Fintechs em 2022: 10 principais tendências para o mercado

Lançamento de produtos para públicos específicos e colaboração com instituições tradicionais são algumas das apostas dos especialistas.

Alex Lazarow
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Brendan McDermid/Reuters
Brendan McDermid/Reuters

IPO do Nubank em Wall Street, em dezembro do ano passado, fez da fintech o banco com o maior valor de mercado da América Latina

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O ano de 2021 foi transformador para as fintechs. O que parecia um pequeno nicho da indústria de tecnologia há uma década é hoje o setor com os maiores aportes. No ano passado, as fintechs receberam mais de US$ 130 bilhões em investimentos, o que representa 20% de todo o capital de risco investido em 2021. 

Os IPOs também estão em alta: o número de fintechs que abriram capital nas bolsas mundiais no período triplicou na comparação com 2020. 

A questão, portanto, é: o que 2022 reserva para esse setor?

Perguntei aos leitores e a amigos que trabalham com fintechs quais são suas previsões para o ano. As respostas abrangeram vários tópicos, incluindo mudanças no acesso a serviços financeiros, lançamentos de produtos e novas dinâmicas para o setor. E, claro, a Web3.

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O movimento pelo maior acesso a serviços bancários continuará

As fintechs continuarão tendo uma grande responsabilidade na expansão da inclusão financeira e a oportunidade de impactar positivamente o dia a dia dos consumidores.

“Finalmente teremos uma maneira de movimentar dinheiro pela África que será tão onipresente e rápida quanto o WhatsApp, e quase tão barata.”
Sid Mofya, diretor-executivo da Draper Venture Network.

“Nos países onde existe um oligopólio bancário (Canadá e México, por exemplo), a concorrência e a inovação são inerentemente suprimidas. Os oligopólios criarão inovações entre si para sustentar sua própria posição de mercado, mas qualquer inovação que ameace essa posição pode ser ignorada ou combatida.

Isso geralmente não é do melhor interesse dos cidadãos, que desejam melhores serviços, escolha, taxas, condições para empréstimos, etc. Esse cenário cria uma rica oportunidade para os neobancos e outros oferecerem melhores produtos aos consumidores para gerenciar seu bem-estar financeiro e ganhar escala.

Esses produtos mudarão o jogo nesses mercados e contarão com o apoio do público e das autoridades reguladoras quando os benefícios para os cidadãos se tornarem aparentes.”
Andrew Harrison, sócio do fundo de capital de risco Section 32.

Produtos focarão públicos específicos

A primeira geração de produtos fintech eram soluções gerais. Uma gama de ferramentas mais especializadas está a caminho.

“Um brinde às pequenas e médias empresas! Veremos soluções de software e pagamentos verticais específicas para todo tipo de atividade, desde caminhões a barbeiros.
Sarah Morgenstern, sócia da firma de capital de risco Flourish Ventures, especializada em aportes em fintechs.

“As startups investirão em clientes com identidade interoperáveis, sustentadas por casos de uso de open banking e criptomoedas.

O entusiasmo em torno do potencial do “social login” [aquele realizado por meio de contas de usuários já cadastrados em plataformas] defendido pelo Facebook há dez anos voltará à cena mais uma vez, mas desta vez por causa das fintechs.

Os clientes desejam que sua identidade financeira seja transferida de forma transparente e segura pela web. Ferramentas de ‘checkout em um clique’ de sites de ecommerce e carteiras de criptomoedas serão campos importantes a serem observados e onde haverá muita concorrência.”
Austin Arensberg, diretor-sênior do fundo de capital de risco Okta Ventures, focado em soluções digitais de identificação.

Setor verá maior colaboração entre fintechs e instituições tradicionais

A grande quantidade de investimentos de capital de risco em fintechs está fazendo crescer a competição pela atenção dos clientes. Ao mesmo tempo, em muitos países vemos o crescimento das empresas do setor desacelerar quando elas atingem um estágio de maior maturidade.

Nesse novo cenário, as fusões e aquisições se tornarão uma estratégia fundamental.

“Fusões e aquisições serão o pilar das discussões nos conselhos de administração e das oportunidades de crescimento estratégico no próximo ano. Como vimos em ciclos anteriores, à medida que o crescimento orgânico diminui, o crescimento inorgânico se torna cada vez mais importante para as equipes de gerenciamento, especialmente naquelas empresas com dinheiro em caixa.

A capacidade de escalar o negócio ainda é fundamental para ‘ganhar’ um mercado, então esperamos que mais empresas vejam M&As como o caminho para atingir esse objetivo.”
Matt Streisfeld, sócio da firma de private equity Oak HC/FT.

“Haverá uma consolidação das fintechs em estágio de crescimento, já que os líderes de mercado procuram as fusões e aquisições para acelerar o crescimento e expandir os mercados, enquanto algumas empresas em estágio posterior têm dificuldade em atingir marcos de receita para justificar avaliações elevadas e procuram mercados de fusões e aquisições para pousos suaves.”
Mark Batsiyan, cofundador e sócio do fundo de capital de risco Inspired Capital.

Ao mesmo tempo, as instituições financeiras tradicionais buscarão expandir seu conjunto de soluções e modernizar as tecnologias utilizadas. É possível que haja mais inovação aberta e colaboração no setor.

“À medida que a digitalização continua seu crescimento exponencial, veremos uma colaboração cada vez mais profunda entre fintechs e empresas tradicionais do setor financeiro, que agora estão caminhando para relacionamentos completamente simbióticos.

Em vez de serem vistos como concorrentes, as fintechs agora são vistas pelas lideranças corporativas como parceiros estratégicos chave no caminho para a transformação digital, que criará modelos de negócios mais flexíveis e inovadores, em escala, para ambos os lados.”
Denis Barrier, cofundador e CEO do fundo de capital de risco Cathay Innovation (onde o autor deste texto trabalha).

Web3 estará no centro das atenções

Há um consenso de que a Web3 está em ascensão e criará novas e valiosas oportunidades de negócios.

“Este será o ano em que muitas (certamente não todas) instituições financeiras tradicionais passarão a levar os ativos digitais a sério o suficiente para começar a investir recursos.

Na maioria dos casos, isso significa investimentos em softwares ligados a compliance, monitoramento e contabilidade, mas também incluirá contratos comerciais para ofertas de produtos fornecidos por empresas terceiras como Nydig, Paxos e ZeroHash, por exemplo.”
Dan Rosen, fundador e sócio da firma de capital de risco Commerce Ventures, focada em tecnologia para o varejo.

“Em 2022, as inovações no ecossistema de carteiras digitais baseadas na Web3 forçarão as empresas tradicionais de serviços financeiros (bancos, cooperativas de crédito, etc.) a fornecer novos locais e formas para seus clientes guardarem dinheiro digitalmente. A fronteira entre investimentos e contas correntes continuará a diminuir.”
Ambar Bhattacharyya, diretor administrativo da firma de capital de risco Maverick Ventures.

“As tecnologias financeiras e de seguros irão cada vez mais misturar blockchain e Web3. Por exemplo, vários novos participantes do DeFi [sistema financeiro descentralizado] provavelmente aproveitarão a oportunidade para desbancar neobancos e desafiar seguradoras com produtos diferenciados aproveitando o blockchain.

Isso abre uma oportunidade ainda mais ampla do que apenas a descentralização do fluxo monetário, pois uma reconfiguração mais profunda da avaliação de crédito, da verificação de identidade e da prevenção de fraudes pode ser impulsionada pela Web3.”
Gen Tsuchikawa, gerente de investimentos do Sony Innovation Fund.

Previsão final

Analisando essas previsões, o que fica claro é que há um oceano de oportunidades para o setor e alguns desafios pela frente. Novas categorias de produtos devem surgir. Ao mesmo tempo, a desaceleração das taxas de crescimento pode mostrar alguma consolidação.

Como capitalista de risco, sou amaldiçoado por ser perenemente otimista. E, portanto, sem surpresa, minha própria previsão é sobre as oportunidades contínuas que vejo no setor de fintechs.

Para contextualizar, em 2021 vimos o surgimento de unicórnios fintech em todo o mundo. A maior parte desse fenômeno ocorreu em mercados emergentes.

No início de 2021, a África tinha um unicórnio. Hoje tem 7. As seis empresas que entraram para a lista são fintechs. A América Latina viu o histórico IPO do Nubank. A Europa foi a fonte de alguns dos maiores investimentos.

Neste sentido, minha previsão é esta: continuaremos vendo uma aceleração de fintechs em todo o mundo, o que impulsionará a cadeia de suprimentos de inovação e criará novos negócios. Acredito que ainda estamos apenas no início desse movimento, principalmente em ecossistemas incipientes de startups.

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