IPOs: veja em quais ficar de olho em 2022

TPG, Stripe, Instacart e Reddit estão entre as empresas que se preparam para ir a público neste ano.

Jonathan Ponciano
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Steve Huffman, do Reddit (dir.), Apoorva Mehta, do Instacart (meio), e Donald Trump (esq.)

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O boom de unicórnios, que deu início a rodadas de financiamento massivas para startups na última década, está chegando ao fim e abrindo espaço para uma onda recorde de IPOs, diz o analista de risco da Pitchbook Cameron Stanfill. Graças, em parte, aos trilhões de dólares de capital de risco direcionados a startups na última década, as altas avaliações de mercado a empresas bilionárias não devem esfriar em 2022.

Ao todo, 2.388 empresas levantaram US$ 453 bilhões ao abrir capital em 2021 – o maior volume de negócios anual de todos os tempos, de acordo com a Ernst & Young. Nos EUA, o volume de negócios também bateu recordes, com quase 1.100 empresas abrindo capital e levantando cerca de US$ 260 bilhões. A bolsa de criptomoedas Coinbase, a corretora online Robinhood e a Rivian, rival da Tesla, foram algumas das empresas que alimentaram uma onda recorde de ofertas públicas iniciais e listagens diretas.

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Agora, a gigante de private equity TPG, o serviço de entrega de comida Instacart e o fornecedor de ações meme Reddit estão entre as empresas que se preparam para ir a público em 2022. Stanfill espera que o número de negócios possa atingir um novo recorde neste ano, mas ele não tem tanta certeza sobre um aumento no valor do negócio.

“Isso é mais difícil de prever”, explica, citando a incerteza em torno dos megadeals de “estilo outlier”, como os da plataforma de jogos Roblox e da Coinbase, que optaram por uma listagem direta em março após adiar a estreia comercial em 2020 em meio a preocupações com aumentos exuberantes de preços pós-IPO. Se finalmente vier a público, a gigante de pagamentos Stripe – a startup mais valiosa do país, valendo quase US$ 100 bilhões – poderia ajudar a cunhar um novo recorde de IPO.

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Com relação a performance, “IPOs podem ser tão atraentes quanto um bilhete de loteria”, diz Lindsey Bell, estrategista-chefe de mercado da Ally Invest, “mas é difícil dizer quais serão altos ou baixos”. Apesar do “entusiasmo” em torno de muitas listagens públicas, Bell avisa que as novas ações costumam representar um risco maior do que aquelas com prazo mais longo.

A Coinbase, por exemplo, atingiu um pico de 75% no primeiro dia de negociação em abril, logo após um aumento sem precedentes do comércio de varejo no primeiro trimestre. No entanto, desde então, as ações caíram mais de 45% e atingiram novos recordes de baixa, à medida que o fervor do varejo – e os preços das criptomoedas – esfriavam.

O Renaissance IPO ETF, que tem cerca de US$ 700 milhões em ativos e é proprietário dos “maiores, mais líquidos e recém-listados” IPOs dos EUA, disparou 107% em 2020, mas despencou cerca de 9,5% em 2021. Isso enquanto S&P 500 e Nasdaq tiveram ganhos de 27% e 23% respectivamente. “Esta não é uma tendência nova”, diz Bell sobre o fraco desempenho pós-IPO, observando que metade das empresas americanas que abriram capital entre 2015 e 2019 estavam negociando abaixo de seus preços IPO um ano depois.

Enquanto isso, a volatilidade do mercado de ações pulou para uma alta de 11 meses em dezembro, depois que o Fed (Federal Reserve) anunciou planos de aumentar as taxas de juros três vezes este ano e eliminar completamente suas compras de títulos da era pandêmica até março, em resposta à inflação. A notícia fez o S&P cair quase 4% em relação a um fechamento recorde alguns dias antes.

As taxas de juros mais altas, que tendem a prejudicar os lucros das empresas públicas e os preços das ações, são “prioridade”, diz Stanfill, que espera uma maior volatilidade no mercado, algo que poderia atrasar alguns planos de IPO ou até mesmo desencorajar outros no curto prazo.

Apesar dos riscos crescentes, ainda há um grande número de Spacs (empresas de aquisição de propósito específico) que procuram novos negócios e provavelmente fornecerão um grande impulso às ofertas públicas iniciais, observa Stanfill.

Cerca de 575 Spacs já são responsáveis por US$ 155 bilhões levantados por empresas privadas nos Estados Unidos – já rivalizando com o recorde de 606 Spacs que abriram o capital de empresas no ano passado. (A Forbes Media anunciou em agosto que iria abrir capital por meio de uma Spac este ano.)

Embora a SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos) esteja exigindo requisitos de divulgação mais severos para esses veículos, o grande volume de fundos disponíveis – e o potencial para retornos – são ​​o suficiente para fortalecer o mercado de IPO, apesar da incerteza persistente, especialmente porque a maioria das empresas não pode esperar dois anos para fechar um negócio ou devolver o dinheiro.

O mercado de IPO está se preparando para mais um ano massivo, mas não está claro se isso resultará em um boom ou colapso. Aqui estão as empresas a serem observadas antes de seus IPOs de 2022.

  • Getty Images

    Chime

    Última avaliação: US$ 25 bilhões após financiamento em setembro

    O banco digital de São Francisco Chime está em negociações para abrir capital em uma avaliação de até US$ 45 bilhões em março, disse uma pessoa familiarizada com o assunto à Forbes em outubro. A empresa ainda não oficializou os planos, mas o momento faz sentido: o CEO Chris Britt disse em setembro de 2020 que a Chime estaria “pronta para IPO” em um ano. “Recebo ligações de cerca de duas Spacs por semana para ver se estamos interessados ​​em entrar no mercado”, disse ele na época.

  • Getty Images

    Discord

    Última avaliação: US$ 15 bilhões após financiamento em setembro

    Embora o serviço de chat online ainda não tenha feito um anúncio oficial, os investidores estão de olho em um IPO do Discord desde que a empresa encerrou suas negociações com a Microsoft em abril, para ser adquirida por pelo menos US$ 10 bilhões. “Recebemos muitas ofertas”, disse à CNBC o CEO e cofundador Jason Citron, que vendeu uma startup de jogos por US$ 104 milhões em 2011. Citron chamou isso de uma “tremenda oportunidade” para a empresa e seus cerca de 150 milhões de usuários ativos, mas não anunciou planos de saída específicos.

  • AFP/Getty Images

    Impossible

    Última avaliação: US$ 4 bilhões após financiamento em agosto de 2020

    O fundador e CEO Pat Brown disse em novembro que um IPO era “inevitável” para a empresa de alimentos veganos, mas não forneceu um cronograma claro. Os relatórios indicam que a Impossible, que arrecadou cerca de US$ 1,5 bilhão desde sua fundação em 2011, está de olho em uma avaliação de US$ 10 bilhões – sinalizando uma concorrência para a outra fabricante de hambúrgueres à base de vegetais Beyond, listada no Nasdaq em 2019 e que vale cerca de US$ 5 bilhões.

  • Getty Images

    Instacart

    Última avaliação: US$ 39 bilhões após financiamento em março

    O serviço de entrega de alimentos originalmente esperava entrar nos mercados públicos no ano passado com uma avaliação de US$ 50 bilhões, mas o novo CEO, Fidji Simo, adiou os planos até este ano para ampliar os serviços além da simples entrega de comida.

    O mercado não tem sido muito gentil com a concorrente DoorDash, cujas ações caíram cerca de 15% desde seu primeiro dia de negociação em dezembro de 2020. Porém, a eMarketer aponta que a Instacart tem uma carta na manga: uma plataforma de propaganda de rápido crescimento que os varejistas podem usar para promover seus produtos em buscadores online.

  • Bloomberg Finance LP

    Reddit

    Última avaliação: US$ 10 bilhões após financiamento em agosto

    Em 15 de dezembro, o Reddit enviou confidencialmente a papelada para ir a público este ano, mas não revelou detalhes financeiros e disse que ainda não determinou quanto pretende arrecadar. Desde uma rodada de financiamento massiva em agosto, a mídia social de 16 anos por trás do frenesi das ações meme, supostamente está de olho em uma avaliação de US$ 15 bilhões. Embora isso seja excessivo em comparação com a negociação de concorrentes como Facebook e Twitter, os ansiosos Redditors já estão animados para tornar a plataforma a próxima ação meme.

  • Getty Images

    Stripe

    Última avaliação: US$ 95 bilhões após financiamento em abril

    Por mais de um ano, a empresa de pagamentos digitais fundada pelos irmãos bilionários Patrick e John Collison vem pensando em um IPO para acelerar o seu crescimento. Embora John tenha dito à CNBC em agosto que a Stripe está “muito feliz como empresa privada”, a concorrente do PayPal teria conversado com bancos de investimento em setembro sobre uma estreia no mercado este ano que poderia empurrá-la para além de uma avaliação de US$ 100 bilhões. Se os fundadores decidirem seguir esse caminho, a Stripe se tornará facilmente um dos maiores IPOs a atingir o mercado.

  • Getty Images

    TPG

    Ativos sob gestão: US$ 109 bilhões em dezembro

    No final do mês passado, a potência de private equity fundada pelos bilionários James Coulter e David Bonderman anunciou planos de listagem na bolsa de valores Nasdaq. Embora esteja mantendo muitos detalhes em segredo, a empresa listou uma oferta de US$ 100 milhões, mas sugeriu que isso poderia aumentar dependendo do interesse do investidor. A empresa, que supostamente busca uma avaliação pública de US$ 10 bilhões, detém participações na agência de talentos CAA, na Vice Media e no Spotify. Sua estreia daria fôlego às listagens públicas de private equity após uma explosão massiva de acordos de compra.

  • Getty Images

    Trump Media

    Última avaliação: US$ 2 bilhões de capitalização de mercado em janeiro

    O ex-presidente Donald Trump deslumbrou os investidores após anunciar planos de abrir o capital de sua empresa de mídia social via Spac. As ações da Digital World Acquisition Corp. dispararam mais de 1.700% no final do ano passado – ajudando-a a eclipsar brevemente uma capitalização de mercado de US$ 10 bilhões, em comparação com uma avaliação esperada de US$ 875 milhões – antes de cair 70% uma vez que o fervor esfriou.

    A empresa, que foi fundada em fevereiro e ainda não lançou um produto funcional, desde então revelou planos de lucrar com o frenesi do varejo, levantando cerca de US$ 1 bilhão de investidores. No entanto, os reguladores já estão avançando, com a SEC iniciando uma investigação sobre os investidores e as comunicações de alto nível da empresa no mês passado. Ninguém foi acusado de transgressão, mas não está claro como isso afetará o mais recente empreendimento lucrativo de Trump.

Getty Images

Chime

Última avaliação: US$ 25 bilhões após financiamento em setembro

O banco digital de São Francisco Chime está em negociações para abrir capital em uma avaliação de até US$ 45 bilhões em março, disse uma pessoa familiarizada com o assunto à Forbes em outubro. A empresa ainda não oficializou os planos, mas o momento faz sentido: o CEO Chris Britt disse em setembro de 2020 que a Chime estaria “pronta para IPO” em um ano. “Recebo ligações de cerca de duas Spacs por semana para ver se estamos interessados ​​em entrar no mercado”, disse ele na época.

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