Dólar: qual a melhor maneira de comprar a moeda?

Dinheiro em espécie, cartões de débito pré-pagos, cartões de crédito ou conta em dólar? Forbes analisou as melhores opções disponíveis no mercado.

Amanda Péchy
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Demanda pela divisa estrangeira aumentou graças ao retorno da viagens internacionais e cinco semanas consecutivas de queda

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As viagens voltaram ao radar dos brasileiros com o avanço da vacinação contra a Covid-19. Para respirar outros ares, no entanto, é preciso ultrapassar o obstáculo do câmbio – uma tarefa que pode se mostrar complicada.

Seja para viajar ou para investir, há cada vez mais opções disponíveis para quem deseja comprar dólar. Além dos tradicionais cartões pré-pagos e das casas de câmbio, as chamadas contas-dólar, ou contas globais, aparecem como alternativas mais práticas – e muitas vezes mais baratas – para realizar a transação.

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O que é preciso levar em conta na hora de comprar dólar?

Taxa de câmbio

Parece óbvio, mas é sempre importante acompanhar as tendências do dólar e como o câmbio reage aos movimentos do mercado. Dependendo dos eventos políticos e econômicos de cada país, o valor da moeda nacional pode aumentar ou baixar.

Ao ficar atento às notícias, o investidor ou turista consegue melhores taxas no câmbio. Na última sexta (11), a divisa dos EUA completou a quinta semana consecutiva de queda.

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No pregão de ontem, o dólar fechou a R$ 5,12. Sem um desfecho à vista para a crise entre os dois países e com a perspectiva de mais aumentos de juros no Brasil, a tendência é que o dólar se mantenha em baixa nas próximas semanas.

IOF (Imposto sobre Operações Financeiras)

O tributo incide sobre uma série de operações e têm alíquotas específicas para o câmbio, com valores que variam de acordo com a forma de conversão das divisas.

A compra de moeda em espécie é taxada em 1,1%; recargas de cartão internacional pré-pago estão sujeitas a uma alíquota de 6,38%, que vale também para compras no exterior feitas com cartão de crédito.

Spread

Também chamado de ágio, a taxa indica a diferença entre o preço de compra da moeda e seu preço de venda. Ou seja, o saldo entre o valor que um banco, casa de câmbio ou agência de turismo pagou pelo dólar e o valor que recebeu por esse dinheiro na hora da venda ou empréstimo a um cliente.

Como esse valor também pode envolver outros custos da instituição financeira, a porcentagem varia entre cada instituição, então é importante pesquisar o melhor custo-benefício.

Também é relevante ressaltar que muitas instituições embutem o valor do spread no câmbio praticado, anunciando o serviço como se fosse mais barato e sem taxas.

Leia mais: Como as oscilações do dólar impactam a economia e os investimentos no Brasil

Agora é um bom momento para comprar dólar?

O Itaú informou recentemente que a compra de dólar em espécie cresceu 377% em janeiro, na comparação com o mesmo mês de 2021. Enquanto isso, os gastos com cartão de crédito no exterior cresceram 150% em dezembro em relação ao ano anterior.

Em meio à lenta retomada da economia brasileira e o aumento da taxa básica de juros do país, o real voltou, ainda que timidamente, a se valorizar frente ao dólar. Em 2022, a moeda norte-americana acumula queda de mais de 7%.

“O cenário é favorável devido à entrada de investidores estrangeiros, incentivados pela nossa taxa de juros, a inflação alta nos Estados Unidos e uma expectativa de aumento dos juros norte-americanos”, afirma Douglas Ferreira, diretor de operações de câmbio da Planner Corretora.

Para o especialista, investidores estão voltando a olhar para mercados emergentes, onde o Brasil se destaca, e essa migração contribui para a queda da taxa de câmbio.

“Estamos em ano eleitoral. A partir de meados de abril, a moeda americana deve se valorizar, gerando rentabilidade aos investidores que a adquirirem na cotação atual. Mesmo assim, é recomendável cautela, pois o mercado de câmbio é instável e é difícil prever seus movimentos”, completa Ferreira.

Afinal, qual a melhor forma de comprar dólar para viajar?

A resposta, embora pouco conclusiva, é: depende. A melhor opção varia de acordo com os objetivos de cada pessoa. Veja as vantagens e desvantagens das principais alternativas disponíveis no mercado.

Casas de câmbio e bancos

Quem quer comprar dólar em espécie para viajar pode recorrer às opções tradicionais: casas de câmbio e bancos. Nesses casos, é importante pesquisar, porque o spread praticado pode variar bastante –em geral, fica entre 4% e 7%. O viajante também pode ter de pagar comissão ou taxas administrativas.

A alíquota do IOF, por se tratar de um tributo federal, é sempre a mesma: 1,1%.

A maioria das agências de viagens recomenda levar ao menos parte das reservas da viagem em espécie para o caso de emergências. Por isso, mesmo que esta não seja a opção mais vantajosa para o viajante, pode ser que ele ou ela não consiga evitá-la.

Cartões

Aqueles que preferem levar uma reserva em espécie pequena e concentrar os gastos maiores em cartões podem utilizar os de débito pré-pagos (conhecidos como “travel money”) ou os tradicionais cartões de crédito. As duas modalidades têm alíquotas maiores de IOF (6,38%).

No caso dos cartões pré-pagos, o turista deposita um valor em reais que é convertido para o dólar de acordo com o spread e a taxa de câmbio praticada pela instituição. O recolhimento do IOF é feito automaticamente pelo banco ou corretora.

É importante lembrar que esse produto funciona como os cartões de débito: caso o viajante gaste todo o saldo, não será possível fazer novas compras antes de recarregá-lo com mais dólares.

No caso dos cartões de crédito, vale sempre o câmbio do dia em que a compra foi feita – até março de 2020, o Banco Central permitia que os bancos fizessem a conversão apenas no dia de fechamento da fatura. Esses cartões podem ser uma opção atraente para quem tem interesse em juntar milhas e um bom programa de vantagens oferecido pelo banco.

Contas globais

Além das opções mais conhecidas, diversos bancos digitais oferecem a residentes no Brasil a possibilidade de abrir uma conta em dólar. Atualmente, o consumidor pode escolher entre Wise, C6, Nomad, Avenue e BS2.

Geralmente, não são cobradas taxas de manutenção, mas as instituições podem condicionar esse benefício a um valor mínimo de aplicações financeiras que devem ser feitas pelo cliente. É o caso do C6, que isenta de taxas o correntista que tem R$ 20 mil ou mais aplicados em CDB.

Para comprar dólares, basta transferir um valor em reais para essa conta; o montante é automaticamente convertido. O câmbio é atualizado em tempo real, e vale a cotação do dólar comercial.

A principal vantagem dessas contas é o IOF reduzido: enquanto os cartões de bancos tradicionais (tanto de crédito quanto pré-pagos, estilo “travel money”) estão sujeitos à alíquota de 6,38%, para as contas globais vale a do dólar em espécie: 1,1%.

Ou seja, considerando apenas os impostos, a compra do dólar fica 5,28% mais barata.

Algumas fintechs, como a Avenue, aceitam depósitos via TED ou Pix de qualquer banco brasileiro, desde que ambas tenham o mesmo titular. O C6 Bank, por exemplo, apenas oferece contas em dólar a quem já é correntista.

Outra importante vantagem é o spread cambial, que é menor que o praticado pelos bancos tradicionais: enquanto essas instituições cobram em torno de 7% a 4%, as contas em dólar do Avenue, C6 Bank, Nomad e BS2 cobram entre 1,5 e 2,5%.

“O cliente ganha no spread e na previsibilidade do câmbio em relação a métodos tradicionais”, afirma Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos.

O assessor de investimentos enfatiza, no entanto, que não é o spread dos neobanks e fintechs que é baixo, mas o das instituições financeiras tradicionais que é muito alto.

“Os bancos, basicamente, lucram na diferença entre o dólar comercial e a taxa, tirando um custo das costas. É caro trazer papel moeda dos Estados Unidos, precisa de logística e de segurança”, diz.

Ele afirma, ainda, que as instituições digitais conseguem sobreviver com spreads baixos porque praticamente não têm custos de logística, além de conseguirem facilmente escalar o negócio pelo volume de transações.

O que pode ser encarado como um fator limitante nas contas-dólar é que elas trabalham com débito – não existe um limite de crédito. Ou seja, é preciso pagar tudo à vista.

O câmbio, além disso, é limitado ao dólar (algumas instituições financeiras oferecem contas em euro). Dependendo do destino será preciso fazer duas conversões: do real para o dólar e do dólar para a moeda local.

Entenda como calcular a conversão para o dólar

Considerando uma taxa de câmbio em que US$ 1,00 igual a R$ 5,00:

Compra de US$ 100 reais no cartão de crédito:

IOF: 6,38% sobre o valor da compra.
Spread: 4% (média da taxa praticada pelos bancos tradicionais)
Valor final: R$ 553,18

Compra de US$ 100 reais em espécie:

IOF: 1,01% sobre o valor da compra.
Spread: 4% (média da taxa praticada pelos bancos tradicionais)
Valor final: R$ 525,25

Compra de US$ 100 reais no cartão de débito de uma conta em dólar:

IOF: 1,01% sobre o valor da compra.
Spread: 2% (média da taxa praticada)
Valor final: R$ 515,15.

A diferença entre a opção mais cara (cartão de crédito) e a mais barata é de R$ 38,31, ou 7,38% a mais do que o valor final da compra feita utilizando a conta em dólar.

Antes de escolher a opção que mais se adequa às suas necessidades, lembre-se sempre de pesquisar as taxas praticadas e calcular, na ponta do lápis, qual é a mais vantajosa para você.

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