americano John Rodgerson, diz: “Eles não têm interesse em vender e nós temos interesse em comprar. O jogo agora é com os credores”.

Forbes – O momento nos céus brasileiros, afinal, é de comemoração ou preocupação?
John Rodgerson – O segundo trimestre costuma mesmo ser o mais fraco do ano, e ainda veio acompanhado pela segunda onda de Covid. Mas os sinais, de modo geral, apontam para uma retomada. Tivemos muito mais voos em junho que em abril. As pessoas querem viajar. Prova disso é que a tarifa média está subindo.

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Você conta com a volta do cliente corporativo?
O mundo vai ser diferente. Talvez aquele cliente que pegava a ponte aérea todo dia para trabalhar deixe de existir. Mas nossa malha é diferente: somos fortes no Centro-Oeste, Norte e Nordeste, interior de São Paulo, Minas, Rio Grande do Sul… O modelo híbrido de trabalho e as reuniões virtuais vão incentivar o turismo de lazer porque cada profissional terá mais autonomia para administrar seu tempo.

A passagem aérea no Brasil não é muito cara?
De fato, a tarifa aqui é mais cara em função dos impostos e do preço dos combustíveis. Mas na Colômbia, no México e no Chile, o PIB per capita é menor que o brasileiro, e eles viajam muito mais. A falta do hábito de viajar de avião aqui tem a ver com o fato de que historicamente nossos concorrentes focaram em apenas três destinos: Rio, São Paulo e Brasília.

Como começou sua relação com o Brasil?
Aprendi a falar português em Portugal e Cabo Verde em uma missão religiosa. Quando conheci o Brasil, me apaixonei. O brasileiro é muito bacana. Estou há 13 anos, um de meus filhos nasceu aqui. No ano passado, o Neeleman me convidou para fundar outra companhia aérea nos Estados Unidos. Recusei. Em que outro lugar você conseguiria criar 13 mil empregos, levar serviços aéreos a 100 cidades que antes não tinham, transportar vacinas de graça para quem precisa? Isso me dá muito orgulho e me faz ser tão apaixonado pelo Brasil.

Reportagem publicada na edição 89, lançada em agosto de 2021.

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